Taxa de emprego portuguesa ultrapassa metas europeias

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Das cinco ideias centrais da estratégia Europa 2020, Portugal cumpriu em 2018 o segundo objectivo. As restantes três metas (sobre investigação, energia e educação) parecem fora do alcance.

Portugal cumpriu em 2018, por quatro décimas, o objectivo da taxa de emprego superior a 75% da população entre 20 e 64 anos, uma das metas que constam da ambiciosa estratégia Europa 2020 que a Comissão Europeia propôs em 2011 aos Estados membros da UE. O Eurostat confirmou esta quinta-feira que apenas 14 países cumprem este indicador. Em 2017, a taxa de emprego portuguesa foi de 73,4%. Num único ano, houve um avanço de dois pontos e o valor português ficou agora bem acima da média europeia, que é de 73,2%.

Há cinco metas na estratégia Europa 2020, para serem alcançados até ao final da década. A primeira diz respeito à taxa de emprego e, como confirma o organismo estatístico europeu, Portugal já a cumpre. No segundo tema, sobre o aumento do nível de investimento em investigação e desenvolvimento (ID), a economia portuguesa regista um grande fracasso: a meta nacional é de 2,7% do PIB, a europeia de 3%. Em ambos os casos, o objectivo dificilmente será alcançado: em Portugal, o nível de investimento em ID está actualmente em pouco mais de 1,3% do PIB; na UE, pouco acima de 2%.

A terceira meta da década diz respeito a energia e combate às alterações climáticas. Esta parte da estratégia tem três elementos: redução de 20% das emissões de gases com efeito de estufa relativamente aos níveis de 1990, aumentar as energias renováveis para 20% do consumo e aumentar a eficiência energética em 20%. Ainda não há números actualizados, mas é provável que Portugal falhe nos três casos e a Europa atinja apenas um deles, a percentagem de energias renováveis. Os europeus podem também conseguir a meta de redução das emissões de gases com efeito de estufa, mas é difícil.

O quarto objectivo diz respeito a educação e os indicadores portugueses são medíocres: no objectivo de reduzir para valores abaixo de 10% o número dos estudantes que abandonam prematuramente a escola, Portugal está em 11,8% e a UE a 10,6%. Lisboa dificilmente cumprirá. No outro indicador (40% de pessoas com ensino universitário na faixa etária entre 30 e 34 anos,)as hipóteses de cumprir são mínimas no caso português. A UE já atingiu esta meta.

Finalmente, no quinto objectivo, Portugal apresenta já outro êxito. Trata-se da redução da pobreza e exclusão. A meta da UE é tirar 20 milhões de pessoas da pobreza e exclusão, o valor alcançado até agora foi de apenas 4 milhões de pessoas; Portugal está na situação inversa: o objectivo era tirar da pobreza 200 mil pessoas; em 2018, são já quase 400 mil.

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