A TAP, a SATA Internacional, a Horta e um futuro de dúvidas

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1 A recente informação posta a circular de que a TAP não irá concorrer às obrigações de serviço público para os Aeroportos da Horta, Pico e Santa Maria vem comprovar que há ainda muitas coisas por explicar e por compreender no novo modelo de ligações aéreas entre os Açores e Lisboa, idealizado pelos governos regional e da república. E, sobretudo, há objetivos e consequências da sua implementação que estão ainda por conhecer na totalidade e por avaliar, nomeadamente o futuro das gateways dos aeroportos das rotas sujeitas ao serviço público. 

2 A concretizar-se a anunciada intenção da TAP, esta empresa, ainda pública, cessa uma relação de quase três décadas com os Faialenses, a quem serviu com qualidade. Por isso, a população desta ilha sempre nutriu especial simpatia e apreço pela TAP, o que não se coaduna, obviamente, com a presente decisão que, a concretizar-se, não só rompe com essa relação, mas também, e inexplicavelmente, não cumpre o que foi anunciado como integrando o caderno de encargos da privatização daquela empresa e que era “a proteção às rotas das regiões autónomas”.

3 Por contraposição, há no Faial, objetivamente, um claro descontentamento com o serviço que até agora vinha sendo assegurado, nas ligações com Lisboa, pela SATA Internacional. Um passado de cancelamentos, muitos deles sem o voo levantar de Lisboa, e de inexplicáveis divergências para o aeroporto de Ponta Delgada, minaram a confiança entre o utente faialense e a companhia.

Na iminência de passar para a SATA Internacional o exclusivo das ligações da Horta com Lisboa, impõe-se não só a melhoria naqueles aspetos, mas, sobretudo, exige-se que, pelo menos, sejam garantidas as frequências que se vinham a verificar nas épocas alta e baixa. A resposta da SATA Internacional a este desafio será crucial para o Faial. 

E não se espera daquela Companhia, no quadro traçado, outra resposta que não seja a de, em termos de horários, frequências e qualidade do serviço, garantir, como empresa pública regional, tutelada pelo governo regional, aqueles que são os patamares já atingidos nas ligações da Horta com Lisboa.

Por isso, serão inaceitáveis todas e quaisquer tentativas de reduzir aquelas ligações aos serviços mínimos definidos no caderno de encargos do serviço público (“três ligações semanais entre Lisboa-Horta-Lisboa entre as 08h00 e as 21h00 durante todo o ano em dias não consecutivos”), que, se fossem implementados, significariam um condenável retrocesso de décadas.

4Estamos a menos de um mês da entrada em vigor das novas regras nas ligações aéreas entre Lisboa e os Açores. E são, como se vê, ainda muitas as dúvidas e as incertezas. E, pior do que isso, é que quanto mais se vai sabendo, mais dúvidas e reservas vamos tendo sobre os efeitos para oito ilhas dos Açores deste novo modelo.  

Nesta matéria preferia não ter tido razão. Preferia que as minhas reservas, expressas na edição do Tribuna das Ilhas de 01.08.2014, não se estivessem a concretizar. Nessa altura, há mais de seis meses, quando surgiram os anúncios sobre as novas Obrigações de Serviço Público no transporte aéreo entre Lisboa e os Açores, escrevi:

“Nem sempre é fácil a quem tem responsabilidades lutar contra a primeira impressão que um assunto suscita na Opinião Pública. Foi o que aconteceu recentemente com a questão da divulgação das novas Obrigações de Serviço Público no transporte aéreo entre Lisboa e os Açores. Uns ofuscados pela redução dos preços nas ligações e outros pela miragem da liberalização nalgumas rotas, levaram a que se tivesse criado uma onda de otimismo tal que não deixou (e ainda não deixa) espaço para uma reflexão mais profunda, que vá mais além destas questões imediatas e que procure avaliar, não só as implicações destas decisões no futuro das ligações áreas entre cada uma das gateways existentes e o Continente, mas também o próprio futuro do modelo das ligações inter–ilhas e respetivos preços. E isto para já não falar das implicações no futuro do turismo nos Açores e na própria SATA, que não poderá, por exemplo, continuar a manter os mesmos preços inter-ilhas.

Por isso, (…) temos muitas dúvidas sobre aquele que vai ser o seu efetivo efeito na continuidade da maioria das gateways existentes. (…) E que implicações isso terá na manutenção da gateway da Horta? E como será depois o Aeroporto da Horta?”

02.03.2015

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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