Depois de anos a preencher páginas neste jornal de forma regular como jornalista, surge agora o desafio de o fazer como cronista. Ora, um bom cronista pode destacar-se por variadas razões, mas todos os bons cronistas têm em comum a capacidade de transformar o seu olhar atento sobre o quotidiano numa reflexão interessante ou, pelo menos, agradável de ler. Poderia, então, falar de generalidades do nosso dia-a-dia, mas não tenho o engenho de um Esteves Cardoso, para transformar um texto sobre pastelaria em ouro literário; ou de um Lobo Antunes, para falar de trânsito de forma eloquente. Decidi, então, encontrar um tema que fizesse parte da minha rotina mas, ao mesmo tempo, fosse, por si só, especial. Sentei-me ao computador para iniciar essa reflexão, que logo teve de ser interrompida, primeiro porque havia um rabo para limpar, e depois porque uma sesta encurtada por uma gata demasiado aventureira a caminhar na borda de um berço motivou um berreiro capaz de acordar os vizinhos. E foi aí, a equilibrar a necessidade de acudir a estas duas emergências, que se fez luz: Com um filho de 6 anos e uma filha de 4 meses, o único tema sobre o qual faz sentido escrever é a maternidade. Vamos, então, a isso!
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