João Neves, presidente da Junta de Freguesia da Praia do Almoxarife- “Não penso em recandidatar-me”

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Muito desejada, principalmente na época balnear, a freguesia rural da Praia do Almoxarife ocupa uma área de 10,05 km2 e 834 habitantes. Entre os pontos de interesse, para além da praia, contam-se o Parque de Campismo, que abriga grande número de visitantes no verão, a zona do Poço das Asas, o nicho das metralhadoras, o Largo Cónego Silva Reis, a Igreja de Nossa Senhora da Graça, entre outros.
Atualmente, a Junta de Freguesia da Praia do Almoxarife está na gestão de João Neves, autarca que governa acerca de 5 anos. Eleito pelo Partido Socialista, previa atender, principalmente, as áreas da pecuária e agricultura. Para estes setores planeou a aquisição de manga móvel, o melhoramento do caudal de água para abastecimento à lavoura, programas de desratização, parcerias para conservação dos caminhos e manutenção dos espaços públicos, melhorias nos abastecimentos de água, entre outas ideias expostas no manifesto eleitoral.
As suas intenções passavam também pelo mar, inovação e empreendedorismo, onde idealizou planos para a recuperação do campo de jogos da praia, o acesso ao cais, aos balneários e nicho das metralhadoras, as atividades náuticas, entre outros.
Tribuna das Ilhas foi ouvir o autarca.

Tribuna das Ilhas (TI) – Passados cerca de 5 anos à frente dos destinos da freguesia da Praia do Almoxarife, quais são as áreas onde considera que o presidente e o seu Executivo tiveram maior impacto no desenvolvimento da freguesia e da sua comunidade?
João Neves (JN) – Passados estes cerca de 5 anos à frente dos destinos da Praia do Almoxarife, acho que cumprimos com aquilo que nos propusemos e estivemos sempre disponíveis para ajudar os Praienses naquilo que nos foi possível ajudar.
O que teve maior impacto foi o melhoramento da rede viária, quer a nível de asfaltagem, quer a nível de alargamento de algumas ruas.
TI – Qual a sua opinião sobre os protocolos de delegação de competências? O envelope financeiro atribuído pela Câmara Municipal ao abrigo destes protocolos é suficiente para fazer face às suas exigências?
JN – Os protocolos de delegação de competências são muito importantes para as freguesias e sem esses apoios não se poderia fazer a maior parte daquilo que se faz.
Claro que os apoios financeiros nunca são suficientes, vai se gerindo da melhor maneira o que vem da Câmara Municipal da Horta (CMH), mais o do Fundo de Financiamento de Freguesia, e tenta-se fazer o máximo possível.

TI – Que promessas eleitorais ficarão por cumprir até ao final do mandato?
JN – Não fizemos promessas que não pudéssemos cumprir e se houve alguma coisa que ainda não foi possível fazer, foi por falta de verbas ou devido ao aparecimento da pandemia de COVID-19.
Uma das mais importantes, que já vem sendo revindicada há vários anos, é a asfaltagem da Rua do Chão Frio, mas finalmente já foi assinado o auto para ser dado início a essa obra e dentro de pouco tempo estará concluída.
Outra promessa era a colocação de um parque de estacionamento, na zona baixa da freguesia, com carregamento para carros elétricos. Este vai aguardar para quando forem concretizadas as obras que estão previstas para aquele espaço.

TI – Em termos de obra feita, qual é a que elege como a mais importante do seu mandato?
JN – Como referi na pergunta anterior, das mais importantes e que já existia a promessa em mandatos de juntas anteriores, é a asfaltagem da Rua do Chão Frio.
Mas a obra mais importante e que terá um maior impacto na freguesia será a reorganização de toda a zona baixa da freguesia, Avenida Unânime Praiense, Largo Coronel Silva Leal, Largo Cónego Silva Reis e, claro, toda a zona balnear.
Infelizmente não será realizada no nosso mandato, mas, esperamos que CMH e a Urbhorta iniciem e concluam esta grande obra para a freguesia da Praia do Almoxarife no próximo mandato.

TI – A pandemia de COVID-19 afetou a sua gestão autárquica?
JN – A pandemia alterou principalmente a forma de contato com os praienses. Por exemplo, anteriormente, às quartas feiras ao início da noite o Executivo estava uma hora na junta para fazer atendimento aos praienses e, com a pandemia, esse atendimento passou a ser feito só com marcação prévia.
Enquanto as escolas estiveram encerradas, demos apoio a algumas famílias da freguesia na impressão e entrega de fotocópias.
De resto, procurou-se sempre, através de todos os meios possíveis, garantir todo o apoio da Junta ao que nos foi solicitado.

TI – Os caminhos agrícolas são uma preocupação constante. Numa ilha onde muitas pessoas vivem do setor primário, e sendo a freguesia da Praia do Almoxarife uma freguesia rural, este assunto traz-lhe especiais preocupações?
JN – Os caminhos agrícolas são muito importantes para as freguesias rurais e esta Junta apoia sempre, dentro dos possíveis, todos os que nos procuram, quer com mão de obra, quer no contato com os serviços do Governo Regio-nal competentes na matéria, para a resolução dos problemas que vão aparecendo.
Só é de lamentar que os proprietários dos terrenos tenham a ideia que é uma obrigação das juntas de freguesia fazer as roças nas bermas dos seus terrenos. Por vezes, especialmente no verão, quando temos de dar mais atenção à zona baixa da freguesia, somos confrontados e criticados por estarem as roças atrasadas. Existe legislação específica que obriga a serem os proprietários a efetuar esses trabalhos.

TI – Neste domínio como tem sido a cooperação com os departamentos do governo com responsabilidade direta na matéria?
JN – O apoio que o Governo Regional nos dá quando é solicitado é principalmente com as máquinas pesadas para nivelamento e enchimento dos caminhos com bagaço, pagando a Junta o combustível gasto.

TI – Um desafio desta autarquia é a manutenção da sua zona balnear. Que desafios traz, neste momento, a praia desta freguesia?
JN – A Praia do Almoxarife tem o seu ex-libris na zona balnear e é sem qualquer dúvida o local da freguesia com maior afluência de pessoas, principalmente no verão, claro.
Posso desde já avançar que está em fase de conclusão, por parte da CMH e da UrbHorta, um projeto de reorganização da zona balnear e de toda a sua zona envolvente, que vai, sem dúvida, criar melhores condições de acesso e utilização da zona balnear, que trará um embelezamento extra a toda essa zona e que fará com que os praienses e todas as pessoas que nos visitam se sintam ainda mais confortáveis e seguras na nossa Praia.
Este projeto, que está a ser elaborado pelo Gabinete de Arquitetura de Pedro Garcia, será apresentado a toda a população da ilha, em especial aos praienses, ainda neste mandato, para que haja discussão pública.
Os desafios principais são manter a praia e balneários limpos e tentar sempre melhorar os acessos ao areal.

TI – Sendo esta uma entrevista de balanço de mandato apraz-nos perguntar se há disponibilidade da sua parte em assumir uma recandidatura à Junta de Freguesia da Praia do Almoxarife?
JN – Não penso em recandidatar-me. Foi uma experiência enriquecedora, tentei fazer sempre tudo pelo melhor da freguesia, talvez algumas vezes não foram as melhores opções, mas fui eleito para tomar as decisões pelos praienses.
Sou uma pessoa honesta, não funciono com politiquices. Infelizmente ainda há muito boa gente na freguesia que só quer o seu bem, não pensa nos outros, só pensam em deitar abaixo e falar mal quando não são simpatizantes da mesma cor partidária que a junta de freguesia.
Com as novas tecnologias, redes sociais, as pessoas deixaram de nos procurar para dar opiniões, arranjar soluções para os problemas, simplesmente criticam tudo e todos, pondo em causa a nossa gestão da freguesia, muitas das vezes sem saberem se esse problema já está a ser tratado ou não.

TI – Alguma mensagem ou alguma coisa que queira acrescentar que considere importante e que não tenha sido perguntado?
JN – Não querendo nomear ninguém para não haver esquecimentos, deixar uma mensagem de agradecimento a todas as pessoas e instituições que me apoiaram durante esta minha passagem á frente dos destinos da freguesia.

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