Abastecimento ao Corvo continua a ser irregular e insuficiente em diversas áreas

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A passagem do furacão Lorenzo provocou estragos avultados em diversas ilhas e destruiu quase totalmente o porto das Lajes das Flores. A operacionalidade do mesmo ficou fortemente reduzida e condicionada.

O porto da Casa, na ilha do Corvo, ficou intacto. O mesmo foi, aliás, recentemente ampliado. A barra foi aumentada até aos 100 metros (tinha 60 metros). O que afetou o abastecimento da ilha do Corvo foi a destruição do anterior circuito logístico, que estava dependente do reembarque das mercadorias no porto das Lajes das Flores.
Nestas condições, o que tem de ser feito é criar um novo circuito logístico que abasteça a ilha do Corvo a partir da ilha do Faial. Foi isso que o Presidente do Governo Regional anunciou pouco dias depois da passagem do furacão Lorenzo e da destruição do porto das Lajes das Flores.

O que é que está então a correr mal? O Governo Regional demorou demasiado tempo a preparar a nova operação logística de abastecimento e não informou, inicialmente, os empresários da ilha e a população em geral em relação aos prazos e circuito de abastecimento montado. A ilha só foi novamente abastecida ao fim de 30 dias. Mesmo assim, só parcialmente. O que é que o Governo Regional tem de fazer
urgentemente, na nossa perspetiva:

1. Abastecer urgentemente as empresas de construção civil. As mesmas não são abastecidas há mais de 40 dias. Estão em risco de parar a sua atividade e de despedir pessoal. Têm de ser abastecidas urgentemente. Não se percebe por que razão não é
planeado o abastecimento de os chamados bens não essenciais (ou seja, tudo o que não são alimentos e combustível). Tudo tem de voltar à normalidade. O porto comercial do Corvo está intacto;

2. Permanecem as limitações ao nível do escoamento de bens não essenciais da ilha do Corvo para o exterior e do transporte de bens não essenciais para a ilha do Corvo. A economia da ilha tem de passar a funcionar regularmente. Esta situação não pode manter-se. Não é isso que sucede atualmente. Na última deslocação do navio “Lusitânia”, ocorrida no 5 dia de novembro, foi recusado o transporte de mercadorias e bens da ilha do Corvo
para o exterior.

3. Encontram-se na Terceira uma grande quantidade de mercadorias com destino à ilha do Corvo, via Flores. Ora esta rota de abastecimento não funciona. Nem sequer se consegue
abastecer convenientemente a ilha das Flores, quanto mais a ilha do Corvo a partir das Flores. É urgente que o Governo Regional transmita aos transitários que o abastecimento marítimo de mercadorias à ilha do Corvo só se pode fazer a partir do Faial.
Remeter as mercadorias pela via Terceira – Flores – Corvo implica atrasar enormemente a entrega das mercadorias. Se não funcionar a simples informação aos transitários, o Governo Regional deve tomar medidas para que os mesmos suportem os prejuízos resultantes do atraso na entrega das mercadorias e do mau estado em que as mesmas chegam. O Governo Regional deve acionar os mecanismos necessários para impedir a
utilização de uma rota de abastecimento marítimo de mercadorias inviável para a ilha do Corvo;

4. É urgente que o Governo Regional frete um navio que possa transportar as mercadorias que permanecem na ilha Terceira com destino à ilha do Corvo. Trata-se de uma solução excecional, para resolver em tempo útil a situação entretanto criada. De futuro, os
transitários devem remeter, via Faial, as mercadorias com destino à ilha do Corvo. A persistência desta situação indicia falta  de coordenação e indefinição na planificação do abastecimento marítimo às ilhas do Grupo Ocidental;

5. Tem de ser encontrada uma solução para escoar o gado (cerca de 70 cabeças) para fora da ilha enquanto as condições de navegabilidade no Grupo Ocidental não se agravam. A janela de oportunidade está a fechar-se e não se percebe a demora em solucionar esta questão;

6. Finalmente, reitera-se aqui que o navio “Lusitânia” não tem condições para assegurar o abastecimento de mercadorias nas condições de estado do mar prevalecente – a partir do final do mês de novembro e durante todo o inverno – no Grupo Ocidental.

É necessário fretar urgentemente navios com as características adequadas para realizar o abastecimento marítimo de mercadorias às ilhas do Grupo Ocidental, tendo em conta os
condicionalismos prevalecentes nas instalações portuárias comerciais das ilhas do Corvo e das Flores.

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