Uma boa iniciativa da Associação de Turismo Sustentável do Faial

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Na semana passada, assistimos a um debate no auditório da Biblioteca Pública da Horta, acerca do Turismo no Faial e o seu futuro, debate esse promovido pela recém-criada Associação de Turismo Sustentável do Faial (ATSF).
Durante dois dias, passaram pelo palco diversos empresários locais do setor do turismo, que debateram, analisaram e partilharam com os presentes e com aqueles que estavam em casa a escutar o debate através da Rádio Antena 9, as suas experiências e as suas expetativas em relação ao que se quer para o turismo na ilha do Faial, na ótica da sua sustentabilidade.
Todas as intervenções, sem exceção, foram, sem dúvida, importantes para compreender a dinâmica que atualmente existe na ilha em torno deste setor que, diga-se, é um dos grandes motores do desenvolvimento económico do Faial e dos próprios Açores.
A abertura coube ao atual Presidente da ATSF, Pedro Rosa, que transmitiu aos presentes aquilo que se pretendia com a promoção desta iniciativa: ouvir os intervenientes locais – empresários e população, refletir e analisar se o Faial caminha ou não para um turismo sustentável, que potencialidades encerra a ilha, as suas acessibilidades e as consequências resultantes de um desenvolvimento turístico acelerado.
Desde logo, das intervenções de todo o painel convidado ressalvam duas notas relevantes: a manutenção de uma época baixa no turismo que, apesar de cada vez mais curta, continua a condicionar os investimentos e as deficitárias condições de acessibilidade à ilha.
Por outro lado, ficámos a saber que o alojamento local tem ganho uma preponderância cada vez maior no Faial, há semelhança do que acontece no resto do país, que existem empresas que promovem a nossa natureza, as nossas paisagens e os nossos trilhos, bem como o mergulho com tubarões.
Mas, como não podia deixar de ser, surgiram também vozes descontentes, sobretudo com algumas posições adotadas pelo Governo Regional neste setor. A primeira manifestou-se contra as alterações que o executivo regional pretende fazer à legislação que regula a observação de cetáceos nos Açores, e a segunda insurgiu-se contra o novo projeto de reordenamento do Porto da Horta.
José Henrique, proprietário do café “Peter”, assumiu com frontalidade a sua oposição a este projeto, alertando os presentes e, no fundo, toda a população faialense, que, se essa obra avançar, será destruída a nossa baía e o porto de abrigo de centenas e centenas de veleiros e iates que aportam todos os anos à ilha.
Acrescentou, ainda, que se trata de uma posição defendida pela Mesa do Turismo da Câmara do Comércio da Horta (CCIH) e que aguarda por um apoio do Município no valor de 2.000,00€ para que se consiga um novo estudo.
Neste ponto, não consegui perceber bem o alcance do pedido, pois se o Município, através da Comissão Municipal dos Assuntos do Mar, é a favor do projeto presente como é que irá atribuir um apoio para um novo estudo?
Voltando às dúvidas de José Henrique e de muitos faialenses, e das quais não partilha o Partido Socialista do Faial que é favorável ao avanço da obra, não posso deixar de lembrar que, nesta coluna, também tenho manifestado muitas reservas em relação ao novo projeto e à obra (vide Editorial de 18/01/2019 sob o titulo: Portexit: precisamos de um referendo?), reclamando a necessidade de uma eventual consulta popular, dando, dessa forma, a palavra aqueles a quem a obra prejudicará de modo significativo, os faialenses.
Sem dúvida, pela relevância dos temas abordados nesta conversa entre empresários e cidadãos, está de parabéns à Associação de Turismo Sustentável do Faial.
Esperemos que outras iniciativas se sigam a esta.

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