Alexandre Dias, cabeça de lista do PAN/Açores à Assembleia Legislativa pelo Faial “O Faial tem um histórico infeliz de obras por terminar, pensadas com pouca ponderação ao nível da sustentabilidade social e económica”

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No âmbito das eleições legislativas regionais, conversámos com o primeiro candidato do PAN na ilha do Faial, onde mostrou que o seu partido defende obras estruturantes para a ilha, tendo com eixo fundamental a área da Saúde.

TRIBUNA DAS ILHAS – Apresenta-se às próximas eleições legislativas regionais como cabeça de lista do seu Partido pelo círculo eleitoral da ilha do Faial. Quais são as principais razões que motivaram a sua candidatura?
ALEXANDRE DIAS – O que me motivou a encabeçar a lista do PAN foi a possibilidade de dar voz aos jovens como representante de uma das gerações que enfrenta um dos grandes desafios de sempre – viver numa região onde o emprego jovem é precário e onde as oportunidades para um crescimento profissional são limitadas.
A minha candidatura pelo círculo do Faial pelo PAN pretende colocar a ilha no contexto do triângulo como um das que mais possibilidades tem para se apresentar como uma plataforma central, tanto em infraestruturas, desenvolvimento económico, crescimento populacional até porque apresenta o valor mais alto no poder de compra per capita, onde o número de dormidas em alojamentos turísticos nos últimos anos mais cresceu mas onde temos muitos problemas para resolver como o das acessibilidades e transportes, prestação de cuidados de saúde, recuperação de infraestruturas essenciais como o aeroporto e a marina do porto da Horta, escolas, reordenamento urbano mas onde os valores da abstenção continuam elevados, o que denota uma apatia e um desinteresse pelos moldes políticos e governamentais instalados.

TI – Se for eleito(a) deputado(a) regional irá cumprir o seu mandato na Assembleia Legislativa Regional?
AD – Caso venha a ser eleito vou cumprir o mandato. Não seria cabeça-de-lista se não tivesse a vontade de assumir a responsabilidade de trabalhar para um futuro melhor para a Região e para a comunidade açoriana.

TI – Como é que se posicionará perante as principais matérias que vão estar em cima da mesa na próxima legislatura, como sejam, entre outras, o reforço da Autonomia, o novo Quadro Comunitário de Apoio e as relações entre o Estado e a Região?
AD – Relativamente ao reforço da autonomia, passa por definir determinados eixos sócio-económicos que são fundamentais para um crescimento auto-suficiente da Região.
O domínio do reforço da autonomia insular passa pelo fomento de uma soberania administrativa como está patente na proposta para a criação de uma polícia regional açoriana para 2021.
Passa pela soberania alimentar que é fundamental para ultrapassar a nossa dependência em relação ao fornecimento externo de produtos essenciais ao nosso consumo. Chegou o momento em que a RAA tem de se mostrar realmente autónoma na produção alimentar essencial, promovendo e certificando a produção biológica de origem como faz com variados produtos de origem local mas que estão concentrados em monoculturas que já se mostraram tendencialmente lesivas no domínio das alterações climáticas como a pecuária.
Temos propostas ao nível da tecnologia e conhecimento no caminho de uma renovação do sector público, especialmente no que respeita ao campo da saúde, para o fomento da implementação de redes de informação globais. Assim como temos propostas para novas tecnologias aplicadas à saúde, como o fomento da telemedicina, a criação de um centro de formação itinerante para profissionais de saúde e proteção civil, assim como investir e desenvolver novas tecnologias para monitorização e controlo remoto de parâmetros medíveis dos principais fatores de risco e causas de elevada mortalidade.
A nossa visão macroeconómica traça trilhos a caminho de uma nova economia circular, resultando assim, na construção de uma sociedade mais atenta que planeja estrategicamente o seu percurso na construção de um sistema restaurador e regenerativo que não explora os recursos naturais até à sua extinção.
Esta política de coesão passa por propostas efetivas na promoção de formação de jovens e adultos.
Baseia-se também na criação de propostas para implementação de modelos de cidade e habitação inteligentes com a implementação progressiva de estruturas para aproveitamento de recursos naturais como energia solar e águas pluviais.
Este reforço da autonomia passa também pela gestão partilhada do MAR dos Açores que entra, igualmente, no domínio de uma política de proximidade com o Governo da República. O nosso partido votou favoravelmente na Assembleia da República esta iniciativa legislativa que concede ao Governo regional uma maior participação na política das pescas e exploração de recursos marítimos, que esperamos ser devidamente equilibrada e protecionista dos ecossistemas marinhos.

TI – Como analisa o investimento que o Governo Regional tem efetuado na ilha do Faial? Acha que a percentagem de investimento que o GRA tem inscrito nos orçamentos regionais deve ser mantida ou aumentada?
AD – O Governo Regional está em falta com o Faial, podemos observar isso através dos investimentos que já deviam ter sido realizados mas no entanto nunca aconteceram, acho que o nosso governo tem como dado adquirido ganhar as eleições, pois podemos ver que pouco se esforçaram para que realmente algo mude.
Qual é sua posição relativamente aos necessários investimentos estruturantes para a ilha, como sejam a ampliação da pista do aeroporto, a construção do novo Porto, da 2.ª Fase da EBI da Horta e do Estádio Mário Lino, as Termas do Varadouro, e a reabilitação das estradas regionais, nomeadamente a construção da 2.ª Fase da Variante?
O nosso posicionamento quanto aos investimentos estruturantes para a nossa ilha nunca será linear, pois os posicionamentos do PAN correspondem a visões a longo prazo que não se esgotam numa legislatura.
O Faial tem um histórico infeliz de obras por terminar, pensadas com pouca ponderação ao nível da sustentabilidade social e económica e que, na época de eleições, não passam, muitas vezes, de promessas de campanha. Vimos isso com o aeroporto da Horta, com o novo Porto e até com a 2ª fase da EBI da Horta.
Mas quando o Governo Regional considera uma sopa e uma sandes como o segundo prato completo para crianças em idade de crescimento é fácil analisar a forma como olha para a educação e para a importância de um plano alimentar ou nutricional escolar, que é uma das preocupações do PAN. Ou a forma como aborda as carreiras dos docentes também diz muito do pouco valor que dão à educação na Região: impera a precariedade, a subvalorização e as propostas são para efeito de satisfação imediata sem resolução efetiva.
Tal como o Estádio, a 2ª Fase da variante, fazem parte de um plano de crescimento urbano para além do centro da cidade que se considera necessário e coerente, principalmente no que toca ao reordenamento urbano onde está incluído a gestão da rede viária.
Em relação às Termas, caímos em promessas antigas por cumprir no Faial. Consideramos que é um projeto interessante no âmbito da saúde e bem-estar e uma mais valia para a dinamização turística da nossa ilha.
Há outras que esperamos como a ampliação da pista do aeroporto da Horta e do Hospital da Horta, que necessita, além da ampliação tão pedida, de uma maior autonomia financeira e administrativa urgente. Pode pedir-se a ampliação do Hospital, mas é necessário pensar de forma mais profunda na reforma das competências dos Conselhos de Administração dos Hospitais.

TI – Em termos de atuação política, quais são as outras matérias que considera prioritárias e que pretende defender na Assembleia Legislativa nos próximos quatro anos em prol da ilha do Faial? O que defende em termos de transporte aéreo e de mercadorias?
AD – Para o PAN/Açores, a Saúde é o grande eixo do nosso trabalho e a área de excelência que tem de ser melhorada na RA Açores, nomeadamente na ilha do Faial. O Hospital da Horta tem necessidades específicas que é necessário colmatar mas tem as mesmas necessidades que outros hospitais e outras ilhas como especialidades médicas e nesse âmbito temos um programa para fixação de médicos especialistas e redução das listas de espera que não se limita a conceder compensações monetárias.
Vamos lutar pela antecipação do fim do abate de animais de companhia para 2021, luta à qual nos dedicamos já desde 2016. E não vamos esquecer, igualmente, a defesa de animais de grande porte. Queremos criar uma rede de Hospitais Públicos Veterinários e figura do provedor dos Animais.
A nível ambiental retomaremos a nossa proposta já apresentada nas eleições europeias que é criar um Observatório para as Alterações Climáticas com base na massa crítica em infraestruturas que já possuímos nos Açores.
Em relação ao transporte aéreo, o PAN defende a ampliação do Aeroporto da Horta para obter certificação e operacionalidade segura das aeronaves. Um aeroporto que sirva os faialenses e quem nos visita com voos diários ou gateways de saída por outras ilhas e com as condições de operacionalidade necessárias e sem as penalizações por excesso de carga.
Em relação ao Porto da Horta, consideramos que é uma obra de vulto para a ilha em diversas frentes, tanto para a operacionalidade de mercadorias, para a frota piscatória, para os operadores marítimo-turísticos, assim como para a receção de iates tanto de verão, como para criar condições de inverneio e que o PAN não vai deixar cair.

TI – Sabendo-se das restrições colocadas pelas autoridades de saúde, no âmbito da pandemia COVID-19, de que forma pretende combater a elevada abstenção registada nos últimos atos eleitorais? Como realizará a sua campanha eleitoral?
AD – A única forma de combater a abstenção é demonstrar que vale a pena acreditar na política, nomeadamente a população mais jovem que se afasta cada vez mais do sufrágio. Os jovens são o futuro dos Açores que tanto a região necessita.
A campanha eleitoral será realizada de forma consciente usando as ferramentas ao nosso dispor para cumprir o distanciamento social, nomeadamente as redes sociais e sem comícios ou arruadas. Temos noção que será mais restrita do que das outras vezes, contudo a nossa vontade de querer passar a mensagem mantém-se.

TI – Qual será a sua estratégia para manter e, eventualmente, reforçar o seu eleitorado?
AD – A nossa estratégia passa por resolver as necessidades presentes e antecipar os problemas de futuro, sempre com um pensamento a médio e longo prazo, com a auscultação diária da comunidade faialense e açoriana. Seremos funcionários ao serviço da nossa população, com uma estratégia de proximidade, a única que representa e dá voz efectiva aos nossos cidadãos. Não abdicaremos do princípio participativo, fulcral para a democracia do séc. XXI.

TI – O que pretende dizer aos faialenses para que decidam votar em si e no partido que representa?
AD – A nossa lista, com candidatos extraordinários, que tenho o orgulho de encabeçar, irá fazer tudo ao seu alcance para trabalhar em prol dos faialenses e dos Açores. Somos um partido responsável, com medidas tangíveis para solucionar as necessidades mais sentidas na nossa Região, que passam pela saúde, acessibilidades, emprego, sustentabilidade ambiental e económica bem como o combate às alterações climáticas e na proteção e bem-estar de animais de pequeno e grande porte.

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