BE: Falsificação de relatório da Microsoft sobre ataque informático ao HDES “é um crime muito grave”

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A audição da secretária regional da Obras Públicas e Comunicações e do diretor regional das Comunicações hoje no parlamento deixou claro que as citações publicadas em órgãos de comunicação social atribuídas a um relatório da Microsoft sobre o ataque informático ao hospital de Ponta Delgada não constam do relatório oficial. António Lima lamenta que alguém tenha falsificado o relatório para passar informações falsas à comunicação social, o que “é um crime muito grave”.

Em dezembro do ano passado, vários órgãos de comunicação social publicaram notícias que indicavam que o relatório da Microsoft fazia referência a um ataque conhecido como “Ransonware WannaCry” e, inclusivamente, com a seguinte citação: “A Microsoft lançou, na altura [em 2017], ‘patchs’ de segurança para essa vulnerabilidade e medidas de mitigação. Não estavam aplicadas no HDES”.

Hoje ficou provado que nenhuma destas informações consta do relatório elaborado pela equipa de peritos da Microsoft, a que o Bloco de Esquerda também teve acesso, através de requerimento ao Governo Regional.

Recorde-se que, no seguimento do aparecimento de citações do relatório na comunicação social, o Bloco de Esquerda foi acusado pelo vice-presidente do Governo Regional, no parlamento, e pelo subsecretário regional da Presidência, numa conferência de líderes parlamentares, de ser o responsável por esta fuga de informação, uma vez que o Bloco tinha tido acesso ao relatório que estava classificado como confidencial.

António Lima classificou estas acusações do Governo como “difamação” porque o Bloco foi acusado de algo em que não teve qualquer responsabilidade.

A secretária regional confirmou hoje que, além da Direção Regional das Comunicações e do Bloco de Esquerda, também a administração do hospital teve acesso ao relatório da Microsoft.

O deputado António Lima lamentou também que, no seguimento de um comunicado do Bloco sobre o relatório da Microsoft, a Secretaria Regional das Obras Públicas e Comunicações se tenha apressado a enviar um comunicado a tentar desmentir factos que constam do relatório: nomeadamente que “a partir de 19 de junho não houve mais atividade maliciosa no sistema informático do hospital” e que a “equipa da Microsoft chegou no dia 30 de junho”.

“Não percebo esta tentativa de desmentir factos indesmentíveis”, disse o deputado do Bloco de Esquerda.