Acessibilidades – CCIH participa em encontros com os Conselhos de Administração da SATA e da TAP

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Nos últimos anos muito se tem falado nas acessibilidades à ilha do Faial, mais concretamente dos transportes aéreos e do serviço que a SATA tem prestado a esta ilha do Triângulo.
Este tema tem aliás sido a causa de várias manifestações em frente ao parlamento açoriano por parte de populares e empresários.
A sustentabilidade da SATA, a sua privatização e a garantia de um serviço público de transportes aéreos nos Açores é outro dos assuntos que tem estado na ordem do dia e tem preocupado os açorianos.
A nomeação de um novo Conselho de Administração (CA) para a Transportadora Aérea Regional, no passado mês de agosto, trouxe uma nova esperança aos faialenses e aos açorianos.
Tribuna das Ilhas teve conhecimento que na passada semana a Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH) se deslocou a São Miguel para reunir com o CA da SATA e participar num almoço organizado pela TAP.
No sentido de saber que assuntos foram tratados nesses encontros conversou com Davide Marcos, que avançou à nossa reportagem que “dado o pouco de tempo de gestão” do novo CA da SATA, não conseguiu obter muitas respostas, salientando, no entanto, que encontrou um presidente “mais determinado” e consciente do momento que o grupo vive atualmente.
Relativamente ao almoço com a TAP, o presidente da CCIH adiantou que tanto o CEO da empresa, como o Diretor Comercial comunicaram que “neste momento a TAP está num processo de estabilização e de renovação de frota e de tripulações” pelo que ainda é prematuro falar da possibilidade da TAP voltar a voar para o Faial.

 

Tribuna das Ilhas – A CCIH reuniu no final da semana passada com o Conselho de Administração da SATA. Que assuntos foram abordados nesse encontro?
Davide Marcos – Sim, de facto reunimos a semana passada com o CA da SATA, tal como já tínhamos feito em fevereiro deste ano, com o anterior presidente da empresa. Quer da primeira vez quer desta vez os assuntos abordados não variaram muito. A diferença entre as duas reuniões é que desta vez encontramos um presidente mais determinado.
Apesar deste CA ter apenas seis semanas de gestão do grupo SATA, verificámos com agrado que tem perfeita consciência do momento atual do grupo e da sua parte foi-nos transmitido por diversas vezes que não haverá descriminação entre as ilhas e como tal de Santa Maria ao Corvo todas ilhas são importantes em nome da coesão regional e dos objetivos que foram definidos pelo acionista da empresa.
Em relação às ilhas que a CCIH, representa, nomeadamente o Faial, falamos do que tínhamos que falar, nomeadamente, dos sucessivos cancelamentos para Ilha, ausência da operação noturna no aeroporto da Horta, as deficientes justificações para os voos desviados para o Pico e vice-versa, o problema das tarifas, horários do verão IATA 2019, o transporte da carga, no fundo abordamos a má qualidade dos serviços da SATA, principalmente nestes dois últimos dois anos em especial para Horta, mas com consequências diretas e indiretas também nas ilhas das Flores e Corvo e na vida dos empresários e das famílias destas ilhas. Transmitimos que, para a CCIH, ninguém está contra a SATA, mas também ninguém está satisfeito com a qualidade dos serviços da mesma. O Faial e a CCIH exige que os empresários do turismo e todos os outros sejam devidamente respeitados, mas sabendo que o Presidente já registou que a única ilha que até ao momento se queixou foi o Faial- não pode ser isso que nos deve demover de indagar a SATA sempre que os serviços da mesma não correspondam aos anseios das ilhas que representamos, sobretudo neste regime de obrigação de serviço público e porque, também no caso do Faial e Pico, não existe alternativa nas ligações diretas com o exterior, uma vez que estamos dependentes da SATA.
Apesar de tudo isto, e como enquadramento para o início da nossa conversa, referimos também mais que uma vez que defendemos a SATA sem qualquer hesitação e fazemos votos para que a empresa consiga sobreviver e a CCIH está disponível para cooperar com a mesma e não para competir ou criar problemas.
De tudo o que conversámos, dado o pouco de tempo de gestão deste CA, não nos foram dadas muitas respostas, tendo sido apenas garantido que durante este mês de outubro a SATA lançará a programação do verão IATA 2019 – esperemos que a mesma seja benéfica para as ilhas que representamos.

TI – Surgiu na comunicação social a pretensa intenção do CA da transportadora aérea regional de criar um HUB na ilha de São Miguel, e que a partir dali os passageiros eram transportados para as restantes ilhas em aviões mais pequenos. Este tema foi conversado? O que nos pode dizer acerca disso?
DM – Este presidente que conheço bem do meu tempo da universidade, ao contrário do anterior mostrou vigor e vontade de alterar as coisas e uma vez que está lá apenas seis semanas, e apesar de ser um gestor inexperiente neste sector de atividade, tem para já um ponto positivo a seu favor- convidou outras duas pessoas para colaborar com ele no CA que parecem ter reconhecidamente competências nesta área.
Quanto a este tema, não se falou desta possibilidade e como tal penso que esta situação não se irá colocar para já. A TAP como se sabe só voará para os Açores e com objetivo de chegar apenas aos Estados Unidos, a partir dos Açores. A empresa que poderá adquirir o capital da SATA, no processo da privatização, ainda não se decidiu e caso se converta em acionista poderá dispor de mais aviões, por isso não sei até que ponto isto poderia acontecer. De resto estas ligações já acontecem normalmente com o cumprimento das Obrigações de Serviço Público da SATA Air Açores. De qualquer forma, se este Hub nascesse com esta configuração, eliminando as nossas ligações diretas para Lisboa, seria andar para trás, coisa que pelo menos a CCIH nunca aceitaria. Portanto para concluir esta resposta, não falamos e espero que nunca se fale no assunto, pois é estarmos a admitir esta possibilidade. As duas ilhas do triângulo (FAIAL e PICO) devem continuar a ter ligações diretas com LISBOA e não vale a pena pensar noutra coisa e até vou mais longe na questão da ampliação da pista do aeroporto da Horta – que agora todos referem estar muito bem encaminhada – como tenho ouvido, por diversas vezes e em certos circuitos, não deve ficar esquecida e o tema deve ser resolvido em pouco tempo, porque, caso contrário, será mais do mesmo e isto já cansa…
Repare-se que as últimas estatísticas da atividade turística no caso, as dormidas reportadas a JUL de 2017 revelam todo o peso que ilhas representadas pelas CCIH têm no seio dos Açores e sustentam de alguma forma que o aeroporto da Horta continua ser central e determinante em tudo isto.
De janeiro a julho, as únicas ilhas que representaram variações homólogas positivas foram Corvo e Pico, respetivamente com 18,4% e 6%. Na variação homologa de JUL 2017 para JUL 2018, o Faial juntamente com o Corvo foram as únicas ilhas que também cresceram, respetivamente 0.5% e 9.5%. No caso das dormidas em termos de estada média entre JUL 2017 e JUL de 2018, a única ilha que teve um crescimento positivo foi o Faial com 9.2%. Todas as outras apresentaram variações negativas, inclusive S. Miguel e a Terceira, que, como se sabe, estão no regime de espaço aéreo liberalizado e ambas são operadas por três companhias de aviação e tiveram pior desempenho.
Para não falar que em 2015, em termos de PIB regional, com exceção do Corvo, 59%, o Faial foi a ilha que cresceu mais nos Açores, 8,8%, e acima da média regional de crescimento que se situou em 3% em termos reais e o mesmo aconteceu quando se analisa o período quinquenal de 2011 a 2015, ainda que o Faial tenha crescido à taxa mais reduzida do que as outras 4 ilhas que cresceram também nos Açores 8,9%.
Esta convergência do Faial para o crescimento económico regional se se mantiver para os anos seguintes, pode ser um bom indicador de que havendo melhorias na qualidade do transporte aéreo, a ilha ainda pode melhorar mais estes indicadores.

TI – Que garantias deixou o Presidente da SATA em relação às acessibilidades aéreas à ilha do Faial, nomeadamente no que se refere ao número de ligações inter-ilhas e ao continente, bem como ao transporte de carga?
DM – Tal como já referi anteriormente, o presidente do CA da SATA apresentou-se muito determinado e falou muito connosco mas, na verdade, o período curto do seu mandato não lhe permite para já ter muitas respostas para as situações.
Da nossa parte esperamos que venham boas notícias e portanto a seu tempo verificaremos se estas operações e horários servem os interesses das ilhas que a CCIH representa.

TI – Sabe-se que também esteve reunido com elementos da administração da TAP. O que foi conversado? Nesta reunião, houve ou não alguma manifestação de interesse da TAP em voltar a voar para o Faial?
DM – Infelizmente, não estivemos reunidos com a TAP como gostaríamos, apenas estivemos, como convidados, num almoço que foi muito rápido, onde foi anunciado o que já é público de que a TAP teria interesse em ter operações dos Açores para os EUA, daqui por dois ou três anos.
De qualquer forma, do pouco tempo disponível que tivemos com as pessoas, abordamos quer o CEO da empresa, quer o Diretor Comercial e ambos nos comunicaram que neste momento a TAP esta num processo de estabilização e de renovação de frota e de tripulações e, como tal, mais para frente falaríamos. O Diretor Comercial avançou que inclusive já tinha falado no caso da Horta, internamente, mas nada está decidido. Portanto para nós, CCIH, isto vale o que vale, mas entendemos que apesar de tudo foi importante marcarmos presença neste almoço/briefing oferecido pela TAP. Julgamos que teria sido pior se não nos tivessem convidado. Só nos resta aguardar …

TI – Passando para o plano interno da Instituição a que preside. Como é que se encontra em termos financeiros a Câmara do Comércio?
DM – Bem, os problemas financeiros da CCH são públicos e são muito preocupantes.
Esta direção tomou posse numa situação anormal. A direção anterior tinha-se demitido por estar exatamente a sentir muitas dificuldades em dar um rumo direção à Instituição e teve as suas razões para tal. Eu e a minha direção muito cedo definimos como estratégia que uma das prioridades da CCIH será solver todos os seus compromissos com todos os credores, ainda que tenhamos definido, que neste primeiro ano de mandato seria muito difícil de cumprir com estes objetivos, porque para além de criarmos as condições internas de organização da instituição e criar uma estrutura de trabalho de RH, dificilmente conseguiríamos obter as receitas necessárias para cumprir e honrar os compromissos. Assim, seguimos uma linha de orientação em que iriamos recuperar alguns fundos institucionais do passado que pareciam perdidos, sendo este um trabalho que está a ser feito e em alguns casos com sucesso para, digamos, mitigar um pouco a doença da CCIH. A nossa expectativa é que no 2º e 3º ano do mandato já seja possível fazermos parcialmente este saneamento contabilístico e financeiro da Instituição, ainda que o passivo não seja recuperável a 100% neste mandato.

TI – Que projetos ou ações tem esta direção dirigidas aos associados e ao público em geral?
DM – A CCIH vive hoje uma situação em que todos nós empresários associados temos responsabilidades, onde eu também me incluo. Nem vale a pena pensarmos como já ouvi por diversas vezes que os governos é que tiveram culpa disto – refuto isto totalmente. Digo isto porque, desde há muitos anos, nunca houve preocupação de colocar a CCIH numa situação de independência financeira dos organismos e instituições com quem se relaciona, bem pelo contrário, confundiu-se cooperação com dependência financeira. Veja-se o exemplo da CCAH e da CCIPDL, continuam a cooperar com todos, mas não têm nenhuma dependência financeira de ninguém, ou se têm é muito reduzida, e faz isto toda a diferença. Portanto para nós, a CCIH devia ser totalmente independente dos fundos públicos, deveria ter uma agenda própria que lhe permitisse potenciar ou influenciar inclusive as políticas económicas das várias ilhas, quer junto do poder regional, quer mesmo junto do poder local e isto só será possível de fazer com alguma credibilidade que neste momento não existe ou é muito ténue, dado o estado de degradação a que a instituição chegou. Quanto à aproximação que devia ser contínua a todos os associados, ainda não a conseguimos fazer, ainda que já tenhamos feito algumas pequenas ações, mas tudo muito longe do que se pode e deve fazer no futuro. Neste momento, até se perderam os núcleos empresariais do Pico e das Flores devido ao distanciamento que os empresários das referidas ilhas sentiram, sendo que muitos deles não se reveem na CCIH para defender os seus interesses. Se conseguirmos atingir alguma estabilidade financeira nestes 2º e 3º anos, deste mandato, tentaremos ultrapassar também estas situações, sabendo que tanto numa como noutra será muito complicado, porque passaram-se muitos anos sem criar-se dinâmicas com estas ilhas.

TI – Recentemente, um membro da direção da Câmara do Comércio e Industria dos Açores (CCIA) veio a público dizer que os Açores necessitam de um resgate financeiro. Que comentários tem a fazer em relação a este assunto?
DM – A CCIH, sendo associada da CCIA, tem perfeito conhecimento do que se passa na mesma. Em relação a este tema, a posição da CCIH assumida no seio da CCIA era de que de facto se os empresários estavam a manifestar-se de que existiriam muitos pagamentos em atraso à economia, independentemente da intensidade que isto acontecesse por cada ilha, deveríamos tomar uma posição pública e denunciar esta situação com o objetivo de melhorarmos a vida dos nossos empresários. O meu colega, ao referir-se ao resgate, quis apenas acentuar de facto que a Região Autónoma dos Açores (RAA) tem insuficiência de liquidez e, por isso, é que atrasa pagamentos aos empresários. Eu inclusive tive o cuidado de referir-lhe que, quando se fala de resgate, deveríamos ser cuidadosos, pois esta palavra tem uma conotação negativa o que podia criar alguma perda de confiança na economia dos Açores, uma vez que apesar de haver muita coisa por resolver é inegável que a mesma atravessa neste momento um bom ciclo de crescimento económico e falar-se de resgate associamos sempre à Troika e ao período conturbado que Portugal atravessou em que fomos intervencionados. A Troika emprestou dinheiro por tranches, obrigou-nos a fazer reformas muito concretas etc. etc. Um país intervencionado perde a sua soberania na tomada de decisões políticas e não foi isso que se pretendeu comunicar, até porque resgate não é a única opção que tem um governo com problemas financeiros. No caso da RAA, não se pode negar que, em algumas situações, existe dívida pública que deverá ser reestruturada o quanto o antes, assunto que também falámos no seio da CCIA. 

 

Presidente da Câmara defende reforço das ligações aéreas com o Faial

Também o Presidente da Câmara Municipal da Horta foi recebido pelo CA da transportadora aérea açoriana, SATA.
No encontro, José Leonardo Silva defendeu uma maior consistência nas ligações aéreas de e para a ilha do Faial, tendo em conta que “tem sido claramente penalizador para a ilha e para a Região, os constantes cancelamentos e constrangimentos causados pela falta de resposta da SATA, na operação de Verão”.
Apesar de ainda não estar concluída a operação da SATA no Verão IATA, o Presidente da Câmara alertou “para a necessidade de ser já preparado o próximo Verão, para que não se repitam os constrangimentos detetados e haja uma melhor divulgação e promoção da rota do Faial em próximas operações”, lê-se numa nota da CMH enviada às redações.
Para José Leonardo Silva, é essencial para o desenvolvimento da ilha e para o crescimento do turismo, “que a rota da Horta seja melhor explorada e que tenha mais voos e ligações aéreas”.
Relativamente à operação de Inverno que se avizinha, o autarca chamou a atenção para a “necessidade de existir uma programação atempada e ajustada às necessidades, com horários que permitam promover as ligações entre ilhas e para o Continente sem implicar estadias ou escalas penalizadoras”, refere.
O edil faialense marcou igualmente presença, num encontro promovido pela transportadora aérea TAP, no qual participaram também, outros autarcas açorianos, empresários, membros do governo e administradores da transportadora aérea nacional.
Nesse encontro José Leonardo Silva, teve a oportunidade de relevar novamente a importância que esta companhia aérea teve para o Faial e para os faialenses, ao longo de três décadas, e insistiu para que a mesma analise a possibilidade de explorar novamente esta rota.

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