Nasceu na freguesia e concelho de ilha do Corvo em 24 de Maio de 1883, filho de António José da Rocha e de Maria de Jesus Pedro.
Em data e local que não pudemos precisar, embora se julgue que foi na Horta que frequentou a Escola Normal do Ensino Primário, estudou e ascendeu à carreira profissional de professor do Ensino Primário da ilha do Corvo. Nessa qualidade foi empossado como professor da escola do Corvo em 3 de Março de 1907 (1). Diz-se que foi um distinto professor.
Como professor era dedicado e competente, já que, no seu tempo, a ilha do Corvo era considerada uma ilha sem analfabetos e onde toda a gente sabia ler e escrever. Por isso nela havia excelentes hábitos de leitura, como aliás se constatava ainda no tempo em que lá havia a Biblioteca da Gulbenkian. Poucas eram as famílias corvinas que não possuíssem hábitos de leitura, dizia o encarregado dessa Biblioteca, o Prof. Alfredo Lopes que muitos de nós conhecemos a viver na cidade da Horta, depois de aposentado.
Entretanto, Pedro Penedo da Rocha casou com Maria Aurora da Costa, em 22 de Fevereiro de 1906, de cujo casamento nasceram os filhos Óscar, Casimiro, Edmundo, Fernando e a Natália, que, apesar de não terem frequentado cursos secundários ou superiores, eram bastante instruídos e cultos para o meio em que viviam.
Também exerceu as funções de ajudante do Registo Civil e Notariado, talvez em regime de substituição, serviços que certamente não seriam muito trabalhosos em virtude da reduzida população existente na ilha.
Para além da sua actividade profissional, sempre muito meritória e abrangente, (de professor da Instrução Primária), também passou pela vida política. A esse respeito o corvino Manuel Hilário escreveu da ilha, em 27 de Novembro de 1926, que “Acaba de tomar posse do cargo de Administrador do Concelho do Corvo, o sr. Pedro Penedo da Rocha” e acrescenta que “A sua nomeação foi acertadíssima assistindo à sua posse os homens mais importantes dos diversos partidos da república”, tecendo-lhe ainda outros elogios e considerando-o “o cidadão mais ilustrado e conhecedor desta ilha, que com certeza saberá governar com exactidão o Concelho que lhe foi confiado, como sucedeu em 1910, dando provas de republicano sincero e dedicado” (2).
Pelas palavras elogiosas acabadas de respigar, tudo leva a crer que já tivesse exercido o referido cargo, em 1910, e que a sua colocação era bem aceite localmente. Mais tarde, veio a aderir ao Estado Novo, tendo exercido então o cargo de Presidente da Câmara Municipal da ilha — quando esses cargos se fundiram — designadamente entre 1928 e 1934.
Sempre interessado na constante valorização da ilha, empenhando-se entusiasticamente na vida social local. Assim, fez parte da sociedade filarmónica “União Musical Corvina” que ali foi criada no ano de 1916. Nela foi dirigente e músico, onde tocou durante muitos anos. Também vários dos seus filhos fizeram parte mesma instituição, designadamente, durante no período de ouro em que nela esteve, nos primeiros anos da década de 1930, o grande Maestro Manuel Coelho da Silva (pai), natural da ilha Terceira.
Foi nesse tempo que essa banda se deslocou em digressão à ilha das Flores, designadamente, à vila das Lajes das Flores, ilha onde ia, frequentemente, abrilhantar as tradicionais festas religiosas. Pedro Penedo da Rocha, por mais de uma vez assumiu o nela o cargo de regente, acumulando-o com o de músico tocador de bombardino. Nela mantinha sempre elevado interesse pelo seu nível musical, escolhendo para ela os corvinos mais capacitados e aproveitando a colaboração de músicos forasteiros que ali chegavam.
Sabe-se que educou e instrui as capacidades dos filhos, que não saíram da ilha para estudar — talvez por dificuldades financeiras e pela sua elevada quantidade —, mas possuíam instrução superior à média dos corvinos daquele tempo. Por isso, alguns conseguiram ter bons empregos e outros desenvolveram actividades económicas importantes.
Todavia, na escola primária matinha um bom nível de ensino, não fazendo descriminações e nela desenvolvendo elevado saber e dedicação.
_________
Bibl: Trigueiro, José Arlindo Armas, (2000), “Filarmónicas da Ilha do Corvo”, p.
(1) Jorge, Padre Lourenço, “Notas do Corvo”, p. 231,organização de João Saramago, ed. de 2001, da Câmara Municipal do Corvo.
(2). Jornal “O Florentino”, Santa Cruz das Flores, de 27-11-1926.











