Bloco aponta medidas para atenuar aumento do custo de vida e lamenta inação do Governo

0
9
blank
António Lima BE

O Bloco de Esquerda acusa o Governo Regional de não estar a fazer nada para travar o aumento do custo de vida provocado pela inflação e aponta soluções para responder a este problema: aumento de rendimentos, regulação de preços de bens essenciais e aumento dos complementos regionais de pensão e abono de família.

O aumento do custo de vida é “o assunto mais importante que o país vive” e tem sido o ponto central da discussão do Orçamento de Estado que está a decorrer na Assembleia da República, mas o Governo Regional “parece não estar nada preocupado”, disse hoje António Lima, deputado do Bloco de Esquerda, após reunião com a Associação de Consumidores dos Açores (ACRA).

“Preocupa-nos o silêncio e a inação do Governo sobre esta matéria”, disse o deputado do Bloco, que assinalou que a redução do imposto sobre os combustíveis foi a única medida concreta que este governo tomou – e mesmo assim “foi uma trapalhada”.

“Mas os preços que estão a subir não são apenas os dos combustíveis, são também os bens alimentares de primeira necessidade, que se prevê que continuem a aumentar ao longo do ano”, frisou António Lima.

Para dar resposta a este aumento de preços, o Bloco de Esquerda vai levar ao parlamento uma proposta que recomenda a fixação de margens máximas de comercialização de vários produtos de primeira necessidade, e que será debatida já na próxima semana.

“É urgente estabelecer um regime de margens máximas de comercialização para um conjunto de produtos de bens essenciais, para mitigar a subida descontrolada dos preços, mantendo ao mesmo tempo a sustentabilidade das empresas e dos comerciantes”, explicou o deputado.

A subida constante “e muito preocupante” dos preços de muitos bens essenciais “têm reflexo no custo de vida e nas condições de vida das famílias, principalmente aquelas que têm rendimentos mais baixos, ou mesmo rendimentos médios”, por isso, o Bloco propõe também o aumento dos rendimentos dos trabalhadores do Estado – aqueles que podem ser aumentados por decreto – através do aumento da remuneração complementar. Esta medida pretende também dar um sinal ao sector privado para aumentar salários.

António Lima critica o facto de o Governo não ter feito ainda uma previsão sobre qual será o nível da inflação nos Açores durante este ano, para que as pessoas percebam o impacto que isto terá na sua vida: “Se tivermos uma inflação de 7% ou 8% num ano, isso pode tirar quase um salário a um trabalhador no fim do ano. Isso é muito preocupante. Mas parece que o Governo não quer que as pessoas saibam quanto é que vão empobrecer durante este ano”.

O Bloco aponta ainda outras medidas para responder às dificuldades sentidas pelas pessoas que têm mais dificuldades económicas: “o Governo pode aumentar o complemento regional de pensão para idosos, o complemento regional ao abono de família, e pode criar outras medidas de atenuação do aumento do custo de vida”.

O deputado do Bloco lembra que o atual Orçamento da Região “está em vigor e só o Governo o pode alterar”, acrescentando que “o próximo orçamento só entra em vigor em janeiro do próximo ano, e os açorianos não podem esperar tanto tempo por medidas compensatórias do aumento do custo de vida”.

“O Governo tem que olhar para este problema como o problema mais sério que a região atravessa neste momento”, alerta António Lima.