Antes o 8.º lugar nas listas às Europeias do que nada!

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Nas últimas semanas muito se falou e escreveu acerca das causas da não atribuição de um lugar, potencialmente elegível, ao candidato proposto pelo PSD/Açores na lista do partido às eleições europeias. Disse-se que Rui Rio tinha dado uma machadada na autonomia regional, que os sociais-democratas açorianos deviam apelar ao voto no candidato socialista açoriano André Bradford, ou até que não irá ser feita campanha nos Açores por parte do PSD local.
Disse-se tanto e tanto se escreveu que o PSD/Açores só quer que as eleições europeias cheguem o mais rápido possível, para que o povo açoriano vire essa página e delas não se lembre mais.
No entanto, após assentar esta poeira e com mais clarividência, há que fazer uma análise crítica desta contrariedade na ainda curta liderança de Gaudêncio.
Mesmo sabendo que Rui Rio nunca se comprometeu com a atribuição de um lugar elegível na lista às europeias para um militante açoriano, Alexandre Gaudêncio decidiu lançar como candidato do PSD/Açores o histórico Mota Amaral. Figura credível e de reconhecido mérito, ex-Presidente do Governo Regional e da Assembleia da República, surgia como um nome consensual internamente, capaz de ombrear com quaisquer outros candidatos a integrarem essa lista.
Só que Gaudêncio não se lembrou de um ponto fundamental: Rui Rio está, neste momento, a lutar pela sua sobrevivência política, como comprovam todas as sondagens, e isso implica ter que satisfazer, no imediato, os compromissos assumidos com muitas distritais do partido aquando da sua eleição para presidente do PSD (e que não incluem os Açores).
Faz sentido Rui Rio dizer que nos lugares elegíveis da lista do partido às europeias devem estar representadas todas as regiões do país, quando se sabe que Paulo Rangel (n.º 1) é do Porto (Norte) e José Manuel Fernandes (n.º 3) é de Braga (Norte)? Se nos lembrarmos que esta distrital é a terceira maior do país, então está tudo explicado.
É, pois, claro que Rio não tem planos para médio prazo, não está preocupado com as eleições regionais dos Açores de 2020, nem com a necessidade de criação de uma dinâmica de vitória capaz de destronar o governo de Vasco Cordeiro. Ele olha e tem apenas como horizonte temporal as legislativas nacionais de outubro, já que uma derrota aí pode significar a sua demissão do cargo.
Mas, neste processo, Rui Rio não errou sozinho. Mota Amaral também errou e Alexandre Gaudêncio seguiu o mesmo caminho.
Na verdade, logo após os rumores que o lugar a atribuir aos Açores era o 8.º, Mota Amaral não aguardou pela decisão final da direção do partido e mostrou-se indisponível para esse lugar. Se é certo que desde sempre o candidato indicado pelo PSD/Açores tem ocupado um lugar elegível nas listas às europeias, também não é menos certo que os interesses regionais e o interesse específico do PSD/Açores, se deveriam ter sobreposto à decisão tomada por Mota Amaral (por ex. Poiares Maduro aceitou o último lugar da lista).
Dessa forma, conseguiria proteger o líder dos sociais-democratas açorianos, ao mesmo tempo que mostrava que não desistia do combate político e da tentativa de ser eleito deputado europeu.
Por seu lado, Gaudêncio, perante este facto consumado, ao invés de deitar a toalha ao chão, deveria ter substituído imediatamente Mota Amaral, pois era preferível um 8.º lugar na lista nacional às europeias do que não ter nenhum representante regional.
Defendia-se a si próprio e ao partido que lidera.
Desde logo, porque lhe permitiria fazer campanha em todas as ilhas, dar-se a conhecer, implantar-se regionalmente e preparar caminho para as eleições regionais de 2020. E depois porque poderia, eventualmente, acontecer uma surpresa eleitoral e o PSD eleger mais eurodeputados.
As últimas sondagens publicadas que dão uma subida de 10% do PSD nas intenções de voto e a possibilidade de eleger 8 eurodeputados indiciam os erros referidos, podendo comprometer a liderança de Alexandre Gaudêncio e mostrar que o caminho trilhado não foi o melhor.

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