Sessão Plenária de Junho – BE acusa governo de “falta de estratégia” perante o fim das quotas do leite

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Na interpelação que o Bloco de Esquerda apresentou ao Governo, na manhã do primeiro dia de trabalhos da sessão plenária do mês de junho, referente à situação do setor agropecuário nos Açores apontou “a falta de estratégia, a incapacidade de antecipação e a recusa em construir alternativas” como os erros fundamentais do executivo, perante o fim do regime de quotas leiteiras.

No entender deste partido esta posição do Governo conduziu mesmo à situação de crise que a agricultura açoriana vive atualmente.

A líder do BE, reconhecendo que a União Europeia é a primeira responsável por esta crise – “a cereja no topo do bolo”, Zuraida Soares lembrou que “o bolo foi feito nos Açores, pelos sucessivos governos regionais”, que, mesmo sabendo, desde 2003, que o regime de quotas iria acabar, direcionaram sempre toda a estratégia e todos os apoios apenas para o aumento da produção, em detrimento do aumento da qualidade.

Perante a afirmação do presidente do Governo Regional, que no âmbito do debate defendeu, que o problema estava no mercado, a deputada do BE considerou que “só há um problema de mercado e de escoamento do leite dos Açores porque há um problema de sobreprodução.

Para Zuraida Soares “só há sobreprodução porque o Governo Regional apostou tudo – incluindo os milhões da União Europeia – em incentivar os produtores a aumentar a quantidade de leite, em vez de apostar na diferenciação pela qualidade”, disse.

A deputada fez ainda questão de assinalar também o contributo negativo dos últimos Governos da República para a situação de “autêntica catástrofe” que se vive na fileira do leite, que, segundo os representantes associativos do sector, empurrou 60% a 70% dos produtores para a falência técnica.

Na sua intervenção a deputada defendeu a necessidade de uma “mudança de políticas” ao nível da agropecuária que permitam ultrapassar a crise que o setor atravessa no arquipélago, “para os nossos lavradores terem maiores rendimentos e o sector ter mais pujança é urgente mudar de políticas”, apoiando claramente “o aumento da qualidade da produção e a diferenciação de produtos”, disse, sem deixar de referir que o combate em defesa da implementação de um mecanismo de regulação pela União Europeia deve continuar.

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