A bênção do Sumo Pontífice de Roma para o Mundo

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“Desde há semanas que parece o entardecer, parece cair a noite. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares. Revemo-nos temerosos e perdidos”.

Foi com estas palavras que evidenciam, há cerca de um mês, o dia-a-dia de grande parte da humanidade, que o Papa Francisco iniciou a sua histórica bênção “Urbi et Orbi” (“para a cidade e para o mundo”) e concedeu a indulgência plenária, isto é, o perdão dos pecados.
Histórica porque esta bênção só é concedida pelo Sumo Pontífice em três ocasiões, quando é eleito sucessor de Pedro, no dia de Natal e no domingo de Páscoa.
Igualmente histórica porque a mesma foi feita perante uma Praça de São Pedro completamente vazia, sem quaisquer fiéis, devido às medidas instituídas para conter a propagação do novo coronavírus.
Na verdade, são estes tempos de incerteza provocados pela Covid-19 que levaram o Santo Padre a convocar todos os fiéis para o seguirem espiritualmente nesse momento ímpar de oração pela humanidade.
A imagem poderosa e única que correu mundo – o Papa Francisco a caminhar sozinho numa despida Praça de São Pedro, no Vaticano – certamente ficará na retina não só dos cristãos, mas de todos aqueles que professam uma qualquer religião, ou até dos agnósticos.
Foi um momento nunca antes visto, mas com um objetivo específico: transmitir ao mundo uma mensagem de esperança.
Naquela homilia, onde o apelo à solidariedade mundial e à união no combate à pandemia se destacaram, o Sumo Pontífice também não se esqueceu daqueles que, diariamente, têm ajudado a população a enfrentar esta crise pandémica.
“Podemos ver tantos companheiros de viagem exemplares, que no medo reagiram oferecendo a própria vida. É a força operante do Espírito derramada e plasmada em entregas corajosas e generosas”, disse, dirigindo-se aos médicos, enfermeiros, trabalhadores dos supermercados e das limpezas, forças policiais, bombeiros, sacerdotes e voluntários, a quem manifestou o seu agradecimento.
Marcante nesta imagem do Santo Padre e que a todos nós tocou profundamente foi também a presença do crucifixo ‘milagroso’, o qual, segundo os crentes, pôs fim à peste de 1522, em Roma. Foi perante ele que o Papa Francisco rezou para pedir o fim da pandemia no dia 15 de março, quando visitou a igreja de São Marcelo al Corso.
Dizem os escritos que este crucifixo de madeira é venerado desde 1519, ano em que um violento incêndio destruiu a igreja de São Marcelo al Corso. As chamas pouparam apenas a imagem de madeira que estava no altar e logo os fiéis afirmaram tratar-se de um milagre. Desde então, os mais devotos começaram a reunir-se para rezar junto do crucifixo de madeira.
Em 1522, a imagem de madeira foi levada em procissão pelas ruas de Roma, que estava a ser devastada pela peste. A procissão durou 16 dias e, no final, quando o crucifixo regressou à igreja de São Marcelo al Corso, a peste tinha terminado.
Nestes dias difíceis que o mundo atravessa, de confinamento social, de doença, de morte e de uma quase impossibilidade de determinados gestos humanos, como um último adeus a um familiar falecido, é importante refletirmos acerca da mensagem que o Sumo Pontífice nos quis transmitir – “é preciso parar para pensar e mudar a nossa postura perante os outros”.

#FicaEmCasaFaial

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