Centenário de Frederico Machado – Inaugurado busto do Cientista do Povo

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O Centro Interpretativo do Vulcão dos Capelinhos expõe uma peça de evocação a Frederico Machado. Na tarde desta sexta-feira será inaugurado o busto do “Cientista do Povo”, momento que integra as comemorações do centenário do seu nascimento promovidas pela Associação de Antigos Alunos do Liceu da Horta (AAALH).

A escultura do picoense Rui Goulart está concluída desde 2020. Foi entendimento do Movimento Pró-Memória de Frederico Machado adiar a apresentação pública para uma data menos condicionada pela pandemia. A intenção de ter um evento “que decorra à altura da grandeza” da sua memória é agora materializada numa sessão à porta fechada. Além da inauguração há a apresentação do Liber Amicorum “Frederico Machado – Um Cientista do Mundo”.
Com a mobilização do Movimento, iniciado pelo Cônsul Honorário de Portugal em Porto Rico, José Duarte da Silveira, decorreram eventos de angariação de fundos. Esta obra de bronze, no valor de 7.000 euros, foi custeada por amigos do professor, faialenses e residentes na Diáspora, especialmente na Califórnia, Costa Leste e Canadá. A peça foi cedida pela AAALH ao Património dos Açores.
As comemorações do Centenário arrancaram a 24 de maio de 2018, data que marcou o seu nascimento. Previa-se terminarem a 24 de outubro do mesmo ano, dia em que se assinalou o fim do programa dos 60 anos do Vulcão dos Capelinhos. O que havia por conhecer do cientista faialense levou ao surgimento de novas investigações e iniciativas que prolongaram o programa até hoje.
No Faial, a primeira ação de homenagem aconteceu em agosto de 2018, num encontro da AAALH decorrido na Sociedade Amor da Pátria, instituição da qual Machado foi presidente da Direção. Em maio de 2019, na Escola Secundária Manuel de Arriaga e em sessões promovidas pelas juntas de freguesia do Capelo e da Praia do Norte, continuou-se a recordação de uma das figuras maiores das Ciências da Terra nos Açores.

A expressão “Cientista do Povo” surgiu popularmente, aquando da vaga de sismos que se fez sentir no Capelo e Praia do Norte ao longo da erupção do Vulcão dos Capelinhos. Frederico Machado acompanhou os fenómenos, dando às populações informações diárias via rádio ou através de contactos diretos. É recordado como alguém que aliava o saber académico a explicações sérias e simples, ajudando a esclarecer e acalmar uma população tendencialmente supersticiosa, pouco informada e profundamente religiosa.
Frederico Machado nasceu a 24 de maio de 1918 na Horta. Cedo mostrou ser um estudante exímio, prosseguiu estudos no Instituto Superior Técnico (IST), e concluiu a licenciatura em Engenharia Civil no ano de 1941. Foi professor de matemática no Liceu Dr. Manuel de Arriaga em 1945/46 e durante mais de uma década colaborou com o Serviço Meteorológico dos Açores. Foi ganhando espaço na sismologia e vulcanologia, particularmente com o acompanhamento que fez ao Vulcão dos Capelinhos. As previsões do, na época, Diretor de Obras Públicas da Horta levaram Freitas Pimentel, então Governador do Distrito da Horta, a mandar evacuar zonas em risco no Capelo e Praia do Norte, na noite de 12 para 13 de maio de 1958.
A ciência tornou-se pilar da sua vida. Em 1963 tira doutoramento em Engenharia Civil no IST, o primeiro a conseguir tal feito, com uma tese sobre “”Apoio de levantamentos topográficos em regiões vulcânicas”.
Após ser Investigador na Junta de Investigação do Ultramar assume a carreira de professor no Instituto Universitário dos Açores em 1976. Enquanto professor catedrático obteve, em 1981, o título de professor agregado em Geofísica. Mais tarde criou o Departamento de Oceanografia e Pescas, sendo o seu primeiro diretor.
Em 1982 ruma à Universidade de Aveiro, jubilando-se em 1988. Quando faleceu, a 15 de novembro de 2000, lecionava na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Deixou como legado centenas e publicações cientificas e a gratidão de muitos que se salvaram devido à sua ação cautelar ao longo do Vulcão dos Capelinhos.

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