Associação de Turismo Sustentável do Faial – ATSF – Debate “Turismo no Faial: que futuro?” reflete sobre turismo sustentável

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“Turismo no Faial: que futuro” foi o tema central do debate promovido pela recém criada ATSF em parceria com a Antena 9, que durante dois dias encheu o Auditório da Biblioteca Pública da Horta.
A ideia pretendeu desafiar os empresários locais e a população em geral a refletir e a analisar se o Faial caminha ou não para um turismo sustentável.
O debate foi transmitido em direto pela Antena 9.

Nos últimos tempos, a sustentabilidade tem sido sem dúvida uma das palavras mais ditas, ouvidas, escritas, e comentadas, nomeadamente quando se trata de desenvolvimento económico e de turismo.
Sustentabilidade é um termo usado para definir ações e atividades humanas que visam satisfazer as necessidades atuais dos seres humanos, sem comprometer o futuro das gerações futuras, tendo como base o uso dos recursos naturais de forma sustentável.
Foi exatamente no sentido de refletir sobre a sustentabilidade do turismo no Faial, que a ATSF promoveu, na semana passada um debate que juntou profissionais do turismo, agentes, empresários, decisores públicos e população em geral, em torno do setor.
O Auditório da Biblioteca Pública foi pequeno para acolher todos aqueles que ali se deslocaram para refletir sobre os temas propostos, nomeadamente que tipo de turismo pretendemos para o Faial, será que caminhamos efetivamente em direção a um turismo mais sustentável, quais são as potencialidades reais da ilha, e quais as consequências ao nível social desta transformação.
Pedro Rosa, presidente da ATSF, promotora do evento, não escondeu a sua preocupação com o “desenvolvimento acelerado” que o Faial está a assistir nomeadamente no que diz respeito ao alojamento, que no seu entender não é acompanhado pelas acessibilidades à ilha, o que condiciona “o sucesso dos investimentos realizados”, alertou.
Aos órgãos de comunicação social, no final do primeiro dia do evento, o porta voz da associação mostrou-se visivelmente satisfeito com a “forte adesão quer do público quer das empresas”.
Segundo Pedro Rosa, neste primeiro dia, “pretendeu-se dar uma perspetiva geral do estado atual do sector”. Neste sentido, avançou que “foram dadas algumas opiniões interessantes sobre o futuro do turismo no Faial”, adiantando esperar um segundo dia “um pouco mais especulativo sobre esse futuro”, tendo em conta as áreas que foram selecionadas.
O responsável pela ATSF explicou que “a preocupação dos associados em constituir esta associação foi exatamente criar uma plataforma de diálogo, para pôr os vários sectores em contacto uns com os outros e isso tem sido uma coisa que temos alcançado”, revelou com satisfação, acrescentando que “neste momento associação conta já com 41 empresas e profissionais associados que vão de todas as áreas de atuação desde a hotelaria, à animação Turística, à restauração”, disse.
O empresário salientou que uma das sugestões apresentadas por dois setores, nomeadamente restauração e rent-a-car, foi a formação. “Como nós ouvimos aqui uma pessoa da restauração a dizer, é necessário que, por exemplo, as pessoas dessa área tenham formação para ajudar a transmitir informações corretas sobre a ilha, assim como da parte de uma rent-a-car também foi transmitido que é preciso que as pessoas dos alojamentos tenham mais conhecimentos para no momento em que vão realizar a reserva informar os clientes de como se podem deslocar pela ilha”, salientou.
O jovem empresário destacou ainda a importância da interação dos diferentes sectores defendendo que deve “haver uma plataforma de diálogo”, realçando que esse foi “exatamente o objetivo deste debate”.
A este respeito, Pedro Rosa, lembrou que a associação e a Antena 9 chamaram intervenientes das várias áreas do turismo e de instituições públicas para participar neste evento e foram eles próprios que “escolheram as suas preocupações, os conteúdos a abordar e os temas que lhes interessa”.
Quanto ao tema sustentabilidade, Pedro Rosa considerou que, “se calhar surgiu menos vezes agora”, mas considerou “que irá ser mais intenso nos próximos anos”. “Esta-mos numa situação em que se houver um crescimento, que espero que haja a nível de turismo, temos de ter mais atenção aos nossos recursos naturais e patrimoniais, que com uma escala de utilização maior se não tivermos uma preocupação com a sustentabilidade eles não registem durante anos e não há um futuro nessa evolução”, aliás essa foi uma preocupação bem visível nos empresários do sector durante o debate.
Sobre este assunto o empresário disse ainda que neste momento o Faial não caminha para um turismo sustentável. “Se quisermos ter voz enquanto sector, quer na nossa Ilha quer na Região, então temos de nos unir, juntar e associar”, afirmou, observando que “não basta cada um ter a sua opinião, temos de avançar no sentido de turismo sustentável e é esse o objetivo”.
“Se estamos num momento que temos um turismo sustentável, não é verdade, se queremos que o Governo nos classifique como Açores turismo sustentável, temos de ter esse objetivo”, referiu Pedro Rosa, desafiando todas as empresas e profissionais do setor, a associarem-se à ATSF para tornar a sustentabilidade numa realidade.
A ATSF é uma organização que atua como plataforma de representação e colaboração entre os agentes profissionais que operam dentro do sector do turismo, que luta pela valorização e promoção do Faial enquanto destino turístico de natureza de excelência, onde a sustentabilidade económica esteja a par da sustentabilidade do património natural, cultural, bem como do equilíbrio social.

ATSF dá parecer no âmbito do processo de revisão do POTRAA

No âmbito do processo de consulta pública da revisão do POTRAA (Programa de Ordenamento Turístico da RAA), a ATSF apresentou um documento de 25 páginas onde dá o seu parecer e diversos contributos em relação a este assunto.
Num comunicado enviado às redações, a associação começa por salientar que “neste período de aumento da procura pelo destino Açores surgiram inúmeros novos projetos e investimentos na ilha do Faial que vieram dar resposta à evolução do mercado”.
No entanto, apesar da “evolução relativamente positiva do sector na ilha e do discurso oficial que exalta o crescimento”, é com “apreensão que os agentes económicos vêm o futuro do sector no Faial”, lê-se.
No caso do Faial, a ATSF aponta o “problema das acessibilidades como o principal constrangimento ao desenvolvimento económico (e não apenas turístico) da ilha”. “A redução efetiva de voos do continente para a Horta exerce grande pressão e constitui uma ameaça inultrapassável para os agentes económicos da ilha”, considera a associação.
No documento, a ATSF “defende um modelo de desenvolvimento sustentável e não massificado”, e considera de “extrema importância a delineação de um programa político coerente de desenvolvimento do sector, que permita uma qualificação e especialização do destino Açores enquanto destino de Natureza”, refere.
A associação, apesar de saber que o sector do turismo “é uma importante alavanca da economia” na Região, tem consciência “da grande pressão que esta atividade pode exercer sobre as comunidades e ecossistemas onde se desenvolve”.
Dando como exemplo alguns destinos turísticos, também insulares, em que o desenvolvimento acelerado e desregrado do turismo foi um “fator de destruição das características e vivências dessas regiões, dos seus ativos naturais e patrimoniais, assim como um elemento de desestabilização social”, o sector sustenta que “os turistas que nos procuram vêm maioritariamente em busca desses valores culturais e naturais ímpares e de um conjunto de atividades ao ar livre que lhes permitam usufruir de experiências únicas no meio ambiente”, sustenta.
A este respeito a associação refere que a “cidade da Horta apresenta características muito especiais e com um passado histórico riquíssimo, que urge proteger e valorizar”, lamentando, no entanto que “quase tudo” esteja ainda por fazer.
Do ponto de vista turístico, para a ATSF “a recuperação e dinamização deste património e a sua articulação numa narrativa identitária teriam o maior impacto na redução da sazonalidade, no aumento da estadia média e na valorização do destino enquanto destino cultural”, um anseio manifestado pelos associados.
Assim defende ser “vital e urgente a ação das entidades públicas no desenvolvimento deste potencial que poderia ser concretizado na forma de um projeto museológico abrangente e ambicioso que articule várias ramificações da história da cidade da Horta, enquanto porto de relevância na Região, e das suas ligações com o mundo”, entende.
“Este projeto deveria ter em conta os cabos submarinos, a aviação transatlântica, a navegação de longo curso, o comércio (especialmente do vinho), a baleação, a arte sacra e as estruturas de defesa marítima e aérea num “registo que permita ler a cidade de uma forma transversal, reforçando o seu carácter de cidade cosmopolita”, sustenta.
No âmbito da promoção e estruturação da oferta turística, a associação de turismo faialense considera “de extrema importância a delineação de políticas” de promoção do Triângulo.
Atendendo ainda ao crescente peso do turismo na economia local, “sente-se também a necessidade de haver uma maior aposta na formação”, observa a associação no documento.
A ATSF considera também prioritária “a criação de uma rede de transportes públicos, eficiente e dimensionada à escala da ilha, que sirva simultaneamente as necessidades de circulação diária dos turistas e da população local”. Este é aliás um dos pontos mais reivindicados pelos sócios da ATSF, adianta.
A finalizar, e numa avaliação do estado do sector na ilha do Faial, a ATSF chama à atenção para a “importância da melhoria das formas de envolvimento e participação das entidades locais e da sociedade civil na tomada de decisões que afetam diretamente a ilha”, consta do documento.

 

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