
Decorreu no passado domingo a cerimónia de encerramento das comemorações dos 100 anos do edifício do Teatro Faialense.
Durante este evento, que foi o culminar de um ano de iniciativas, assistiu-se à recriação de um excerto da opereta “A fonte dos Namorados”, exibida há 100 anos, pelo Grupo de Teatro Sortes à Ventura.
Neste dia foram ainda lançados o selo comemorativo dos 100 anos emitidos pelos CTT Correios de Portugal e a medalha comemorativa do evento. Foram também homenageadas 40 instituições culturais do concelho da Horta que contribuíram para a valorização da cultura faialense. A tarde terminou com a majestosa atuação do Maestro António Vitorino d’Almeida.
Sobre as homenagens, José Leonardo frisou que “não há melhor forma de dignificar esta sala, este espaço que acolheu ao longo da sua história entusiastas faialenses e a elite dos palcos nacionais, do que reconhecer, de forma meritória e justa, o trabalho árduo, contínuo, voluntário, de qualidade e digno que se desenvolve nas nossas sociedades, nos nossos grupos de folclore, de música tradicional e popular, nos grupos corais ou de fado e nas instituições culturais de referência ao nível da divulgação, apropriação e investigação cultural.”
“O vosso trabalho é digno do nosso reconhecimento porque é graças a ele e às horas empregues a tratar de coisas de todos, de forma gratuita e que podia ser ocupada por exemplo junto da família, que temos tantas instituições culturais de qualidade num concelho de pequena dimensão, mas ao nível dos maiores e melhores concelhos do nosso país”, sublinhou.
O primeiro Teatro Faialense, então denominado, Teatro União Faialense foi edificado em 1856, dando início ao primeiro teatro regular dos Açores. Reconstruído em 1916, foi rebatizado ficando a chamar-se Teatro Fayalense.
Alvo de obras de restauro e ampliação, dotando-se com os mais modernos meios e equipamentos, o Teatro Faialense reabriu a 06 de junho de 2003.
A utilidade do espaço como infraestrutura de apoio ao cinema, teatro, dança e música, bem como para o convívio social do bar anexo, “são uma aposta ganha”, afirmou José Leonardo Silva, presidente da CMH, durante a cerimónia.
“100 anos depois do Teatro Faialense ter adquirido essa designação e de ter sido reconstruído de raiz, estamos nós hoje a demonstrar, com a nossa presença e também com a presença de jovens grupos, que a cultura faialense está viva e honra os pergaminhos dos seus antepassados”, afirmou o presidente da CMH, que acrescentou ainda “faça-se uma justa homenagem a quem, na Câmara Municipal da Horta, e enfrentando sérias oposições, em boa hora não deixou demolir este espaço dotado há degradação, e o trouxe para as mãos do Município, em 1995, devolvendo-o à cidade e à ilha, a partir de 2003, sendo hoje, a maior sala de referência e qualidade na ilha do Faial.”
“Ainda bem que houve essa visão e essa persistência pois o facto deste espaço estar hoje a funcionar, com técnicos e trabalhadores especializados e altamente profissionais, permite que aqui tenham lugar os maiores e melhores espetáculos ou sessões de variada natureza, dando destaque e nome a quem aqui se apresenta e aos seus trabalhos, com regras, com organização e com o dinamismo típico de um espaço que é a referência da nossa cidade”, sublinhou.
O Presidente da CMH recordou ainda o facto da sala de cinema do Teatro ter sido dotada recentemente de um moderno equipamento de projeção digital 3D, que veio ampliar e muito a oferta na área do cinema, conjuntamente com inúmeros eventos de abrangência intergeracional e direcionados para várias faixas etárias.
“Hoje estamos em condições de dizer que, só nos últimos 4 anos, o número de entradas no Teatro Faialense mais do que duplicou, sendo no final de 2016, de 10.590 entradas ano”, revelou.
O Secretário Regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, no seu discurso recordou o antigo presidente da autarquia, Renato Leal, que adquiriu o Teatro Faialense para o município, dando assim um importante contributo para a afirmação da cultura como um instrumento ao serviço do desenvolvimento das comunidades.
“É o nosso património cultural que nos distingue e valoriza”, frisou João Ponte, salientando que, “pese embora o desenvolvimento e o progresso que se assiste no Faial, não se pode, nem deve, ignorar o passado, a história, a tradição e a memória”.
Nesse sentido, considerou que as comemorações que decorreram ao longo do último ano no Teatro Faialense “foram uma justa e merecida homenagem a todos – pessoas e agentes culturais – que marcaram o desenvolvimento cultural desta cidade e deste concelho”.
“A cultura, nos dias de hoje, reveste-se de uma importância acrescida, especialmente se tomarmos por base o paradigma da sustentabilidade”, afirmou João Ponte, acrescentando que “a cultura deixou de ser apenas um agregado de
Também Ana Luís, presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores marcou presença nesta cerimónia e disse aos presentes que “todos aqueles que engrandeceram o trabalho deste teatro, desde músicos, atores, criativos ou técnicos, têm que ser ressalvados neste dia”.
“Ao encerrar as comemorações dos 100 anos do Teatro Faialense, podemos claramente afirmar que, nestes últimos 12 meses, fizemos um encontro com a história, recordando o passado”, afirmou a presidente do Parlamento Açoriano.
Ana Luís relembrou a altura da construção e reconstrução do edifício “icónico e emblemático” do Teatro Faialense, “a arte, cultura e educação serão a solução para muitos dos problemas com que os nossos jovens se debatem, então pergunto se estão os nossos jovens de hoje, adultos e líderes de amanhã, disponíveis para aceitar o respeito e a tolerância como valores fundamentais para uma sociedade que não é justa.”
“Efemérides como esta devem servir para consolidarmos o presente, para percebermos como a união de esforços e a dinâmica das nossas gentes dão forma aos nossos sonhos, fazendo-nos acreditar, mesmo que por breves instantes, que vivemos num mundo melhor”, disse.
A presidente da ALRAA sublinhou ainda a importância “de conhecer e valorizar todos aqueles que nos Açores, e no Faial em particular, se dedicam às variadas formas de arte que cunham a identidade de um povo”.
















