Abril que não vivi mas sinto

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DR/TI
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Não nasci antes de revolução, não a vivi, mas está-me no sangue. É uma herança que não pedi, mas que me foi gentilmente concedida. Está no sangue de todos nós mesmo que adormecida. Todos temos anseios, lutas por concretizar e se há oportunidade de alcançá-las isso é porque temos abril.

Agora podemos, unidos podemos.
O 25 de abril devolveu a esta gente, aos nossos irmãos de pátria, a possibilidade de ser. Por si. Pela sua cabeça. Pela sua voz. Cabe-nos não deixar que nos volte a escapar por entre as mãos. A Revolução dos Cravos eleva-me o espírito e faz-me acreditar. Sentir que é possível renascer. Deram-nos esta sorte.
À medida que os anos passam e a memória coletiva do 25 de abril se esbate o fantasma da extrema-direita volta a materializar-se aos poucos. Em tão pouco tempo esta experiência democrática desvirtuou em muito o seu cerne e afastou os cidadãos de si. A corrupção, os manipuladores natos, classes políticas sem brio, cidadãos sem sentido de Estado, associando-se à fragilidade dos laços humanos de hoje levam a que se esteja a viver uma aceitação gentil de ideologias que não nos querem bem. Vem disfarçados de cordeiros, mas todos sabemos que de mansos têm pouco. E a nós este peixe podre não serve, só serve aos parasitas.
Passados 47 anos seria de esperar que se tivesse cumprido Portugal, a Constituição filha de abril e que os anseios dos portugueses estivessem perto de ser cumpridos. Assim não é. Se é verdade que o caminho se faz caminhando não é menos verdade que este vai por atalhos.
Todos temos o dever cívico de lutar, mesmo que silenciosamente, por uma sociedade cada vez mais justa, em todas as esferas. Todos nós devemos nos informar, nos esclarecer e esclarecer os que apenas deixaram de querer saber porque “são todos iguais”. Temos de combater esta visão, discutir e exigir mais daqueles que estão no poder.
Mas então o povo unido jamais será vencido, não é? Ou já nos esquecemos?
Foi para esta falta de preocupação, desligamento social e marasmo cultural que se fez o 25 de abril?
Enquanto sobrinho, ou neto, da Revolução dos Cravos sou grato e lutarei enquanto as minhas forças me permitirem por um país capaz de se unir, de crescer, de florescer. Um país que não negue nem ignore as suas raízes, um país onde as pessoas queiram fazer por si e pelos outros.
Estejam vigilantes, o que aí vem não será em nada mais fácil que aquilo que vivemos agora. Enquanto celebramos esta data continua à solta um vírus maldito que vem por em causa vidas mas também formas de vida. O período que se adivinha requer de nós proatividade, interesse e garra.
Não deixemos que se criem condições de surgimento em Portugal de um Estado Novo 2.0..

25 de Abril sempre! Fascismo nunca mais!

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