O surto de covid-19 afetou “todos os setores da AED, tendo sido a indústria aeronáutica civil a mais atingida, originando cortes nas encomendas, problemas de abastecimento, paragens na produção e problemas de tesouraria”, refere.
Relativamente às indústrias da defesa e espaço, estas são maioritariamente direcionadas para o setor público, pelo que ainda não enfrentam os mesmos impactos da indústria aeronáutica, no entanto, o impacto indireto não tardará a fazer-se sentir.
Por estas razões, a AEDCP decidiu agir e avaliar o que pode ser feito para diminuir as implicações desta nova crise, afirma o responsável.
Neste sentido, a AED defende, no documento, uma estratégia nacional consolidada de mitigação ao impacto económico desta crise e reforço dos três setores em questão, propondo um conjunto de medidas transectoriais e específicas a cada setor.
Em termos setoriais, o ‘cluster’ defende a aprovação de um pacote específico de formação e qualificação ‘online’ dos profissionais do setor, tendo como objetivo a manutenção das qualificações e certificações existentes, assim como o aproveitamento da redução de atividade para aumento e diversificação de competências.
Sugere ainda a definição de medidas de apoio ao trabalho a tempo parcial no setor (como por exemplo, a criação de bancos de horas) para evitar a exclusão dos atuais profissionais do setor e a promoção de medidas para os projetos de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico, incluindo as vertentes da Inovação Produtiva e Organizacional, focadas no contexto atual, para capacitar os setores aos novos desafios, e alavancar as novas oportunidades.
“São necessárias revisões dos planos estratégicos setoriais e a redefinição das temáticas dos desafios societais, como a transformação digital e o impacto na sociedade civil”, sinaliza.
Para o setor da aeronáutica, propõe-se a criação de um plano de ação, detalhado e integrado no trabalho de diplomacia económica entre o Governo e o ‘cluster’ que dê resposta às oportunidades geradas pelas alterações às cadeias de fornecimento internacionais, nomeadamente através da realocação das operações e fornecimentos da Ásia, Norte de África e América de volta à Europa e restruturação dos modelos de custo e volume de produção em função da nova realidade da aviação civil.
No setor espacial, a AEDCP fala na necessidade de garantir a integridade do financiamento nacional dos programas obrigatórios e opcionais da Agência Espacial Europeia, comprometidos na última reunião do Conselho Ministerial de 2019 e da continuação e dinamização das iniciativas complementares previstas na Estratégia Espaço 2030, tais como a construção do SpacePort dos Açores.
Refere-se ainda à necessidade de acelerar processos de aquisição pública de serviços, e projetos de introdução de tecnologia espacial na administração pública, através do lançamento de concursos públicos, em particular, integrados nos esforços dos restantes.
No setor da Defesa, a AEDCP quer que sejam assegurados os investimentos definidos na Lei da Programação Militar, garantindo, sempre que possível, a participação de empresas portuguesas ao longo de todo o ciclo de desenvolvimentos de novos sistemas e equipamento.
Pede ainda “empenho institucional e diplomático na manutenção do orçamento e data de lançamento do Fundo Europeu de Defesa (FED), assim como assegurar a participação nacional futura nos grandes projetos europeus de remodelação das forças, promovendo emprego e competitividade das empresas”.
O ‘cluster’ foi criado em 2016, como uma associação privada sem fins lucrativos e envolve atualmente mais de 80 entidades estabelecidas em Portugal.
De acordo com os dados citados pela AEDCP, em Portugal, as três indústrias representam um volume de faturação agregado superior a 1,7 mil milhões de euros, com valores de exportação de cerca de 90%, suportando mais de 18.500 recursos humanos.
Com o impacto da covid-19, prevê-se de uma diminuição de 55% das receitas de passageiros das transportadoras em 2020 relativamente a 2019 e uma diminuição de 48% do tráfego anual de 2020.
A International Air Transport Association (IATA) previu a 14 de abril que o setor de aviação perderá este ano 314 mil milhões de dólares em receitas de passageiros em consequência do surto do novo coronavírus.
Esta previsão equivale a uma diminuição de 55% das receitas de passageiros das transportadoras em 2020, relativamente a 2019, refere a AEDCP.
O documento da AEDCP foi também entregue ao IAPMEI, AICEP e outras entidades públicas.

















