Brasil: Bolsonaro nega ser contra a democracia após participar num protesto de rua

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Um dia após participar num protesto que pedia o regresso da ditadura militar, o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, negou ser contra a democracia e afirmou querer que os poderes legislativo e judiciário sejam abertos e transparentes.“Sem essa conversa de fechar. Aqui não tem que fechar nada, dá licença aí. Aqui é democracia, aqui é respeito à Constituição brasileira. E aqui é minha casa, é a tua casa. Então, peço por favor que não se fale isso aqui. Supremo aberto, transparente. Congresso aberto, transparente”, afirmou Jair Bolsonaro aos seus apoiantes, à saída do Palácio da Alvorada.

Bolsonaro discursou no domingo para centenas de apoiantes que se aglomeraram em Brasília, numa ação que defendia uma intervenção militar e o fim do isolamento social face à pandemia provocada pelo novo coronavírus.

“Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo Brasil. O que tinha de velho ficou para trás, nós temos um novo Brasil pela frente. (…) Acabou a época da patifaria [bobagens]. É agora o povo no poder”, afirmou Jair Bolsonaro durante o protesto no domingo.

Hoje o Presidente negou que o ato organizado por seu apoiantes pedisse o fim da democracia, embora seja possível ver nos vídeos gravados cartazes e gritos de ordem neste sentido antes e durante o discurso que o líder brasileiro fez no domingo.

Segundo Bolsonaro, aquela manifestação era uma homenagem ao dia do Exército e a favor do regresso ao trabalho e a ida do povo para a rua.

Em todo e qualquer movimento tem infiltrado, tem gente que tem a sua liberdade de expressão. Respeite a liberdade de expressão. Pegue o meu discurso, dá dois minutos, não falei nada contra qualquer outro poder, muito pelo contrário. Queremos voltar ao trabalho, o povo quer isso. Estavam lá saudando o Exército”, acrescentou o chefe de Estado.

Jair Bolsonaro tem instigado os seus apoiantes a pressionarem os governos regionais para encerrarem as medidas de isolamento social impostas em grande parte do país para evitar uma proliferação descontrolada do novo coronavírus, que poderia colapsar o sistema de saúde.

O Presidente brasileiro alegou que é preciso voltar ao trabalho porque a economia brasileira está a ser severamente prejudicada pela paralisação das atividades não essenciais.

No final de semana, além de se manifestarem em Brasília, num ato que provocou aglomerações contrariando as recomendações das autoridades de saúde, centenas de apoiantes de Bolsonaro saíram em caravanas de carros para atacar o isolamento social em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

O Brasil atingiu no domingo um total de 2.462 mortes provocadas pela pandemia de covid-19 e 38.654 casos de infetados, anunciou o Ministério da Saúde.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 165 mil mortos e infetou quase 2,5 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 537 mil doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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