António Pedroso: “Nem todos conseguem rir de si próprios”

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Nascido no Norte Grande, ilha de São Jorge, desde cedo que António Pedroso aprendeu a nutrir-se de arte, de tal forma que a procura diariamente, em variadas formas. Ao longo dos seus 54 anos de vida, moldou-se pelas várias manifestações
artísticas que encontrou para se expressar, e delas foi construindo portfólios diversos e impressionantes. A mãe organista guiou-o para a música, e dentro de si foi encontrando outras vocações, como olaria, literatura, pintura e cerâmica.

Empresário no setor do Turismo, já foi professor, e também deputado à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. Ultimamente são os cartoons a sua produção artística mais popular, seja pelo talento em caricaturar as figuras públicas representadas, seja pelo humor das situações e diálogos com que as enriquece neste processo. Todas as semanas, aqui, no Tribuna das Ilhas, o seu cartoon é aguardado com expetativa pelos leitores.

Atualmente, a Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, na Horta, acolhe a exposição “Um ano de Cartoons de António Pedroso no Tribuna das Ilhas”, que pode ser visitada até 9 de julho. É a primeira exposição do artista neste espaço, e um regresso ao Faial, onde fez a sua primeira exposição, na Semana do Mar em 1985, regresso, esse, muito especial, pois, como
refere, as suas memórias desta ilha, onde estudou, são de carinho e hospitalidade. O Tribuna das Ilhas, esteve à conversa com o artista.

Tribuna das Ilhas (TI) – Apesar de entre toda a sua veia artística, as caricaturas não serem propriamente a sua primeira paixão, elas têm sido uma paixão bastante cultivada recentemente. Quando e como começou a caricaturar?
António Pedroso (AP) – As caricaturas surgiram por uma necessidade, porque quando eu vim para a Assembleia Legislativa Regional fiquei afastado do meu ateliê e sentia falta de criar alguma coisa artística. Descobri que com o meu iPad podia trazer um ateliê inteiro, porque tinha ali todos os materiais, pinceis, tintas, tudo o que era necessário dentro do digital para fazer algo com criatividade. Como a necessidade aguça o engenho, comecei a fazer, com um programa bastante rudimentar, os cartoons das peripécias que ocorriam frequentemente no Parlamento. Na altura os desenhos eram uns bonecos muito mais simples, e as parecenças não eram muitas, mas dava para identificar e as pessoas começaram a achar graça. Isso começou em 2014. Entretanto, descobri que havia um programa mais sofisticado, que comprei. Lembro-me que passei as férias de Natal como um miúdo com um brinquedo novo, com um fascínio enorme, porque eu conseguia fazer um retrato; fazer tudo o que fazia numa tela, mas no digital.
Nesse Natal uma amiga minha pediu-me para fazer uma caricatura, do senhor presidente do Governo Regional e do senhor secretário da Agricultura, e foram as duas primeiras caricaturas que eu fiz, digamos que, “oficiais”. A partir daí comecei a caricaturar os colegas, pessoas amigas e depois começou a parte mais do cartoon em si, já com legendas, em que as figuras deixaram de ter tanta importância como o contexto ou a situação. Comecei a perceber que havia aceitação, as pessoas gostavam.
Comecei por mostrar os trabalhos dentro do grupo parlamentar, para os amigos próximos, nunca partilhei nem publiquei absolutamente nada, até que, em 2015, o PSD pediu-me para fazer uma exposição na sede, em Ponta Delgada, de figuras políticas. Essa exposição teve um impacto muito grande nas redes sociais, porque em 24 horas teve cerca de 60 mil visualizações. Seguiu-se uma exposição em Angra, depois no museu Francisco Lacerda. No período da pandemia, estávamos todos fechados em casa, e, com mais algum tempo disponível, comecei a fazer os cartoons do Tiaguinho – o então diretor regional da Saúde, Tiago Lopes – sem saber que existia uma página de fãs. A dada altura alguém me pediu se podia usar um dos cartoons para essa página, e eu disse que sim, e então começou a saga do Tiaguinho, que acabou por resultar em 60 cartoons de situações da pandemia.

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