Assunção Cristas explicou a empresários por que não há aliança com o PSD

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A presidente do CDS-PP foi hoje explicar as suas propostas para as legislativas na Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa e justificou-se por que não se coliga com o PSD nas eleições de 6 de outubro.

Numa conversa em que respondeu a perguntas do presidente da câmara de comércio, Bruno Bobone, Assunção Cristas confessou que, ao longo dos últimos anos, sentiu que “o CDS falava sozinho dentro e fora do parlamento” e justificou-se dizendo que o “PSD não está disponível para isso”, a coligação pré-eleitoral.
A pergunta de Bruno Bobone questionava “o pragmatismo” de Cristas e a resposta foi esta, afirmando que as eleições de 2015 ditaram uma mudança “na prática” do sistema eleitoral, dado que António Costa e o PS não ganharam as eleições e estão a governar, resultado da maioria de esquerda na Assembleia da República.
Hoje, já não existe, afirmou, “a pressão do voto útil que levava a que o CDS não tivesse a expressão” que Cristas disse sentir que “poderia ter” e que o voto hoje “está mais livre”, permitindo ao eleitor escolher com mais liberdade sabendo qual a política de alianças dos centristas.
Assunção Cristas clarificou, ainda, que, após as eleições, a aliança preferencial será com o PSD e outros partidos da área do centro-direita, recusando, uma vez mais, quaisquer entendimentos com o PS de António Costa.

O PSD, sublinhou, “assume poder apoiar António Costa” e a líder dos centristas contrapôs que o CDS é “voto firme, seguro e alternativo”.
Miguel Horta e Costa, ex-presidente da PT, perguntou a opinião a Cristas sobre uma “certa falta de liderança” da direita em Portugal, ouvindo como resposta o apelo aos eleitores que “é preciso ter a capacidade e arrojo de arriscarem e darem força ao CDS”. Afirmou-se como de “direita, do centro-direita democrático”, e, numa indireta ao PSD, Assunção Cristas garantiu que o seu partido não se confunde “com a direita que poderia estar mais à esquerda e que até poderia ser socialista”.
Para uma sala de membros da câmara de comércio, onde também estava o ex-líder e antigo vice-primeiro-ministro Paulo Portas, a presidente dos centristas explicou algumas das propostas eleitorais e não se comprometeu quanto a uma eventual “reversão” das 35 horas na função pública, preferindo dizer que estava “disponível para fazer uma reforma” na administração pública, mas sem entrar em pormenores.
Numa sala com empresários, o presidente da câmara de comércio fez um retrato sobre os quatro anos de governação do PS com o apoio da esquerda, a “geringonça”, a começar pela “primeira fase de muita preocupação”, depois com o desanuviamento com a queda do desemprego e o aumento do consumo – “não é má notícia para os empresários”, segundo Bruno Bobone – até às “medidas de risco”, como a cativações e aumento de impostos.
“Um óbvio programa de estatização da economia”, afirmou.
Assunção Cristas também criticou o Governo, por causa dos impostos indiretos, da “maior carga fiscal de sempre” no país, e só concedeu um ponto positivo.
“Este governo teve um mérito, conseguiu ter estabilidade política, ajudou que o tecido fizesse o seu trabalho, mas acho que foi poucochinho”, afirmou a líder centrista.
Assunção Cristas foi a primeira convidada dos almoços da Câmara de Comércio e Industria Portuguesa a falar sobre as suas propostas para as eleições, seguindo-se, em setembro, os líderes do PS, António Costa, e do PSD, Rui Rio.

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