A caminho das legislativas há coisas que não se entendem!

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Ainda não terminou o mês de agosto, mês normalmente escolhido por muitos portugueses para gozarem as suas férias de verão, e já entrou pelas nossas casas adentro o período de campanha pré-eleitoral para as legislativas de 6 de outubro.
Com ele assistimos ao aquecimento para a volta a Portugal dos líderes dos principais partidos políticos, visitando instituições, empresas e feiras escolhidas a dedo e apresentando algumas das suas propostas para os setores visitados. Pelo meio, desdobram-se em entrevistas nas rádios, nos jornais e na televisão, de modo a conseguirem fazer chegar à opinião pública, de forma mais célere e clarificadora, as propostas inscritas nos seus programas eleitorais que têm para oferecer aos portugueses.
Mas, enquanto os líderes políticos mais conhecidos e os seus partidos são notícia diária, há aqueles que, os denominados partidos pequenos, apesar de se apresentarem a estas eleições, muito raramente conseguem surgir nos ecrãs ou nas páginas dos principais jornais.
Em protesto contra a tal falta de cobertura mediática, assistimos no início desta semana à ocupação pacífica da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) por parte de elementos do Partido Aliança.
Não admira, por isso, que uma das primeiras iniciativas de pré-campanha do Partido Socialista e do Partido Social Democrata nos Açores tenha sido uma visita aos estúdios da RTP-Açores em Ponta Delgada.
Se, por um lado, fez todo o sentido a visita realizada pela candidata do PS Isabel Rodrigues, uma vez que é dali oriunda e cabeça de lista pelo círculo eleitoral dos Açores, por outro lado, sendo a social-democrata, Ilídia Quadrado, faialense e indicada pelas estruturas locais do partido, teria feito mais sentido visitar a delegação da RTP/Açores no Faial, ainda para mais, sendo novas as instalações, com qualidade, podem e devem ser visitadas pelos nossos candidatos, sem esquecer, obviamente, o facto de ser na sua ilha que tem que cativar o eleitorado votante e não na cidade de Ponta Delgada.
Embora ainda estejamos em período de pré-campanha, deixo aqui o repto de que seria também importante que a comunicação social escrita dos Açores fosse auscultada pelas diferentes forças políticas em confronto, de modo a que esta possa transmitir aos candidatos as suas dificuldades, os seus anseios e expetativas em relação aos necessários apoios governamentais.
No entanto, aquilo que no Faial mais chamou à atenção, pelo menos a mim, diz respeito aos vários cartazes do Partido Socialista espalhados pela cidade da Horta e que trazem em grande plano as caras de António Costa, primeiro-ministro de Portugal e de Isabel Rodrigues, cabeça de lista do PS/Açores às legislativas do próximo mês de outubro.
Isto leva-me a perguntar porque é que o candidato indicado pelo PS/Faial foi preterido nesses cartazes? Que justificação o PS/Açores tem para essa ausência do faialense João Castro, colocado em terceiro lugar na lista dos Açores à Assembleia da República? E que efeito se pretende surtir na opinião pública faialense com este tipo de campanha?
É certo, acredito, que a generalidade dos faialenses conheça o atual primeiro-ministro, mas coloco muitas interrogações em relação à candidata Isabel Rodrigues. Por isso, tal atitude poderá ser perspetivada de um duplo prisma. Ou porque se entendeu ser necessário dar visibilidade à candidata Isabel Rodrigues ou, então, porque o candidato João Castro é tão conhecido na ilha que não precisa de mais mediatismo.
No meu ponto de vista, é incompreensível tal decisão, uma vez que se a ilha do Faial tem um candidato deveria ser este e não outro a figurar nos cartazes colocados na sua própria ilha. E tal facto poderá, eventualmente, condicionar o resultado que o Partido Socialista ambiciona alcançar na ilha do Faial.
Decerto que esta será mais uma estratégia política, engendrada pelos gurus das campanhas eleitorais, mas que não é compreensível ao comum dos faialenses lá isso não é…

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