DrOP Dead

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O que me leva a titular esta coluna com um título como este, é o perigo real do DOP “desaparecer”. Coloco entre aspas, apenas porque é possível que a entidade em si não desapareça, mas a sua importância, relevância e a sua produção cientifica, essas sim, prosseguindo o rumo actual, estão em vias de extinção.
Rebobinando um pouco o filme, a realidade do corpo científico do DOP já não sofre alterações há 25 anos, altura da última contratação para os seus quadros. As alterações que se têm verificado, são efectivamente saídas, e as que se antevêem também o são, umas por actividade política outras por aposentação.
Por outro lado, o que tem mantido viva esta entidade tem sido a investigação a si associada por via do IMAR. Esta sim gozou sempre de muita actividade, dinâmica e “sangue novo”. O problema é que este sangue novo foi e continua a ser precário.
Para reverter esta situação, e mais vale tarde que nunca, foram criados três mecanismos para que os investigadores deixassem de continuar a ser, por assim dizer, alunos (que não são) e fizessem parte dos quadros das instituições de acolhimento onde desenvolvem trabalho.
Nos últimos dois anos apareceram então três mecanismos:
– Estímulo ao Emprego Científico Individual (concorrem investigadores freelancer já associados a uma instituição de acolhimento do sistema científico nacional);
– Estimulo ao Emprego Científico Institucional (concorrem instituições como o DOP que têm múltiplos investigadores associados – para contratação de cerca de 500 investigadores);
– O Decreto-Lei 57/2016, para a contratação de Investigadores (concorrem instituições com investigadores bolseiros há mais de 3 anos a fazer investigação, associados a uma instituição e com bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) – mais de 2000 investigadores elegíveis).
Todos estes programas são financiados pela FCT, ou por via desta. A custo ZERO para a Universidade de acolhimento. Todos estes programas fecharam. Quanto aos dois programas de estimulo a Universidade dos Açores (UAc) não concorreu a nenhum. No âmbito do Dec-Lei, a UAc publicou 5 editais (para investigadores na Terceira e em São Miguel) e ZERO editais para investigadores do DOP no Faial.
Se por um lado o discurso político assume claramente o sector do mar e da economia azul como um dos eixos prioritários para o desenvolvimento da região, por outro lado a UAc desinveste na investigação em ciências do mar. É verdade que o discurso político não é o da Universidade, mas também é verdade que a matéria prima e o produto das universidades é a investigação e a ciência. A realidade geográfica da UAc obrigava a que de forma alguma se pudesse descurar o manancial e potencial de investigação da maior porção de território que possuímos.
A pergunta impõe-se, porque não quis a UAc contratar investigadores a CUSTO ZERO?
O problema reside, portanto, no Reitor da UAc. Por um lado, desconfia que a FCT não pagará estas contratações (desconfiança aplicável apenas aos investigadores na Horta), por outro não considera o IMAR como um Centro de Investigação Associado. O que é estranho é que a UAc é sócia fundadora do IMAR, o seu presidente é indicado pelos sócios, e neste caso, pela Universidade. São parceiros há mais de 20 anos.
Para piorar, o presidente do IMAR está demissionário, o que implica uma de duas situações: ou na próxima assembleia geral aparece uma nova administração, ou então terá que ser criada uma administração liquidatária.
O problema deste cenário, é que o Centro de Investigação OKEANOS, que viria a “absorver” o IMAR ainda não têm autonomia financeira e administrativa. O que quer dizer que a investigação no Faial, em termos de solidez de entidades de acolhimento, baterá no fundo.
A maioria dos Faialenses não conhece os meandros da organização e da investigação científica no Faial, mas toda a gente sabe que o DOP existe, e tem orgulho nisso. Causas como a ampliação da pista do aeroporto são eventualmente mais populares, mas não nos podemos esquecer que melhor ou pior continuam a chegar pessoas ao Faial, e o principal problema neste momento é fixar pessoas. A instituição com maior potencial de criação de emprego qualificado é efectivamente o DOP e os centros de investigação associados. Se calhar, enquanto comunidade, deveríamos começar a pensar em nos solidarizar de forma mais activa e visível com o Pólo da Horta e com as pessoas que cá trabalham. É urgente vir para a rua dizer ao Sr. Reitor da UAc que estamos contra as suas políticas de esvaziamento do DOP no Faial e que não queremos que ele o deixe cair morto.

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