Células estaminais podem vir a tratar isquémia dos membros inferiores

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 Um estudo recentemente publicado na revista Cythoterapy1 demonstra que as células estaminais do sangue do cordão umbilical apresentam um elevado potencial na regeneração de tecidos afectados por isquémia (paragem ou insuficiência do fornecimento de sangue a um tecido ou a um órgão). 

Esta pesquisa, conduzida por um grupo de investigadores norte-americanos, foi desenvolvida para testar a capacidade das células do sangue do cordão umbilical na promoção da vasculogénese (formação de novos vasos sanguíneos) em resposta à isquémia, quando comparada com a de células mononucleadas da medula óssea. 

Para o efeito, as células foram aplicadas em ratinhos após lhe ter sido induzida a isquémia num membro inferior. Os estudos in vitro mostram que as células do sangue do cordão umbilical migram para os sinais emitidos pelo tecido isquémico e produzem as substâncias necessárias à promoção da formação de novos vasos sanguíneos nas áreas afectadas pela isquémia. 

As células do sangue do cordão umbilical demonstraram ainda serem superiores às células mononucleadas não seleccionadas da medula óssea na promoção da vascularização in vivo. Vinte e oito dias após o acidente isquémico e a aplicação das células, a vascularização das áreas afectadas era maior nos ratinhos tratados com células do sangue do cordão umbilical. 

Carla Cardoso, doutorada em farmácia e investigadora do departamento de Investigação e Desenvolvimento da Crioestaminal, considera que “estes resultados vêm mostrar que as células estaminais do sangue do cordão umbilical poderão vir a ser usadas no tratamento e recuperação de tecidos após lesões isquémicas, na medida em que são capazes de induzir a formação de novos vasos sanguíneos quer a partir de vasos pré-existentes quer em locais onde não há vasos sanguíneos, permitindo desse modo reduzir o tamanho das lesões isquémicas e aumentar a funcionalidades dos órgãos afectados.” 

A especialista acrescenta que “isto pode ser particularmente interessante quando, por exemplo, devido a um acidente isquémico um membro fica afectado, como é o caso deste estudo em que foi possível aumentar a vascularização num membro inferior dos ratinhos após lhes ter sido induzida uma lesão isquémica. Para além disso, pode ainda ajudar a recuperar um órgão como o coração após uma situação de isquémia, como é o caso dos enfartes do miocárdio, permitindo recuperar o músculo cardíaco e portanto a função cardíaca”. 

Actualmente estão em curso vários ensaios clínicos para avaliar o efeito terapêutico de células estaminais isoladas do sangue periférico, da medula óssea, do sangue do cordão umbilical, entre outras, para o tratamento das doenças que provocam isquémia, nomeadamente doenças cardíacas (pós-enfarte do miocárdio), feridas crónicas e acidentes vasculares cerebrais (AVC). 
 

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