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A Economia e a necessidade de intervenção na Educação e na Formação (I Parte)

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 O nosso país tem um significativo atraso no que se refere à qualificação dos recursos humanos em relação aos outros países da União Europeia; por sua vez, os Açores têm um atraso relativo ao continente português e entre as ilhas existem as naturais disparidades! Há, assim, que dar ao sistema educativo e à formação profissional o máximo de atenção político-económica, pois é crucial para uma perspectiva de competitividade da economia e, consequentemente, do bem-estar de todos.

Numa breve análise, constata-se que ao nível do secundário, o ensino continua demasiado generalista, com demasiadas aulas teóricas e académicas, em muitos casos afastado da realidade e daquilo que é o mercado de trabalho que se avizinha.

Deste modo, os empregadores não vão olhar para este nível de ensino como uma mais valia para as suas empresas, pois os níveis de produtividade e competitividade que se pretende no mercado de trabalho serão dificilmente alcançadas, pelo que urge mudar este rumo.

O facilitismo que impera e aumenta no ensino regular é contrário a todo este sistema, o caminho é exactamente o oposto, deve-se rever os vários níveis de educação,  à semelhança do que fazem países e regiões mais desenvolvidos que a nossa, isto é, com critérios de maior exigência, de mais qualidade e principalmente virando o ensino para as necessidades do mercado. Na verdade, na economia actual, os novos activos já não têm lugar no Estado/no sector público da Região, daí que o ensino tenha que ser pensado para as empresas.

É preciso reconhecer que ao nível da formação profissional a Região evoluiu muito, muitas ilhas têm escolas profissionais e o número de formandos é considerável. Mas é preciso continuar a evoluir, não está tudo feito e há imperfeições a corrigir.

Por exemplo, é precisa mais participação de todos na definição da estratégia e das medidas necessárias para alcançar os objectivos e, para isso, têm de estar todos sentados à mesma mesa. Desconheço que governo, associações empresariais e estruturas sindicais se sentem com esta agenda, que tenham comissões de acompanhamento muito menos, pelo que é normal que, infelizmente, haja uns a falar grego e outros troiano.

Ao nível das escolas profissionais, que se expandiram e cobrem minimamente o mercado ao nível geográfico, à excepção do grupo Ocidental, o seu desempenho é avaliado ou estão à deriva quanto à classificação? Os resultados do número de alunos, cursos, nível de empregabilidade são premiados? Ou uma boa escola e uma má escola profissional têm os mesmos direitos?

Outra questão que provoca arrepios a quem trabalha em organização prende-se com a falta de sentido em gastar-se o nosso dinheiro em guerras de mercado entre as escolas profissionais e o ensino profissionalizante público.

Faz sentido haver tutela governamental distinta, isto é, as escolas profissionais terem a tutela da Direcção Regional do Trabalho, Qualificação Profissional e Defesa do Consumidor, da Secretaria Regional do Trabalho e Solidariedade Social, e o ensino dito regular público encontrar-se sob a alçada da Secretaria Regional da Educação e Formação? Será que esta situação não provoca gastos desnecessários, descoordenação e falta de objectividade?

Com tantas escolas profissionais e algumas próximas geograficamente e, por isso, de alguma forma concorrentes, será que têm uma visão única do mercado regional de formação profissional, será que promovem reuniões para acertar agulhas, será que têm um interlocutor entre eles e o governo, para que haja sintonia e eficiência, ou são elas próprias células isoladas e por conseguinte mais frágeis?

As novas obrigações do recente código de trabalho que prevêem, entre outras, a obrigação das empresas disponibilizarem formação aos seus activos e o direito destes a receberem está a ser cumprida? Obviamente que não.

Tantas interrogações deixam perceber que muito há a fazer ao nível da educação e da formação nos Açores. No próximo artigo, focalizarei este tema na ilha do Faial.

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