Altice International Innovation Awards: próxima paragem, Paris ou Nova Iorque

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O formato é para manter, mas, no próximo ano, provavelmente não será em Portugal. Os Altice Innovation Awards, cujos vencedores da edição deste ano foram conhecidos no passado dia 13 de novembro, deverão em 2020 realizar-se noutra geografia, França ou Estados Unidos são as mais prováveis.“Sendo um projeto de inovação internacional do Grupo Altice teremos de ceder espaço às outras geografias, obviamente que Portugal teve a primazia porque é cá que está a Altice Labs, mas agora vamos a Paris ou Nova Iorque ter a 4ª edição dos Altice International Inovation Awards”, referiu ao SAPO24, Alexandre Fonseca, CEO da Altice em entrevista à margem da cerimónia dos prémios realizada em Lisboa.

Do ponto de vista de formato, o grupo quer manter a segmentação entre startups e universidades, as duas categorias-âncora nas quais distingue e premeia projetos de inovação, mas também aqui poderá ter lugar um alargamento na fase de triagem de projetos. “Temos candidaturas de vários países, temos feito o screening em Portugal e França, no próximo ano será provavelmente que comece nos EUA”, revela também Alexandre Fonseca. Mantém-se, em qualquer dos casos, a lógica internacional, sem barreiras a qualquer geografia: “temos candidatos de todo o lado, o ano passado tivemos da Europa do Leste dois candidatos finais que estiveram a representar a academia. Nestes anos, tivemos cerca de 300 candidaturas, no próximo ano antecipamos ter uma centena mais”.

Ainda sobre as categorias premiadas, apesar do 5G e as novas plataformas de streaming serem dois temas chave no atual cenário da indústria de telecomunicações, a Altice não planeia criar segmentos específicos para projetos nestas áreas. “A segmentação é feita de dois pontos muito importantes e que têm provado ser um sucesso: os projetos já reais – startups – e estudantes universitários que terminaram agora o curso, estudantes de mestrado ou doutoramento que estão ainda em fase de investigação. O projeto vencedor na categoria de startups já conseguiu a captura de cerca de dois milhões de euros de financiamento numa cal; são empresas que estão a começar, mas que têm estrutura, muitas já têm clientes, algumas já têm projetos piloto na rua, patentes a serem licenciadas. A segunda categoria é completamente diferente, e obviamente que quando avaliamos os modelos de negócio associados temos de ter uma visão um bocadinho menos critica, porque estes estudantes têm menos sensibilidade para o tema “modelo de negócio”.

Na componente de mercado e de test drive a novos produtos, a Altice conta com outra iniciativa, os prémios IoT onde a parceria para a abordagem conjunta a clientes tem um peso explícito. Altice  e mais concretamente da PT Empresas, ao contrário do que se passa nos Innovation Awards cujo leque temático é bem mais alargado – como aliás ficou evidente no caso da startup vencedora deste ano, um projeto ligado ao diagnóstico da doença de Alzheimer. “ É verdde que muitas vezes quando não há uma ligação tão profunda, pode ser menos óbvia a parceria, mas o que oferecemos além do prémio monetário é a possibilidade destas empresas poderem ter as portas escancaradas dos mercados onde a Altice opera, a trabalhar com as nossas equipas de B2B, a área empresarial, Altice Labs, áreas de engenharia, e identificar oportunidades de negócio concretas junto da nossa base de clientes onde estas soluções possam ser aplicadas. O objetivo é não só com os vencedores, mas também os finalistas, surgirem novas oportunidades de negócio”.

Se a entrada no mercado ou em novos clientes é decisiva para as startups, para quem trabalha em investigação o financiamento desempenha um papel mais determinante. “Segundo o contacto que tenho tido com alguns destes jovens que estão no concurso, nas startups parece mais ou menos evidente que o dinheiro ajuda, mas a grande oportunidade é o abrir portas para mercados em que dificilmente seriam atingíveis para eles neste estádio de evolução das empresas”, diz Alexandre Fonseca. “Para a academia, como estamos a falar de projetos de investigação puros e duros, precisam de maturação, e para isso ou há um ecossistema de inovação que suporte essa investigação financeiramente ou como se costuma dizer ‘o dinheiro ajuda imenso’”.

A maior preparação dos jovens fundadores de empresas, sejam gestores ou investigadores, é para Alexandre Fonseca uma das principais mudanças a que se assiste em Portugal. “Há quatro anos, um jovem estudante universitário que chegava a um concurso destes não tinha nem de perto nem de longe a maturidade que hoje vemos. Isto significa que a própria indústria está também a amadurecer e nota-se uma crescente qualidade dos projetos, em particular ao nível da academia, e em termos absolutos uma maturidade diferente nas startups, que é natural, pois são empresas que estão em fase de arranque, mas são empresas”.

A outra mudança visível até ao nível dos projetos vencedores é no aumento da participação de mulheres não apenas no concurso, de forma global, mas nas áreas de engenharia de forma mais específica. “Temos cada vez mais mulheres ligadas à tecnologia, esse é um facto, não deixa de ser curioso que em dois anos consecutivos os dois prémios da academia são para duas investigadoras portuguesas, portanto, isso também mostra que a tecnologia e a engenharia cada vez mais são disciplinas que estão a ser seguidas e uma área vocacional que tem cada vez mais mulheres”.

A edição deste ano dos Innovation Awards foi ganha, na categoria academia, pela Neural Motor Behaviour in Extreme Driving  e, na categoria startups, pela iLOF, que foi também o projeto reconhecido com a distinção Born From Knowledge pela Agência Nacional de Inovação. A iLof recebeu um prémio monetário de 50.000 euros e a possibilidade de realização de um piloto (prova de conceito) com o Grupo Altice. O projeto recorre a algoritmos de inteligência artificial aplicados a big data, para potenciar o sucesso dos ensaios clínicos em doenças neurodegenerativas, nomeadamente nos doentes de Alzheimer, com vista a uma redução de custos e a uma seleção mais eficaz de pacientes.O melhor projeto entre os finalistas de mestrado e doutoramento,  o Neural Motor Behaviour in Extreme Driving, recebeu um prémio monetário no valor de 25.000 euros. O projeto explora o cruzamento e a análise da informação recolhida sobre as reações neurocognitivas e neuromotoras, a fim de avaliar e prever o desempenho do ser humano em condições extremas de condução, de modo a tirar ilações que possam reforçar, entre outros, a evolução da condução autónoma.

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