Catedral de Notre-Dame não tem seguro para cobrir destruição provocada pelo incêndio

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Depois do incêndio que na passada segunda-feira destruiu boa parte da Catedral de Notre Dame, o jornal “El País” noticia esta quinta-feira, 18 de abril, que o edifício não tinha seguro. Uma situação que já levou diversos especialistas e historiadores da arte a questionarem a eficácia da política patrimonial francesa e a acusarem o Estado de negligência na manutenção de seus monumentos.

Praticamente nenhum dos monumentos tem uma apólice de seguro, incluindo a Catedral Notre Dame, seguindo uma longa tradição francesa que começou em 1889, quando o Ministério das Finanças decidiu parar de contratar empresas privadas e assumiu as consequências de possíveis incêndios.

“O Estado é a sua própria seguradora, o que é sinónimo de não ter uma política”, explica Dominique de la Fouchardière, líder da seguradora Sla-Verspieren, especializada em monumentos históricos.

Após a assinatura da lei da separação do Estado e da Igreja em 1905, esse custo tornou-se inacessível, uma vez que os locais de culto tornaram-se propriedade pública. Desde então, o Estado francês é responsável pela manutenção dos monumentos anteriores ao século XX, que empresta livremente à Igreja Católica.

Em 2001, um relatório do Governo francês recomendou “reexaminar” essa política, mas ninguém seguiu esse conselho. “Isso iria custar muito dinheiro, embora nos permitisse fazer um inventário detalhado das propriedades do Estado e entender qual é o seu real valor. Levaríamos mais a sério uma herança muito rica, mas da qual não nos importamos muito “, afirma o historiador de arte Jean-Michel Leniaud, presidente do conselho científico do Instituto do Património Nacional, segundo o “El País”.

Para este especialista, o incêndio de Notre Dame é o resultado de negligência coletiva. “O estado de preservação da catedral não foi excelente. É essencial rever os protocolos de segurança, colocar alarmes de incêndio e controlar todas as instalações elétricas”, refere.

Outras vozes apontam para um orçamento insuficiente, apesar de ser um dos mais altos da Europa, com 326 milhões de euros em 2019. “Para que tudo funcionasse, teríamos que nos aproximar dos 400 milhões”, alerta Alexandre Gady, presidente do Centro André Chastel da Sorbonne, dedicado à pesquisa na história da arte.

Rémi Desalbres, presidente da Associação de Arquitetos do Património, também lançou um alerta há dois anos, quando recomendou que o Ministério da Cultura generalizasse a instalação de alarmes e roubos de incêndio, depois de verificar que muitas instalações não os tinham.

“É dada muita atenção à segurança das pessoas, mas menos à dos edifícios”, refere.

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