
Os 105 anos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Faial (AHBVF) foram celebradosno passado fim de semana. Juntos, Direção e corporação continuam a missão iniciada a 16 de maio de 1912.
Em entrevista o presidente “honrado”, por se encontrar à frente desta instituição centenária, revelou ao Tribuna das Ilhas, quais as dificuldades com a Associação se depara e fala dos projetos que tem para o futuro e até ao fim do seu mandato que termina em dezembro deste ano.
Tribuna das Ilhas – A AHBVF comemorou a 16 de maio, 105 anos de existência. Como se sente em relação ao facto de estar à frente de uma Instituição centenária?
José Braia – Esta é uma instituição com 105 anos que transporta na sua história tudo aquilo que foram os bombeiros neste Concelho e nesta Ilha. É nestes dias, que devemos dar destaque aos nossos operacionais e aos nossos bombeiros, dando também muita importância aos infantes e cadetes e à nossa fanfarra.
Tudo isto faz um conjunto de pessoas de mulheres e de homens que trabalham para o bem comum desta ilha e deste concelho e portanto é com muita honra que se representa e que se conduz os destinos de uma casa como esta.
TI – Esta Instituição tem uma Escola de Infantes e Cadetes, e a Fanfarra. Acha que são eles o futuro dos Bombeiros Voluntários do Faial?
JB – A escola de infantes e cadetes não existe com o propósito de daí nascerem bombeiros. O próprio suporte legal que as escolas de infantes e cadetes tem no âmbito das Associações Humanitárias pede-nos que tenhamos um trabalho sobretudo no âmbito da cidadania ativa. É natural que ao abrirmos uma escola, alguns dos infantes e cadetes no fim do seu percurso, que termina aos 18 anos demonstrem vontade em ingressar no quadro ativo da associação.
Os nossos infantes e cadetes não são bombeiros em ponto pequenino, mas são pessoas que bebendo do espírito de ser voluntário em primeiro lugar e no espírito de ser bombeiro voluntário em segundo lugar.
TI – Há alguns anos que é reclamado um novo quartel dos Bombeiros. Todavia, tal nunca passou do papel à prática. Quer fazer-nos o ponto de situação desta obra?
JB – Há mais de uma dezena de anos que se vem reivindicando a necessidade de um novo quartel, não por questões meramente de posse de património, mas sim por questões de logística, operacionais e relacionadas com a proteção dos bens e das pessoas desta ilha. Vejamos por exemplo a dificuldade que pode emergir do facto de uma catástrofe ou uma inundação em grande escala evitar que viaturas saiam do quartel uma vez que estamos na zona baixa da cidade da Horta. Hoje em dia, isso já não é aceitável, por isso os quarteis que são construídos neste país, e em todo o mundo, são fora das zonas urbanas de forma a garantir uma maior operacionalidade.
Em 2015 o Governo Regional inscreveu no seu Plano e Orçamento o novo quartel da AHBVF.
A elaboração do projeto do quartel está concluída. Estamos na conclusão da especialidade, de água, gás e tudo aquilo que tem a ver com sistemas internos. O terreno já existe, resultado de um processo permuta do rés do chão deste edifício com a CMH que será finalizado nas próximas semanas e por essa via tomaremos posse do terreno na Zona Industrial de Santa Bárbara, a sul do novo Matadouro onde será construído o quartel. Este processo está em fase muito avançada e será um projeto que rondará os dois milhões e seiscentos mil euros.
TI – Tem alguma estimativa para quando está previsto o lançamento do concurso público?
JB – Queríamos que fosse no primeiro semestre deste ano mas depende do Governo Regional. O que temos é que a parte de arquitetura do projeto pronta e a parte de especialização está em fase final portanto contamos que durante o mês de maio/junho haja a indicação do Governo para lançar o concurso público que vai decorrer durante 90 dias, com as reclamações, contamos lançar a primeira pedra ainda este ano.
TI – A maioria das 17 Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários dos Açores debate-se com muitas contingências financeiras. É essa a situação desta Associação? No seu entender, como deve ser resolvido o problema do financiamento dessas Instituições?
JB – Podíamos falar das quase 500 associações que o país tem, mas se nos concentramos nas 17 que a Região tem, nenhuma tem financiamento próprio que advenha de alguma atividade empresarial. No continente já temos algumas associações que constituíram empresas. Aqui as associações vão caminhar para terem uma componente cooperativa, associativa como esta que nós temos e mais ano menos ano nós vamos ter de olhar para a vertente comercial e dar-lhe outro enfoque empresarial.
Ora desde da cooperação de Ponta Delgada à Cooperação do Corvo, as lutas e as dificuldades são as mesmas, divergindo apenas da dimensão. Somos uma associação de utilidade pública sem fim lucrativos e portanto não temos fonte de rendimento que não seja aquela que advém do nosso esforço. No caso da Horta, temos dois ou três contratos que são essenciais, com a Proteção Civil, com a ANA, para o financiamento desta casa e cujo grosso é completamente absorvido pelas despesas da própria instituição. A ginástica é diária e mensal.
Ao longo dos mais de 100 anos em que existem bombeiros em Portugal, que população e o estado olham para os bombeiros como um parceiro essencial, mas como se só dependesse dos bombeiros o socorro das população. Isso não é verdade. Há componentes que são prestadas pelos bombeiros que são obrigação do Estado e para as quais por vezes o seu financiamento não está garantido. Há certa de três anos atrás a Assembleia da República e o Governo da Republica aprovaram uma lei que garante o financiamento das associações a nível continental, em que cada associação é financiada em função da população que tem, da área que abrange, etc.. mas o Governo Regional dos Açores não adoptou essa lei. Então estas 17 cooperações precisam que o Governo dos Açores equacione também o financiamento daquela componente que nós prestamos e devia ser obrigação do Estado.
No Faial temos algumas viaturas já com mais de 20 anos de utilização e lá vamos consertando aqui, remendando ali, para garantir que a população não fique privada desses bens, mas o Estado Regional e as autarquias deveriam começar a prestar um pouco mais de atenção, sobretudo compreenderem a vivência destas preocupações.
TI – A associação também se faz um pouco pelos sócios, respeitante a isso a associação tem muitos poucos sócios?
JB – Vamos a caminho dos 1300 sócios, sendo que só este ano, tivemos um crescimento exponencial muito bom. Só em 2017 já vamos a caminho de 50 novos sócios, fruto de conjunto de iniciativas que temos tomado. Este conjunto de sócios efetivos pagantes colabora com a sua cota para esta casa em valores que andam próximos dos 15 mil euros por ano. Para uma associação com esta dimensão esse valor é muito pouco, uma vez que nós cobramos 1 euro por mês.
O valor das quotas é complementado com doações que de bom grado aceitamos e agradecemos e que servem um pouco para combater alguma dificuldades que a casa tem. Este discurso todo pode parecer um pouco miserabilista e é próprio das associações, mas esta é uma casa que tem sustentabilidade financeira, não temos dívidas, temos pouco dinheiro de parte mas temos e pagamos os nossos fornecedores alguns a 30 outros a 60 dias. Temos a mesma atitude para com os nossos clientes, a situação é de estabilidade financeira e esse tem sido sempre o ponto principal da minha direção desde que tomei posse em finais de 2014.
TI – Encontra-se em curso um procedimento para a aquisição de uma ambulância de transporte. O que é que a associação está a fazer para angariar o montante para essa aquisição?
JB – Já temos esse montante. A componente da associação necessária já foi ultrapassada à uns meses. Temos uma conta no banco que abrimos de propósito para este fim.
Concorremos ao PRORURAL porque as associações podem concorrer para esse eixo em concreto, a candidatura foi aprovada mas devido ao número muito elevado de candidaturas e de um financiamento exíguo para o número de candidaturas a nossa candidatura bem como a das Velas, não foram viabilizadas. A lei diz, nós temos a oportunidade de nos candidatarmos ao quadro seguinte e voltámos a fazer e manter a candidatura para 2017.
Estamos prontos para fazer a aquisição da viatura, logo que haja financiamento por parte do PRORURAL. Da nossa parte conseguimos em um ano e mais uns meses, através da angariação de fundos e de donativos, mais de 21 mil e 400 euros, o que cobre em muito a nossa parte.
TI – Considera necessário renovar o parque auto da Associação? Tens os apoios necessários para conseguir essa renovação?
Os apoios não existem. As associações podem concorrer aos fundos comunitários e fundos estruturais para viaturas de transporte mas não podem concorrer para viaturas de combate a incêndio nem para ambulâncias. Só conseguimos ter essas viaturas via SRPCBA, que depois faz a distribuição conforme entende em função das urgências ou prioridades estabelecidas. Há dois anos a esta parte que está inscrita uma nova viatura de ambulância de primeira linha de socorro para a Horta. Não foi possível no concurso anterior, está novamente no concurso lançado agora, vamos ver se ate ao final do ano há uma boa novidade. Quanto ao resto as verbas são muito exíguas por parte do Serviço Regional e não conseguem de facto apoiar as associações conforme elas precisam. Temos uma viatura pesada contra incêndio que precisa de um arranjo superior a 70 mil euros no continente. É impossível conseguir essa verba, portanto essa é a maior preocupação de todas as cooperações dos Açores que se deparam com um parque automóvel bastante antigo, com viaturas com mais de vinte anos que têm uma utilização diária tremenda. Esta situação poderia facilmente ser ultrapassada com uma alteração legislativa de quem pode concorrer aos fundos comunitários, fazendo com que na Região acontecesse o mesmo que acontece no Continente em que são as próprias associações a concorrer aos fundos para esses veículos com o apoio da CMH e de outras entidades.
Há de facto uma necessidade de renovar a frota automóvel, mas não é por falta da renovação que a associação deixa de prestar o apoio. Esta associação tem os veículos que necessita para o contra incêndio. A Horta tem 100% de operacionalidade, fazemo-lo com os meios que temos.
TI – É importante um reforço de investimentos na operacionalidade do Corpo de Bombeiros? Em que áreas?
JB – Sim, sobretudo na componente mais operacional do Corpo de Bombeiros. Tirando as viaturas, há todo um conjunto de novos equipamentos que estão disponíveis no mercado mas que nós muitas vezes usamos alguns que tínhamos e que ao longo dos anos fomos adquirindo mas que hoje já estão ultrapassados.
Para nós é importantíssimo equipar e reequipar as nossas equipas especializadas, a equipa de grande ângulo que tem uma importância tremenda uma vez que são eles que fazem o desencarceramento, a busca e salvamento em superfícies mais difíceis, como escarpas, assim como a recuperação quer de pessoas vivas quer de cadáveres. Neste caso existem equipamentos de grande angulo que são muito caros e muitos deles usamos uma vez.
Também criámos duas equipas novas, a equipa de salvamento aquático em que há dois dias atrás conseguimos legalizar a embarcação. Um semi rígido maior que nos foi cedido pela marinha e que está neste momento pronto e operacional e que vai servir para duas questões essenciais: o salvamento em terra, por exemplo na bacia leiteira e em complemento à Marinha em meio marinho atlântico. A equipa cinotécnica de busca e salvamento que foi criada em 2016 e que agora dá os primeiros passos. Neste momento temos apenas um binómio homem/cão, nesta fase de arranque estamos a tactear o terrenos, a aprender e a perceber como se desenvolve, mas que decorre de uma necessidade as ilhas têm, sobretudo o Triângulo, onde muitas vezes há pessoas que se perdem quer no Faial quer no Pico na subida à montanha.
A soma do apoio a todas estas equipas especializadas, que se complementa com o apoio duro e frio ao corpo de bombeiros é uma realidade e uma necessidade.
TI – A AHBVF mantém um protocolo com o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores para o Serviço de Transporte Urgente de Doentes. Quer explicar-nos do que se trata? E o Serviço de Transporte de Doentes Não Urgentes?
JB – São duas componentes essenciais que todas as associações da Região têm. Relativamente ao primeiro, há um protocolo com o SRPCBA ao qual estão afetos 12 homens e as ambulâncias de primeira linha e de socorro que têm a finalidade acudir sempre que um cidadão deste país, seja açoriano ou não, accione o 112. Já o transporte não urgente de doentes, existe em função de uma resolução do Governo que foi criada em 2014 e que “pede” às Associações e não só, que assumam essa contratualização diretamente com as unidades de saúde. No caso da Horta temos contrato protocolar com o Hospital da Horta, com a Unidade de Saúde da Ilha do Faial e acordos de colaboração com as restantes unidades de saúde mais próximas as três do Pico, a das Flores e Corvo. Cobrimos as evacuações aéreas, o transporte aéreo de e para o aeroporto e o transporte de doentes não urgente também como serviço prestado às entidades que já referi ou a particulares como tem acontecido muito ultimamente.
TI – A AHBVF tem uma relação estreita com diversos parceiros, sobretudo da sua área de intervenção. Quer fala-nos acerca desta colaboração?
JB – Podemos colocar isto em dois patamares: a colaboração com entidades semelhantes à nossa, ou seja, todas as unidades que pertencem ao universo do voluntariado às associações de outro nível como as de caráter desportivo, cultural etc. Há aqui uma colaboração muito estreita entre todo este mundo associativo e do voluntariado aque nós pertencemos. Tenho por hábito dizer que pertencemos ao terceiro setor do estado. Estamos em pé de igualdade com as misericórdias e com as demais. Portanto há aqui uma proximidade com estas instituições e de colaboração muito grande sempre que nos é pedido.
Contudo, também a colaboração com as autarquias, estado, entidades periféricas do estado, como as empresas municipais ou as empresas do setor empresarial do estado são de extrema importância. Essa é uma obrigação que temos e da qual não enjeitamos essa obrigação.
TI- A AHBVF está presente no aeroporto através da prevenção de acidentes e incidentes e salvamento e luta contra incêndios. Esta intervenção neste espaço sensível é o resultado de quê?
JB -Isto resulta de um protocolo que foi celebrado em 2008 com a ANA agora VINCI e o qual será revisto em 2018. Já iniciamos o processo de revisão e de negociação com a ANA, temos conversado com algum cuidado para perceber o que a ANA pretende de futuro. Nós temos neste momento no aeroporto nove postos de trabalho fixos, efetivos, diários a essa função que presta no aeroporto 17 certificados. Brevemente iniciar-se-á um novo curso de bombeiros em que vamos formar cinco novos postos de trabalho, isto para vermos reforçados os postos de trabalho de forma a responder ainda mais aquilo que o contrato que temos com a ANA pede. Temos esperanças que o contrato seja renovado uma vez que ele é essencial para esta casa pois representa um pouco mais que 42% das receitas anuais.
TI – Esta Associação criou uma página oficial – www.ahbvf.pt – o que pretende alcançar com esta presença no mundo digital?
JB -A pagina oficial da associação pretende aproximar a associação do cidadão comum e vice versa. Fazer com que o cidadão comum tenham um canal aberto da associação que permite diariamente e por vezes hora a hora ter conhecimento não só dos boletins do serviço de proteção civil em relação às condições atmosféricas ou outras mas com informações muito prementes que a associação quer transportar para o exterior. A necessidade que o cidadão tem de saber alguma coisa dos bombeiros era muito grande por isso quando lançamos a página era no sentido de perceber se o cidadão podia de alguma forma inter agir connosco de uma forma mais efetiva, todos os dias e isso está a acontecer. Nós em apenas dois ou três meses que temos a página já alcançamos mais de 3000 visualizações.
A página funciona também como cartão de visita para as demais associações do mundo inteiro e foi muito interessante porque foi as primeiras repercussões que a página teve, foi associações, começando pelas nossas geminadas que connosco fazem também 105 anos este ano.
A página também tem uma componente reservada, onde os nossos operacionais têm acesso aos seus recibos de salários e outras coisas parecidas.
TI – Está assegurado o futuro dos bombeiros contratados pelas Associações? E o financiamento das associações humanitárias a nível regional?
JB – Para ficar bem nesta pintura eu deveria dizer que sim. Mas sem o financiamento das associações por parte do estado e sem as associações olharem para a sua componente empresarial de uma forma mais efectiva, estão assegurados todos os postos de trabalho, creio que sim, mas o crescimento que se poderia dar a cada uma destas associações, que já são geridas de uma forma empresarial será mais lento, ou seja, não há perigo para esta casa de despedimentos, aliás eu tenho por hábito dizer que os nossos bombeiros, são tidos com muita consideração. Os ordenados são pagos a 22/23 de cada mês. Não existem dívidas salariais com os nossos operacionais. Os serviços às vezes são pagos no próprio mês. No entanto não existindo um contrato coletivo de trabalho com os bombeiros mas apenas uma portaria regional no âmbito dos contratos coletivos de trabalho, uma PCT, que regula o regime laboral dos bombeiros e portanto é a coberto dessa portaria que os nossos bombeiros na Horta se encontram protegidos e por isso têm a sua situação laboral garantida. Está a decorrer a nível nacional a construção de um acordo coletivo de trabalho que ainda acreditamos que este ano será uma realidade.
TI – Do que se trata quando fala em reforço e definição de Quadros de Pessoal Operacional e Civil?
JB – As Associações vivem, como referi com algumas dificuldades. Uma das dificuldades tem haver com os seus quadros de pessoal sobretudo os quadro da área operacional. As Associações e os seus corpos de bombeiros estão escalonadas em grupos. O nosso corpo operacional é um grupo que teria capacidade de absorver até 90 homens e mulheres, neste momento temos cerca de 45, vamos caminhando para os 50 elementos do quadro ativo. O que era importante e interessante era que tivéssemos a possibilidade de crescer em termos de vagas para nos aproximarmos de um nível superior das cooperações. No entanto estamos num patamar muito bom, mas para uma ilha que tem uma flutuação tão grande de população. Mas isto também está dependente de outra coisa importantíssima – o voluntariado. Não se é bombeiro profissional nesta casa sem se ser primeiro bombeiro voluntário.
Nós temos tido alguma dificuldade ao longo dos anos, mas quando conseguimos ter por exemplo dez bombeiros que terminam o curso e ingressam no quadro, nós já ficamos satisfeitos. Esperamos que a população também olhe para a profissão de bombeiro não apenas como uma profissão de voluntariado. Portanto aos jovens que agora carecem de emprego, o que se pede é que olhem para os bombeiros como um opção profissional.
TI – A parceria com a CMH fez nascer o Cartão Municipal do Bombeiro. A quem destina? E Quais os benefícios que incorpora?
JB -Este cartão municipal do Bombeiro surgiu de uma conversa entre mim e o presidente da câmara pois existiam duas ou três cooperações no país que já tinham lançado a nível nacional esta possibilidade. Falei com o presidente da câmara no sentido de saber se estaria interessada em discriminar pela positiva os operacionais desta casa nomeadamente os do quadro ativo.
Este cartão contempla descontos no âmbito dos equipamentos públicos pertença da CMH e da Urbhorta, na tarifa da água, alguma facilidade e particularidade na atribuição de verbas para recuperação de habitação, e estou convencido que brevemente podemos ir um pouco mais longe. Seria interessente por exemplo que houvesse alguma discriminação positiva para os apoios que são dados para as bolsas de estudo escolares em que todos os anos houvesse uma bolsa reservada para um bombeiro ou para o filho de um bombeiro.
Entretanto também o Governo Nacional está a trabalhar nesta matéria e pretende criar em negociação com a liga de bombeiros um cartão nacional em que algumas mais valias podem ser acopladas a esse cartão inclusive às municipais em que o mais importante é que quem ganha são os bombeiros.
TI- Há um projeto importante para a AHBVF que se prende com a obtenção da certificação da AHBVF enquanto entidade formadora. Em que consiste esta certificação e quais os procedimentos que estão a adotar para conseguir esse objetivo?
JB -Hoje em dia a formação profissional no país e na Região é vista numa forma mais profissional, no sentido de garantir que os portugueses tenham ao longo da sua vida opções de profissionalização seja em que área for. Ora as associações humanitárias tem à sua conta a formação não só dos seus bombeiros, mas também da sociedade civil, para as áreas onde trabalhamos, como a segurança das populações, o suporte básico de vida. Em todas estas áreas essenciais nós temos competência e formadores certificados portanto o passo seguinte seria a certificação das entidades enquanto entidades formadoras. Este é um processo complexo a nível nacional e na região. Este é um processo que não é difícil alias nós já temos uma congénere certificada. Isto garante um salto de qualidade, uma vez que para além de termos os cursos, e as ações de formação ministradas por formadores certificados, temos também as ações certificadas pelo facto da própria associação entidade que as promove estar certificada. Isso também abre uma porta no mercado comercial.
Neste momento já temos uma relação estabelecida com a Direção Regional do Emprego e da Qualificação Profissional e já estamos a dar os primeiros passos nesse sentido.
TI -Fale-nos da parceria que têm com a Rede Valorizar?
JB – Há uns meses contatei a Rede Valorizar no sentido de perceber se era possível alguma discriminação positiva para os bombeiros que não concluíram a sua formação escolar de 9º e 12º ano. Os nossos bombeiros cumprem piquetes de serviço, quer os profissionais quer os voluntários e não têm total disponibilidade a que a Rede Valorizar obriga no âmbito dos cursos, em que a componente presencial iria coincidir com os momentos em que estão a prestar serviço. Para além disso, muitas as vezes se há um incêndio o que acontece é que o pessoal que está na sala desaparece e não podemos levar isso a mal, porque é assim que funciona e é assim que tem de ser, eles são bombeiros em primeiro lugar, quando a sirene toca, quer seja por uma ambulância, quer seja por incêndio eles imediatamente vão à sua vida. Ora resolveu-se o problema trazendo a Rede Valorizar para os bombeiros.
TI – Existe um projeto piloto que está a tentar pôr em prática – o Apoio Psicossocial. Para que serve e em que pilares assenta esse projeto?
JB – Desde do momento que cheguei a esta casa em maio de 2014 que percebi que estes homens e mulheres que aqui trabalham diariamente como é que chegam a casa à noite? E como no outro dia de manhã acordam e voltam ao serviço quando no seu dia encontram de tudo, desde acidentes graves, até recolha de cadáveres. O bombeiro é igual a um cidadão qualquer. Pode ter uma preparação diferente do ponto de vista emocional, mas também tem quebras. A nossa obrigação é evitar que essas quebras aconteçam e ataca-las quando acontecem. Quando cá cheguei fui desenvolvendo uma ideia que em pus em prática em 2015/2016 em conjunto com Drª Marta Faria, que é nossa psicóloga e que pertence ao quadro técnico desta casa, apoia tecnicamente em regime de voluntariado sempre que pedimos, uma vez que tem formação nesta área do trauma e não só.
Este apoio está a funcionar de uma forma precária, porque quando demos o passo em frente e inclusivamente comprámos instrumentos, inquéritos e outros materiais que a ordem dos psicólogos usa para ela poder usar, no sentido de criar este apoio de uma forma efetiva diariamente.
Demos esse passo publicamos e informamos as entidades que do ponto de vista operacional dependemos de que estávamos a fazer esse trabalho. A abertura foi total mas tivemos um travão da ordem dos psicólogos, que diz que os psicólogos não podem ou não devem trabalhar em regime de voluntariado, ou seja é uma profissão que deve cobrar o seu trabalho. Ora o apoio que a Drª Marta Faria nos estava a prestar nesse âmbito era de voluntariado e até por iniciativa própria. Assim, durante alguns meses congelamos este processo no sentido de depois ser bem entendido e poder dar os passos seguintes. Felizmente que da parte do Governo Regional através do SRPCBA esta questão tornou-se interessante e está neste momento a ser trabalhada nos sentido de ser uma realidade para todas as cooperações.
TI – Quais são os seus planos para o futuro da AHBVF?
JB – A primeira prioridade é a construção do novo quartel. Não porque eu gostaria que esta casa tivesse um quartel novo, mas porque é extremamente necessário para garantir maior operacionalidade ao corpo de bombeiros e melhores condições de trabalho aos nossos homens e às nossas mulheres. A segunda prioridade está no acordo colectivo de trabalho, ou seja garantir aos nossos bombeiros e bombeiras os que são profissionais um regime de trabalho melhor.
Em terceiro lugar há todo um conjunto de coisas como a renovação dos contratos que temos, a ampliação dos contratos existentes a outras áreas a certificação enquanto entidade formadora, algumas lutas que estamos a travar com o governo ao nível legislativo para a redução das taxas de IRS e IRC, etc.
Outros aspetos passam por garantir melhores fardamentos, melhores equipamentos. Garantir uma coisa que é importante para os nossos bombeiros que são as fugas, de vez em quando poderem fazer formação a outras cooperações da região ou do país é também uma ambição.
TI – Quer deixar alguma mensagem aos Faialenses?
JB – Quero mostrar aos faialenses a minha gratidão. Ainda nunca tive um cidadão desta ilha ou que visite esta ilha que me dissesse mal dos bombeiros. Ninguém quer dizer mal dos bombeiros porque ninguém sabe quando vai precisar. A primeira coisa que posso dizer às pessoa é obrigado por estarem connosco, por perceberem as nossas dificuldades. Em segundo lugar dizer que esta é uma casa que tem as portas abertas a todos eles e pedir-lhes que participem ainda mais connosco. g













