SATA: (S)erá que (A)guenta (T)anta (A)sneira?

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A SATA é, de certeza, a empresa pública regional mais importante da Região Autónoma dos Açores. É fundamental para centenas de famílias, açorianas e não só, que encontram nela o seu único sustento e modo de sobrevivência. E é primordial quer para o transporte de mercadorias para o exterior, essencialmente perecíveis, assegurando que estas cheguem de forma célere ao seu destino, quer para a circulação e movimentação dos açorianos entre as ilhas e destas para o exterior.
Todavia, nos últimos anos, assistiu-se ao seu definhar e, porventura, ao seu caminhar para o abismo, como que a fazer lembrar o que aconteceu às inúmeras companhias aéreas americanas que faliram durante a crise financeira do início do ano dois mil.
Toda esta responsabilidade acumulada incumbe, em primeira linha, aos nossos decisores políticos, pois foram eles que nomearam para administrar a SATA pessoas ligadas à política, sem preparação e conhecimentos nesta área, sem capacidade de diálogo e de criação de um real plano estratégico de desenvolvimento económico e sustentabilidade financeira para a empresa.
Basta olharmos para os últimos dois conselhos de administração da empresa para rapidamente chegarmos a essa conclusão.
Após um período relativamente calmo na operação da SATA em que o Presidente do Conselho de Administração da SATA aparecia diariamente nos jornais e dava constantemente entrevistas à RTP Açores , vangloriando-se da sua atuação, e dando mostras que a companhia aérea estava no bom caminho, isto apesar das “gaffes” cometidas para justificar o não aumento do número de voos para o Faial, eis que durante o mês de julho e agosto, a época de mais afluência de turistas aos Açores, a altura do ano em que a empresa deveria mostrar, não só internamente, mas perante aqueles que nos visitam, a sua robustez e a sua prontidão em responder às adversidades, tudo caiu por terra.
As constantes avarias e atrasos nos aviões que ligam os Açores aos Estados Unidos da América, prejudicando seriamente os nossos da diáspora, os inúmeros cancelamentos de voos, quer inter-ilhas, quer para o continente português, as greves e os sucessivos pré-avisos de greve por parte do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), e, mais recentemente, a impossibilidade de, durante vários dias, se sair do Faial por via aérea, mostraram a fragilidade da empresa e a incapacidade de Paulo Menezes para gerir este tipo de situações, por vezes normais no “core business” das companhias aéreas.
Os açorianos é que já não aguentam tanta asneira seguida na gestão da nossa companhia aérea.
Num ápice, o Presidente da SATA desapareceu dos écrans, deixou de se justificar perante os jornalistas e a empresa ficou à deriva, como que a fazer lembrar António Costa que, perante as inúmeras mortes de Pedrogão Grande e o país a arder, arrumou as suas malas e voou em direção a Palma de Maiorca para umas revigorantes e merecidas férias.
Em auxilio da SATA e de Paulo Menezes, para serenar os ânimos de associações patronais, da oposição política interna, dos sindicatos e dos próprios açorianos, mas com custos relevantes em termos políticos e de imagem da companhia, teve que aparecer o Presidente do Governo Vasco Cordeiro, justificando ele mesmo o mau momento por que atravessa a empresa.
Mal aconteceu esta justificação surgiu mais um pré-aviso de greve para daqui a dias, a qual promete afetar seriamente o tráfego aéreo no arquipélago e prejudicar financeiramente, na ordem dos milhões de euros, os cofres da companhia aérea açoriana, já de si extremamente debilitados.
Certamente que, depois de passado este conturbado período, a inércia visível daquele senhor lhe custará a exoneração do cargo que ocupa atualmente.
Para aqueles que acompanham de perto este dossier chamado SATA é pois claro que o futuro aponta numa única direção: a abertura da maioria do seu capital social a privados.
Serão estes que procurarão reerguer a empresa, assumindo a sua dívida, injetando nela dinheiro fresco que permita colmatar as suas prementes necessidades e investindo em novas rotas e na aquisição de aeronaves que eleve a SATA até um patamar superior no ranking das companhias aéreas europeias.
Obviamente, desde que o Governo Regional saiba salvaguardar todos os postos de trabalho e os direitos dos açorianos, não há, pois, que temer a privatização da empresa.
Mudar o nome da SATA não proporcionou altos voos.
Mude-se a sua gestão para continuar a voar.

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