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CALF recebe pelo 4.º ano consecutivo o prémio de Melhor Queijo na categoria de Queijo Vaca cura normal

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Neste que é o seu 74º ano de existência e com aproximadamente 60 trabalhadores, a Cooperativa Agrícola de Laticínios do Faial (CALF) recebeu pelo quarto ano consecutivo o Prémio de Melhor Queijo na categoria de Queijo de Vaca (cura normal) com o Queijo Ilha Azul.
Esta Cooperativa local tem como principal atividade a produção de queijo e de manteiga, reconhecidos internacionalmente pela sua qualidade.
O Tribuna das Ilhas foi ao encontro do Presidente da CALF, José Agostinho, que nos falou dos produtos, da situação atual da fábrica e das suas dificuldades

A CALF teve a sua inauguração a 29 de outubro de 1943, por iniciativa de um grupo de pessoas liderado por José da Rosa Aica, produzindo então apenas manteiga.
Em 1960, com a construção de um novo edifício, a fábrica afirmou-se na região pela qualidade da sua manteiga, levando a que mais tarde, na década de 70, a cooperativa começasse a fabricar também o queijo.
A fim de apoiar os produtores de leite e os seus associados, a CALF criou ainda, no final dos anos 80, uma secção comercial que procurava vender-lhes fatores de produção a um preço mais acessível.
Em 2004 foi inaugurada uma nova estrutura fabril para aumentar a capacidade de laboração e, mais recentemente, a CALF mudou o design da marca e das embalagens.
Ao longo de todos estes anos de existência já trabalharam nesta cooperativa centenas de pessoas. “A fábrica já empregou um número maior de pessoas ao mesmo tempo”, revela o Presidente da CALF, mas devido “ao investimento que fizemos e às alterações de produção, em que algumas são totalmente automatizadas, o número de recursos humanos diminuiu”. Neste momento, “a fábrica emprega aproximadamente 60 funcionários, em que 10 deles trabalham no setor comercial de produtos de apoio aos lavradores”, avança.
Foi com a dedicação destes funcionários e dos seus associados que a CALF já recebeu diversos prémios e menções honrosas que os deixam orgulhosos, nomeadamente, cinco Menções Honrosas no Concurso “Queijos de Portugal” com o Queijo Ilha Azul (prato) e com o Queijo Capelinhos nas categorias de Queijo de Vaca (cura normal) e Queijo de Vaca (cura prolongada), respetivamente, desde 2012. Para além destas, a CALF recebeu oito prémios em diversas edições da Feira Açores, sendo o mais antigo de 1999, e ainda três prémios de Melhor Queijo no concurso nacional “Queijo de Portugal”.
Mais recentemente, no passado mês de outubro, a CALF venceu o Prémio de Melhor Queijo 2017 na categoria de Queijo de Vaca (cura normal) com o Queijo Ilha Azul Prato no Concurso “Queijos de Portugal”, no qual estiveram a concurso 193 queijos de todo o país. É importante referir ainda que o Queijo Capelinhos recebeu uma Menção Honrosa na categoria de Queijo de Vaca (cura prolongada).
No entanto, José Agostinho salientou que “não são só estes os queijos de qualidade da fábrica” e enumerando os produtos fabricados na CALF referiu que “os nossos produtos são sempre feitos como os chamados queijos flamengos, que são gorduras controladas” dos quais a manteiga é um “subproduto”. Segundo o Presidente,“a fábrica produz o Queijo Ilha Azul Prato, o mais reconhecido, o Queijo Ilha Azul Barra que neste momento também já é vendido em fatias nos supermercados, o Moledo que é um queijo em parte artesanal de pasta mole, o Queijo Capelinhos de cura prolongada acima dos três meses, que apesar de ser proveniente da mesma massa, tem um de durabilidade maior e a manteiga Ilha Azul”.
Apesar de produzir todos estes produtos, a fábrica não consegue alcançar a totalidade da capacidade de laboração das instalações. “A matéria-prima que se produz na ilha tem um período de sazonalidade pelo que, no inverno, há um corte de quase 50 % em comparação ao verão” lamenta José Agostinho acrescentando que “a nossa média de leite é por volta de 12 milhões anuais e isso corresponde a cerca de 900 mil por mês a um milhão e qualquer coisa, mas temos uma capacidade para ir até aos 16 milhões”, refere.
O Presidente revelou que para preencher esta lacuna de quatro milhões de litros de leite para “realmente rentabilizar este investimento que é uma fábrica com alguma dimensão” já se pensou em comprar a matéria-prima noutra ilha, como o Pico, sendo também “uma forma de interajuda” visto que a ilha montanha “passou por dificuldades na área fabril” e São Jorge que “se mostrou interessado em vender leite por terem muito e terem alguma dificuldade de escoamento”.
Contudo, “a logística aqui é difícil por falta de transportes marítimos adequados para esse tipo de transporte”, salienta Agostinho, sublinhado que “enquanto não houver barcos adequados, não vai ser fácil receber leite”. No seu entender o que se podia fazer “era aumentar a nossa própria produção, coisa que não depende de mim, depende dos produtores”, sustenta.
Esta é uma dificuldade da CALF, mas não é a única. Outra grande dificuldade da Cooperativa é a valorização dos seus produtos. Juntamente com a Unileite e a Uniqueijo, a CALF criou a Lactaçores através da qual têm “no continente um sistema montado para a distribuição que nos traz alguma vantagem e temos o escoamento do nosso produto, mas não temos a valorização desejada”, esclarece o Presidente da Cooperativa considerando ainda que “hoje em dia todos querem consumir produtos baratos, mas não se consegue fazer produtos baratos” porque as matérias-primas também estão “cada vez mais caras”.
A respeito do preço das matérias-primas, José Agostinho revelou que o custo base do leite pago aos produtores é de 21 cêntimos e que têm ainda “um sistema de qualificação pela qualidade do leite que pode ir aos 25 ou 26 cêntimos por litro”, acrescentando que a “maioria das pessoas, talvez 95 %, entrega leite de qualidade e beneficia desse apoio”. Adicionalmente, o prazo de pagamento é de 60 dias devido ao facto de a fábrica vender fatores de produção a crédito e no final fazerem “um encontro de contas”.
Para o Presidente este “não é o melhor preço, mas infelizmente trabalhamos para os mercados e os mercados é que decidem o que podem pagar ou o que querem pagar e nós temos de nos limitar”. O próprio admitiu que esta “é uma luta difícil de controlar porque é um sistema inflacionário que está sempre a crescer e aquilo que os produtores produzem ou aquilo que nós transformamos nunca dá para compor as diferenças que perdemos”.
Mesmo com estas dificuldades, a CALF, sendo uma fábrica certificada, “trabalha o leite dentro daquilo que corresponde às exigências do consumidor”, assegurando assim a qualidade dos seus produtos.
Para além disso, a fábrica apoia a produção agrícola totalmente biológica que não é fácil de implementar devido a um conjunto de regras que o sector primário teria de cumprir. “Nós estamos dispostos a aceitar esse desafio se realmente o setor primário corresponder”, frisou o Presidente, afirmando que a responsabilidade de ajudar os produtores recai sobre os seus “parceiros ‘governamentais’, sobretudo a Universidade dos Açores que faz os estudos”.
No que ao surgimento de outra queijaria na ilha diz respeito, José Agostinho afirmou que esta nova queijaria não prejudicou de modo algum a produção ou a faturação da CALF visto o “produto ser diferente do nosso”. “Temos é de ir em conta com os mercados. Eles é que sabem o que querem consumir, o que compram”, frisou.
Em resposta a perspetivas de futuros investimentos, o representante da CALF disse que “enquanto não ultrapassarmos este impasse das quantidades de matéria-prima para a transformação, não temos necessidade de fazer investimentos”, reiterando ainda que “para fazer qualquer investimento e ser apoiado tem de se fazer um projeto que obedece a determinadas regras”. No entanto, “fazemos investimentos mínimos naquilo que é necessário no dia a dia”, afirma.
Apesar de ter o apoio de algumas instituições o “maior desejo” da Cooperativa é de “trabalhar por ordem própria”. Contudo, este desejo não pode ser cumprido devido à falta de matéria prima e à atual dimensão da fábrica. Isto porque “quando esta fábrica foi feita nós tínhamos 14 milhões de litros de leite pensando em aumentar mais cerca de 30 %, mas pelo contrário reduziu de 14 para 12”, explicou Agostinho. Por isso o objetivo é reduzir esta lacuna e tornar a fábrica mais independente.
Como é sabido, muito dos produtos fabricados são escoados no continente e exportados. Como “somos uma ilha pequena com uma população reduzida com 15 ou pouco mais de 15 mil habitantes e, produzimos cerca de 1 200 toneladas, nós não vamos além dos 80 %, o resto é exportado para o mercado nacional e depois a partir do mercado nacional chegamos a vários países do mundo com cotas relativamente pequenas” sustentou o Presidente da CALF.
A fábrica exporta para países como os Estados Unidos da América, há mais de 30 anos, para a Espanha, a Alemanha, o Brasil e a Rússia, sempre em pequenas quantidades. “Se esgotássemos a nossa produção nos Estados Unidos era maravilhoso, mas não conseguimos porque vamos atrás de parceiros que tenham poder de compra”, lamenta José Agostinho.
Para concluir José Agostinho relembra que no próximo ano a CALF irá celebrar as suas Bodas de Diamante e acrescenta que há a possibilidade de haver outro presidente na altura visto que o seu mandato está a terminar.

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