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Consolidar o trailrunning como um nicho de turismo de natureza do Faial – “Eu sou um otimista. Não me parece muito útil ser outra coisa.”WinstonChurchill

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1. O passado e o presente
O trailrunning adquiriu nos últimos anos uma popularidade singular nos Açores e, de forma muito específica, na ilha do Faial, em especial no último quadriénio, fruto da realização e do sucesso atingido pelo AzoresTrailRun.
Desde que se iniciou este evento, em 2014, o mesmo mobilizou cerca de duas mil e quinhentas pessoas e tornou-se no maior acontecimento de turismo de natureza da região, levando os nomes do Faial e dos Açores muito longe, contando já com a participação de atletas dos cinco continentes. A título de mero exemplo, participaram este ano mais de setecentos atletas de 23 nacionalidades diferentes, o que demonstra bem a divulgação que o AzoresTrailRun conseguiu atingir num curto período de tempo.
Em termos de áreas de abrangência, quando se fala sobre o evento, pensa-se sempre na componente desportiva/competitiva e na vinda de atletas de fora da ilha, com impacto financeiro positivo, mas a dimensão deste verdadeiro tesouro que se descobriu no Faial (em sentido figurado, atendendo à expressão atingida na nossa ilha) tem um alcance muito superior. Efetivamente, o evento tem associada a vertente desportiva e competitiva, e é também verdade que traz ao Faial centenas de pessoas, entre atletas, familiares, profissionais da comunicação social, entre outros, mas a sua dimensão económica é exponencialmente superior, pois para além das viagens aéreas e do alojamento, importa considerar também  o aluguer de veículos, a compra de souvenirs, a aquisição de material para participar no trail, os bens consumidos durante a permanência na(s) ilha(s), sem esquecer toda a logística da própria organização e o investimento  que a mesma exige, o que transforma o evento num fenómeno económico muito relevante para uma ilha como o Faial.
Mas importa alcançar também o papel que o desenvolvimento do trailrunning teve e continua a ter em dimensões diferentes, como a melhoria significativa dos trilhos pedestres do Faial e de outras ilhas dos Açores, a educação ambiental, ou até, e com grande ênfase, ao nível da nossa saúde. Estou convicto do forte contributo que este evento deu para que muitos faialenses começassem ou voltassem a correr e a praticar atividade física de forma regular. Este fenómeno, que poderá passar despercebido a muita gente, será provavelmente um dos mais importantes contributos do AzoresTrailRun para a população faialense, pelo bem-estar físico e psicológico que proporciona e pelos índices de confiança individual que daí resultam, sem esquecer a sua relevância para o serviço regional de saúde, área em que os estudos em Portugal não abundam, mas os trabalhos realizados noutros países permitem já ter uma noção sobre a relação entre o trailrunning e os ganhos ao nível do sistema de saúde. 
2. E o futuro?
No entanto, a tarefa do diretor do evento, Mário Leal, e da sua equipa, não tem sido fácil, pois as dificuldades para organizar um evento desta dimensão mantêm-se e o apoio para as ultrapassar tem que ser maior.
As acessibilidades são um obstáculo permanente, quer ao nível do transporte de passageiros, com tarifas elevadas, escassez de lugares e mesmo os voos de ligação muito difíceis, quer ao nível do transporte de equipamentos/carga, com tempos garantidos de chegada excessivamente elevados.
Por outro lado, ao nível dos apoios públicos, quer governamentais, quer autárquicos, o financiamento é claramente deficitário e desproporcional face à dimensão do evento, até em termos comparativos com outras iniciativas.
Numa terceira vertente, a cobertura mediática, valorizando naturalmente o papel da imprensa local, refira-se, porém, queenquanto a RTP-Madeira atribui primazia ao Madeira Island Ultra trail (MIUT), incluindo a transmissão em direto ao longo de várias horas, a “nossa” RTP-Açores tem uma visão restritiva daquele que é o maior evento de turismo de natureza dos Açores, por muito que isso possa custar a algumas mentes mais centralistas.
Assim, a consolidação do AzoresTrailRun deve merecer uma atuação específica ao nível da acessibilidade dos participantes oriundos do exterior, envolvendo a organização, a autarquia, o governo regional e a Sata; implica também um investimento do governo e da Câmara Municipal da Horta proporcional ao número de atletas e à elevada projeção do Faial e dos Açores; e merece ainda que a televisão pública açoriana perceba a verdadeira dimensão do evento e lhe dê uma cobertura de verdadeiro serviço público.
Esta é a nossa visão para a consolidação do trailrunning como um nicho específico de turismo de natureza do Faial, extensível a outras ilhas da região, mas que assuma o AzoresTrailRun e o Faial como a sua pedra mais preciosa.

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