Sargaços-Região participa na definição de metodologias de conservação e governação dos oceanos

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DR/GACS

O Diretor Regional dos Assuntos do Mar apontou hoje, em Saint George, nas Bermudas, a Comissão do Mar dos Sargaços (Sargasso Sea Commission) como “um caso de estudo, que contribui de forma clara para a definição das políticas de gestão da biodiversidade em áreas fora da jurisdição dos estados”.

Filipe Porteiro, que falava à margem da quarta reunião da Comissão do Mar dos Sargaços e dos signatários da Declaração de Hamilton, afirmou que “as discussões sobre a conservação da biodiversidade em águas internacionais estão a decorrer ao mais alto nível nas Nações Unidas, no quadro da Lei do Mar”.

Segundo o Diretor Regional, a conservação do Mar dos Sargaços “é uma prioridade internacional, atendendo às especificidades ecológicas únicas” deste ecossistema.

Neste sentido, destacou a “relevância” de os Açores integrarem aquela Comissão, afirmando que a Região, “agora, como no passado, quer participar na definição de metodologias de conservação e governança dos oceanos”.

O Diretor Regional salientou a “proximidade geográfica” do Mar dos Sargaços, cuja fronteira se situa próximo da fronteira sudoeste dos Açores, acrescentando que a conservação deste ecossistema “tem implicações diretas no estado de conservação dos ecossistemas marinhos da Região”.

“Partilhamos muitas das principais rotas marítimas transatlânticas, partilhamos ‘stocks’ de recursos pelágicos, como tubarões e espadarte, que são alvo das pescarias de palangreiros de superfície, europeus e internacionais, e partilhamos a população de tartarugas comuns, da espécie ‘Caretta caretta’, que vivem à superfície do mar”, afirmou, referindo-se ao património comum entre o Mar dos Açores e o Mar dos Sargaços.

Filipe Porteiro apontou também como ponto comum “o enorme problema ambiental relacionado com o lixo marinho, de origem longínqua, transportado por correntes oceânicas”.

O Diretor Regional afirmou ainda que os efeitos das alterações climáticas, a acidificação e o aumento da temperatura dos oceanos, bem como a alteração das cadeias tróficas já se fazem sentir no Mar dos Sargaços, que é considerado “relativamente pristino”.

Filipe Porteiro participou também, durante dois dias, no workshop ‘Next Steps to strengthen Stewardship of the Sargasso Sea’, organizado pela Comissão do Mar dos Sargaços, Departamento de Pescas e Oceanos do Canadá e Governo das Bermudas.

Durante o workshop foram apresentadas algumas propostas e iniciativas que, segundo o Diretor Regional, “mostraram novas formas de monitorizar e gerir as atividades humanas no mar”.

“A observação com recurso a satélites e o cruzamento de dados, de diversas origens e fontes, é um desafio que está a ser levado muito a sério”, observou.

Além dos membros da Comissão do Mar dos Sargaços, que representam os governos signatários da Declaração de Hamilton, também estiveram presentes no evento representantes de diversas organizações e entidades parceiras.

Frederico Cardigos, representante dos Açores em Bruxelas, é um dos comissários daquela organização, indicado pelo Governo Regional, e que substituiu o eurodeputado Ricardo Serrão Santos, que esteve na génese da então chamada Aliança para o Mar dos Sargaços.

A última reunião da Comissão do Mar dos Sargaços e dos signatários da Declaração de Hamilton realizou-se em 2017, na cidade na Horta, no Faial.

A Declaração de Hamilton para a Conservação do Mar dos Sargaços foi assinada, em 2014, pelas Bermudas, Reino Unido, Principado do Mónaco, Estados Unidos da América e Região Autónoma dos Açores, tendo sido subscrita mais tarde pelo Canadá e pelas Ilhas Caimão.

O Mar dos Sargaços é um mar sem costas, situado no ocidente do Oceano Atlântico, no hemisfério norte, que funciona como habitat essencial para muitas espécies epipelágicas emblemáticas do Atlântico Norte, desde invertebrados a peixes, passando por répteis, aves e mamíferos marinhos, sendo uma região biogeográfica única na sua complexidade oceanográfica e biológica com um valor ecológico muito relevante.

 

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