O cabeça de lista do BE defende uma cidade justa, acessível e vibrante. Em entrevista ao Tribuna das Ilhas, apresenta propostas centradas no reforço da habitação pública, na criação de mais espaços verdes e na promoção de uma agenda cultural com eventos para todo o ano.
Tribuna das Ilhas (TI) – Porque decidiu dar este passo de se apresentar como candidato à liderança da Câmara Municipal da Horta?
Tomás Melo (TM) – A Horta tem uma identidade fortíssima, um património cultural e natural único e muito potencial para crescer com qualidade. A minha candidatura nasce da urgência de dar nova energia à cidade e à ilha, com soluções inovadoras e concretas que sirvam os cidadãos.
Hoje, a ilha está cada vez mais cinzenta e menos verde, isso assusta-me, mas acredito que podemos construir uma Horta mais viva, sustentável e justa para todos. O trabalho que já realizo através das associações de que faço parte mostrou-me que, com poucos meios, é possível transformar e dinamizar o Faial. É uma ilha cheia de pessoas com boa vontade que estão sempre prontas a receber novas ideias e a ajudar a colocá-las em prática. Estudei arquitetura e cidades e preocupo-me profundamente com o desenvolvimento da nossa e quero contribuir para que a cidade e a ilha voltem a ser um espaço verde e acolhedor, onde criar e sonhar façam parte do nosso quotidiano, por isso acho que o meu dever é ajudar a ilha a crescer na direção certa.
TI – Quais são as prioridades do seu programa eleitoral para os próximos quatro anos?
TM – Requalificar os espaços públicos com projetos simples feitos em conjunto com os habitantes, dar-lhes vida com árvores, baixos custos e calceteiros faialenses, precisamos de espaços públicos com qualidade na nossa ilha. A cultura terá um papel central, com linhas de apoio mais simples feitas a pensar nas associações, com uma Semana do Mar à altura do que já foi e a criação de uma verdadeira agenda cultural para os eventos de todo o ano. Queremos ainda privilegiar o bem-estar animal, investir na segurança rodoviária e tomar medidas de sensibilização e combate a todas as formas de discriminação.
TI – Que medidas concretas pretende implementar para responder às necessidades mais urgentes da Ilha?
TM – É urgente lançar um programa de reabilitação de edifícios para arrendamento a longo prazo com recurso a fundos europeus. Há casas vazias que precisam de muito pouco para entrarem no mercado de arrendamento e os apoios podem potenciar isso mesmo. A Câmara tem também de assumir um papel ativo na mobilidade: é urgente criar, um passeio/ciclovia entre a Feteira e o Porto Pim, para que todos os faialenses possam ter mais zonas de estar, seguras, para passear junto ao mar, é fundamental para as nossas crianças e para todos nós que nos queremos manter jovens!
Outra medida concreta é a plantação de árvores por toda a ilha, porque uma ilha verde é também uma ilha saudável. Tudo isto sem esquecer a requalificação de praças e ruas com grandes ideias e baixos custos, para que a cidade se torne mais convidativa, segura e funcional.
TI – Em que áreas considera fundamental investir de forma imediata e consistente?
TM – É urgente construir casas públicas e apoiar cooperativas como a que ajudou a concretizar a Horteco nos anos 90 (há apoios para isso, vamos aproveitá-los). Investir na mobilidade, porque sem transportes acessíveis e frequentes a ilha fica cheia de trânsito e os cidadãos perdem qualidade de vida. E apostar nos espaços públicos, são o coração da vida comunitária: ruas, praças e jardins, precisam de estar ao serviço das pessoas e dos animais.
TI – O que diferencia a sua visão da dos restantes candidatos?
TM – A minha visão é participativa e inclusiva: quero envolver cidadãos em cada decisão. Não acredito numa Câmara que decide sozinha, mas numa ilha que se constrói em conjunto. É essa diferença que faz da minha candidatura não apenas uma alternativa, mas uma proposta de futuro para o Faial.
TI – De que forma pretende valorizar o Faial para torná-lo mais competitivo e atrativo, tanto para quem cá vive como para quem nos visita?
TM – Temos de criar qualidade de vida diária, porque uma ilha boa para viver é automaticamente uma ilha boa para visitar e para investir. Os eventos culturais devem ser especiais, surpreendentes, fazer brilhar os olhos de quem assiste. Queremos que cada iniciativa seja uma experiência que nos encha de orgulho e que encante quem sai de casa para assistir. Para isso, é preciso programar com ambição e em rede. Espaços como o Banco das Artes ou o antigo quartel dos bombeiros não podem continuar a servir apenas de armazéns, têm de ser dinamizados, dando vida ao centro da cidade. O comércio local também precisa de ser parte desta estratégia. Podemos e devemos ajudá-lo a atrair público, com eventos dinamizadores à porta de cada estabelecimento e criando áreas de estar com qualidade junto aos cafés de toda a ilha. Assim, fortalecemos a economia local e, ao mesmo tempo, damos mais vida às nossas ruas.
TI – O que pretende dizer aos faialenses para que votem em si e no partido que representa?
TM – Que chegou a hora de acreditar que a ilha pode ser ainda melhor. O meu compromisso é com uma Horta inclusiva, participativa e dinâmica. Peço o vosso voto porque quero ajudar a criar uma cidade justa, verde, acessível e vibrante. Porque acredito que o Faial pode ser a melhor ilha do mundo para viver e porque sei que juntos podemos transformar essa convicção em realidade.















