A DIFERENÇA

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1. Apesar da minha idade e da minha experiência, há ainda coisas e factos capazes de me surpreenderem.

Um desses exemplos aconteceu na passada semana. Carlos César, numa das aparições públicas em que se desmultiplica para tentar ajudar o seu anódino delfim, declarou: “Se não fosse a gestão rigorosa das finanças regionais, estaríamos a pedir como está o Governo da República”.

E aquilo que me mais surpreende é não só a desfaçatez da afirmação, mas a continuada teimosia em iludir os Açorianos.

Já aqui, em crónica anterior, convidei os leitores a lerem com atenção os termos do Memorando que o Governo Regional assinou com a República. E a terem em conta os seguintes factos: 1. Esse documento não foi imposto, mas sim assinado nos exatos termos do que o Governo Regional propôs; 2. Através desse Memorando a Região garantiu uma verba de 135 milhões de euros, destinada a pagar dois empréstimos que se venciam em Agosto passado e para o pagamento dos quais o Governo Regional não tinha dinheiro; 3. Como contrapartida do empréstimo dessa verba, a Região obrigou-se a aplicar todas as medidas restritivas que venham a ser aprovadas em sede do Orçamento de Estado, hipotecando-se, dessa forma, a nossa Autonomia. 

Estes são os factos. E perante eles pergunta-se: uma Região sem problemas financeiros, uma Região que fez uma gestão rigorosa das suas contas, como proclama Carlos César, então como é que não tem dinheiro para pagar dois empréstimos? Uma Região que respira saúde financeira, como nos querem fazer crer, para que é que precisa de pedir ajuda? E as dívidas da saúde? E as negociações para adiamento de pagamentos a fornecedores? E os pedidos para adiar a faturação a serviços e fornecimentos já prestados? Tudo isto são sinais de gestão rigorosa?

A estratégia é demasiado óbvia e clara: o que se quer a todo o custo é manter as aparências e a ideia de que nos Açores está tudo bem e aguentar assim até 14 de Outubro, mantendo os Açorianos na ilusão, esperando com o logro, ganhar as eleições.

E as palavras de Carlos César ainda me surpreendem porque nunca o imaginei a ver fazer o papel daquele ministro da Informação de Saddam Hussein, quando tinha os americanos dentro de Bagdad e dizia que o Iraque estava a ganhar a guerra.

Assim está Carlos César com a situação económica e financeira dos Açores. Vai pedir dinheiro a Lisboa, assina um humilhante Acordo com aqueles que satiriza por serem pedintes, e diz que os Açores são o exemplo do rigor!

Resta agora é saber se querem os Açorianos continuar a deixar-se enganar!

2. Vasco Cordeiro agarrou-se como náufrago à boia que é a contínua crítica ao Governo da República. Ele e muitos outros, espalhados um pouco por todo o universo socialista da Região, desistiram de falar dos Açores. Desistiram das ideias e das propostas para o futuro dos Açores. Até na apresentação que fez do seu Programa de Governo, aquilo a que Vasco Cordeiro deu mais destaque foi…o Governo da República.

Lamentável, sintomático e elucidativo.

3. Como certeiramente disse, na passada semana, Berta Cabral: “é preciso agir para resolver os problemas da Região. Não basta falar e meter medo. É preciso agir para que tudo não fique na mesma. E não há criação de emprego e soluções para os problemas dos açorianos se tudo ficar na mesma.” 

Berta Cabral salientou que no seu discurso de pré-campanha eleitoral tem mostrado preocupação com o “desemprego e com futuro da nossa terra”, enquanto os seus adversários políticos apenas “falam do governo da República”: “Nós falamos dos Açores, eles falam de Lisboa. Nós falamos de desenvolvimento, eles falam de impostos. Nós falamos de emprego, eles falam de austeridade. Nós falamos de Autonomia, eles falam do governo da República. Nós falamos de crescimento, eles continuam a falar de medo. Mas os açorianos não têm medo”, disse Berta Cabral, sublinhando que o tempo “não é de falar e meter medo”, mas sim de “arregaçar as mangas e pôr mãos à obra” para encontrar soluções que resolvam os problemas dos açorianos. “É preciso trabalhar para encontrar as soluções. E as soluções encontram-se no dia 15 de outubro, depois das eleições. Quem me dera estar lá já, porque já estou farta de campanha e o que quero mesmo é trabalhar pela nossa terra”, frisou, acrescentando que “este não é o tempo para nos dividirmos em partidos, mas sim para nos unirmos de forma a resolver os problemas da Região. O nosso adversário não é o PS. O nosso adversário é o desemprego que afeta todas as ilhas. O nosso adversário é a falta de dinheiro em casa das famílias. O nosso adversário é a desesperança”, afirmou.

Que diferença!

 

 

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