Albino Pinho- “A Arte é uma questão social”

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DR/TI
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No seu atelier HÔm, na ilha do Faial, o arquiteto Albino Pinho criou uma pequena galeria de artes chamada Camarupa. O Tribuna das Ilhas foi conhecer o espaço e a sua mais recente exposição e falou com o responsável sobre os objetivos e desafios deste novo local.

Foi com o objetivo de dar mais expressão à arte e cultura que o arquiteto Albino Pinho decidiu criar um espaço no seu atelier que permitisse fomentar esta área no concelho.
Formado pela Faculdade de Arquitetura do Porto, Albino Pinho fixou residência no Faial em 2000, altura em que criou o atelier de arquitetura HÔm, responsável por vários projetos arquitetónicos conhecidos a nível local. Foi também neste atelier, localizado no coração da Horta, que nasceu a inspiração para montar um novo espaço dedicado a outro tipo de artes que excedam a arquitetura. Dessa inspiração resultou a microgaleria Camarupa, que existe desde dezembro de 2018 e exibe diferentes manifestações artísticas que visam acrescentar atividades culturais no Faial.
Enquanto cursou arquitetura, Albino Pinho foi colaborador ativo no Museu de Serral-ves. Essa experiência, a juntar ao gosto pessoal pela exibição artística, levou ao nascimento deste projeto, pioneiro na ilha.
“No Faial existem, atualmente, importantes locais como a biblioteca e a grande galeria de artes ao ar livre que é a marina da Horta”, lembra Albino. No entanto, um espaço como a Camarupa era algo que a ilha não tinha, por isso o arquiteto quis fazer deste projeto o seu “contributo social, muito particular”.
Quanto a adesão das pessoas, Albino avança que “este é um processo lento”: “em dois anos tivemos muitas visitas, mas não as visitas diárias que eu acho que uma galeria pode ter”, explica.
Os autores expostos na Camarupa têm em comum a relação com os Açores. As exposições contam “com temas diversos como pintura, desenho, escultura, fotografia, instalação e alguns trabalhos pessoais”, refere o responsável, frisando que o objetivo é que as obras tenham um “olhar de alguém que traz os Açores na bagagem”.

Exposição: Cool`etivo, Novos Expressionistas do Capelo

Atualmente, a microgaleria Camarupa está a ser palco da exposição “Cool`etivo, Novos Expressionistas do Capelo”, patente até 21 de março, com temas de expressionismo criados por três crianças faialenses.
Sobre a exposição, “Cool`etivo”, Albino Pinho contou-nos que “a ideia foi muito gira, porque foi um desafio lançado por um dos artistas, o Luca, de 10 anos”. A criança perguntou ao arquiteto se também podia expor a sua arte, e ele não se fez rogado: “Logo, perguntei, ‘vamos lá, como é que queres expor?’, e ele prontamente respondeu, ‘vamos fazer uma exposição!’.
Desta forma simples, Luca criou uma relação de compromisso para o lançamento desta exposição, e juntou neste projeto mais dois amigos: a Lilu Collard, também de 10 anos, com “características pessoais num estilo que ecoa uma ligeira proximidade às tiras de manga japonesas” e Zacharias Vuillome, de 11 anos, com uma “explosão de símbolos abstratos e de cores primárias na procura de associações poéticas”.
Quanto aos apoios para a exposição, o responsável explica que a Câmara Municipal da Horta ajudou na “comunicação/divulgação”, porém “as exposições são fruto do atelier, ou seja, o HÔm compromete-se com as exposições e faz”. Nesta exposição em particular, os apoios dos vizinhos foram indispensáveis. Para Albino, a participação ativa e o “apoio da comunidade” são essenciais para este projeto.
No que respeita à principal mensagem que a exposição quer passar, Albino acredita que “estamos mais atentos a uma expressão, que tem tanto valor na nossa cultura e evolução, e que hoje está muito mais adormecida”.
“A Arte é uma questão, e é uma questão social; ajuda-nos a enfrentar toda a panóplia de acontecimentos que vão estando no nosso percurso, tanto exterior como interior a nós. A arte é uma ciência, uma manifestação também científica e muito íntima, muito social, que tem acompanhado desde a origem da expressão humana o nosso desenvolvimento”, conclui o arquiteto que pretende deixar a sua marca e o seu contributo para reanimar a expressão artística a nível local.

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