ÓSCAR JOSÉ NUNES FALECEU

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Embora já demasiado tarde, (antes tarde do que nunca) em 26 de janeiro de 2014 faleceu na ilha do Corvo onde residia, Óscar José Nunes, depois de passar por doença grave que lhe foi fatal, apesar do esforço que os seus médicos fizeram para o convencer a operar. 

Estava aposentado dos diversos cargos que exerceu e, em agosto de 2011, visitámo-lo várias vezes já acamado, uma vez que éramos um dos seus muitos amigos.
Havia sido essencialmente Monitor de Pecuária e Cabo-de-Mar, mas era um excelente contador de histórias e muito prestável para todas as pessoas que necessitassem dos seus serviços.
Nascera na freguesia do Mosteiro, concelho de Lajes das Flores, em 23 de dezembro de 1935, filho de Manuel Pedro Nunes e de Delfina Rodrigues Mendonça, ele natural do Corvo e ela do Mosteiro.
Com a idade de dois anos fixou residência com os pais na ilha do Corvo onde frequentou a instrução primária ministrada pelo Prof. Alfredo Lopes e pela esposa Prof.ª Maria do Rosário Rodrigues.
Apesar de ter sido voluntariamente incorporado no BI 17 de Angra do Heroísmo em 1954, perdeu a recruta nesse ano, ali voltando no ano de 1956, donde acabou por ter baixa do serviço militar em 30 de novembro desse ano, por incapacidade física.
Entre dezembro de 1956 e abril de 1957 frequentou um estágio nos Serviços da Intendência Pecuária da Horta, da antiga Junta Geral, regressando então à ilha do Corvo onde prestou serviço como assalariado, com a categoria de Monitor de Pecuária, trabalho que desempenhou durante cerca de sete anos. Nessa ocasião chegou a ter actividade comercial, com excelentes representações, efectuando todo o género de comércio útil à vida corvina. Para efeitos de concorrência vendia só a pronto, mas, por isso mesmo, praticava preços baixíssimos.

Em 28 de maio de 1964 foi nomeado Cabo-de-Mar e colocado na vila da Calheta de S. Jorge, onde permaneceu cerca de quatro meses, tendo sido transferido para a ilha do Corvo em 6 de agosto desse ano, como era seu desejo. Aí permaneceu e desenvolveu a sua carreira profissional, nela trabalhando com dedicação e competência, procurando sempre melhorar os seus conhecimentos para assim servir as populações e dignificar os serviços da Marinha a que orgulhosamente pertencia. Em 28 de outubro de 1974 foi promovido a Cabo-de-Mar de 2.ª Classe, mantendo-se no mesmo Serviço. Em 28 de fevereiro de 1980 viria a ser promovido a Cabo-de-Mar de 1.ª Classe, ficando igualmente no mesmo Serviço.
E é assim que, em 23 de dezembro de 1992, por ter atingido o limite de idade, passa à situação de aposentado.
Entretanto, porque na ilha do Corvo o seu serviço lhe permitia o tempo disponível para o exercício de outras actividades úteis à sociedade corvina, aceitou assumir, gratuitamente, o cargo de Vice-Presidente da Câmara Municipal, lugar para que foi nomeado em 8 de agosto de 1972. No ano seguinte, também foi nomeado pelo Governador Civil da Horta, Dr. António de Freitas Pimentel, Presidente da Comissão Municipal de Assistência Social, cargo que exerceu nas mesmas condições. Também exerceu o cargo de Secretário da Mesa da Santa Casa da Misericórdia do Corvo, de que foi irmão. Todos esses lugares foram desempenhados até à Revolução de “25 de Abril de 1974”.
Depois dessa Revolução foi nomeado, em 1977, para instalar a primeira Câmara Municipal do Corvo eleita democraticamente, o mesmo acontecendo depois com a Assembleia Municipal. Após adequado interregno aceitou fazer parte das listas do PPD/PSD, como independente, nas eleições autárquicas de 1993, tendo sido eleito para o cargo de Presidente da Assembleia Municipal, lugar de que se viu forçado a renunciar, em 28 de fevereiro de 1994, por motivos de saúde.
Dado ser de feitio simples, prestável e simpático, rapidamente fazia amizades, situação que manteve ao longo da vida, quer entre as classes sociais mais baixas e humildes, quer entre as mais altas individualidades miliares, políticas, sociais e económicas, publicitando sempre, com sábia visão, a ilha do Corvo. Culto e bem informado para o meio em que viveu, estava sempre pronto a emitir opinião sobre os assuntos que conhecia. Por esse motivo, conviveu com as mais distintas personalidades, que o apreciaram ao ponto de lhe oferecerem algumas excelentes amizades. Dessas salienta-se o General Silva Cardoso, antigo Governador de Angola, que, em 2002-09-27, lhe ofereceu o seu livro “Angola, Anatomia de Uma Tragédia”, onde escreveu significativa dedicatória.
É, assim, que a sua casa servido de anfitriã, como ele gostava de referir, para receber as mais altas autoridades do País por ocasião das suas visitas oficiais à ilha do Corvo: em 1989 recebeu o Presidente da República, Dr. Mário Soares, com outros elementos da comitiva, e, em 1999, o Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, a mulher e o filho; para além de dormirem nela uma noite, tomaram o pequeno-almoço e com ele conviveram amistosamente; de igual modo, nela recebeu, em data que não pudemos precisar, o Ministro da República, General Rocha Vieira, com a família e com o seu Chefe de Gabinete, Coronel Albino Raiano.
Dos muitos louvores por ele recebidos por motivos de bons serviços prestados salientamos que, em 10 de julho de 1991, foi louvado pela Capitania do Porto de Santa Cruz das Flores, dirigida pelo Capitão-Tenente Mário Manuel Lajoso, pela forma eficiente como exerceu o cargo de Cabo-de-Mar, nomeadamente na “sua actuação no relacionamento com muitas e diversas personalidades nacionais e estrangeiras que visitam a ilha do Corvo”.
Por tudo isso, em 8 de julho de 1992, Dia da Marinha, foi condecorado com a medalha de 4.ª Classe da Marinha/Armada Nacional; em 2 de janeiro de 1992 a Câmara Municipal do Corvo, presidida no tempo pelo médico local Dr. João David Cardigos dos Reis, concedeu-lhe público e extenso louvor pelos relevantes serviços prestados à sociedade em geral, nele tendo sido pormenorizadas algumas das suas vastas qualidades, quer como profissional, quer como cidadão.
Mas a sua maior condecoração foi-lhe concedida em 10 de junho de 1992, Dia de Portugal, no Teatro Nacional de S. Carlos, por Sua Ex.ª o Presidente da República, Jorge Sampaio, com a comenda da “Ordem de Oficial do Mérito” e jantar oferecido no Mosteiro dos Jerónimos.
Chegou a ser na ilha do Corvo correspondente de diversos jornais, designadamente do “Diário de Lisboa” e do “Açores”, bem como do “Rádio Clube de Angra”.
Era um profundo contador de histórias da ilha do Corvo, facto já referido aproveitado, quer por altas individualidades que visitaram a ilha, quer por jornalistas, pela rádio e pela televisão.
Seria fastidioso evidenciar todas as suas actividades ao longo de uma vida, quer ao serviço do interesse público e colectivo, quer ao serviço dos cidadãos comuns.
Para além de ter sido um excelente conversador, gostava de ler, de ver televisão e de ouvir rádio, sobretudo para andar devidamente actualizado, possuindo, deste modo, uma boa cultura, acima da média do meio corvino.
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Fonte: Elementos curriculares fornecidos pelo próprio e arquivados nos meus documentos em Agosto de 2008.

 

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