Cientistas apelam à ONU a criação de estrutura para gerir ecossistemas do mar profundo

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Um grupo de cientistas alertou na passada semana, na revista Nature, para os perigos crescentes da exploração do mar profundo e sugere que sejam criadas estruturas de governação e fundos nacionais e internacionais para preservar e recuperar a biodiversidade e os serviços destes ecossistemas sensíveis.

Desta equipa faz parte o investigador Telmo Morato, do Centro do IMAR da Universidade dos Açores e Laboratório Associado LARSyS, com sede na Horta.

O mar profundo é o maior ecossistema do planeta, mas também um dos menos compreendidos. Os ecossistemas do mar profundo são responsáveis por importantes bens e serviços como por exemplo, recursos vivos alimentares, recursos minerais, petróleo, gás, e regulação climática. Contudo, o aumento da procura de recursos naturais e minerais, alimentadas pela rápida evolução tecnológica, abriu a exploração de áreas anteriormente inacessíveis, e uma expansão acentuada das atividades humanas em direção a áreas mais profundas. Estas novas atividades irão potenciar os impacto humanos na biodiversidade do mar profundo e, consequentemente, no funcionamento destes ecossistemas.

Conscientes destas fragilidades, o grupo de investigadores, liderado por Ed Barbier da Universidade do Wyoming, que agora publica as suas conclusões na mais prestigiada revista na área das ciências naturais, sugere que sejam criadas estruturas de governação para preservar e recuperar a biodiversidade destes ecossistemas.

Os autores deste estudo sugerem que, às preocupações de preservação, deveremos agora alertar tambem para a necessidade de implementação de estratégias de recuperação e restauro dos ecossistemas marinhas do mar profundo.

A Assembleia Geral da ONU deve criar, em 2015, uma nova organização responsável por promover a protecção da biodiversidade do mar profundo ou, em alternativa, alargar as competências da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA) para englobar este fim, sugerem os autores.

Esta nova atividade de conservação e recuperação poderá custar cerca de 25 milhões de euros por ano, valor que poderia ser conseguido através da tributação das actividades extractivas do mar profundo, concluem os autores.

 

 

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