Colóquio “Guerra Colonial. Consequências e Leituras” este sábado em Angra

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Instituto Açoriano de Cultura

A guerra colonial deixou marcas profundas na sociedade portuguesa. Sessenta
anos depois, é tempo de fazer balanços, recordando impactos e silenciamentos
na cultura e no imaginário coletivo, ao mesmo tempo que se assinala o fim de
uma ditadura que dominou o país durante quase cinco décadas.

Foi uma guerra de muitos anos e muitos mortos, que terminaria com a criação
de cinco novos países e a migração de 500 mil pessoas. Uma guerra que
deixou marcas. E traumas. Mas também histórias de encontros, de
descobertas, de aventuras. Histórias e vivências que autores açorianos em
início de carreira transfiguraram, em poemas, contos, romances. Muitos foram
os jovens açorianos que, no cumprimento do serviço militar obrigatório, se
viram a braços com um conflito em territórios africanos, engrossando o imenso
contingente de mais de um milhão de soldados que lutaram contra aqueles
que, embora portugueses também, sonhavam com a liberdade e a
independência.

Para o Instituto Açoriano de Cultura era importante refletir sobre estas e outras
questões, com destaque para o modo como os autores açorianos foram
pioneiros de narrativas que refletem a guerra colonial e as suas consequências.
Assim, abordar-se-á a questão da guerra e da mudança de regime, recordar-
se-ão episódios dessa guerra, seja pelo olhar da literatura, seja pelo do
testemunho e tentar-se-á perceber não só o modo como se recorda a guerra e
como se esquecem aspetos relevantes com ela relacionados. Ao mesmo
tempo inaugurar-se-á uma exposição de Rui Caria que mostra como a guerra
ficou marcada na pele de combatentes. Exposição que resulta de um trabalho
com Diana Gomes, cujo livro “Ultramar na Pele” será abordado por Assunção
Melo.

Para palco do Colóquio “Guerra Colonial. Leituras e Consequências” optou-se
por um espaço que preserva memórias desta e de outras guerras, o Castelo de
São João Baptista. Onde poderemos ouvir Aprígio Ramalho, Aniceto Afonso,
João de Melo, Urbano Bettencourt, Álamo Oliveira e Miguel Cardina, militares,
escritores e estudiosos que ora nela participaram, ora a estudam ou recriam. A
entrada é livre (mediante inscrição prévia).

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