Da alquimia, ou como enriquecer açorianos através da investigação científica

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José Luís Neto

“Nem tudo que reluz, é ouro”, expressão popular carregada de sabedoria. E esta alerta-nos para o engano do dourado, bem como é extensível, enquanto metáfora, às promessas que soam bem, mas que não são para cumprir. Pensava isto a propósito de um anúncio televisivo de um conhecido vendedor de hambúrgueres, onde uma rapariga, que se diz moradora no centro histórico de Setúbal – que é facilmente reconhecível mesmo sem a Praça do Bocage onde quase não existem moradores e as rendas de simples casinhotos variam entre os 1.000 e os 1.500 euros de renda mensal, onde o IMI é o mais alto do país –, sustenta que se se suporta a trabalhar na dita hamburgueria também aí situada, a qual paga, por razões a que está num estado de direito obrigada (e somente por essa razão, há que o dizer), o salário mínimo nacional ao atendedor de restaurante, que a rapariga promete ser. Se não é impossível, é muito pouco provável o idílico sonho dourado projetado no anúncio televisivo, que tenta provar a domesticação da luta de classes na margem sul, com o maior despudor, o que fica inteiramente por provar. Não é nessa margem de equívoco que me coloco, nem tão pouco, me irei colocar.

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