Délcio Martins, cabeça de lista do PPM à Assembleia Legislativa pelo Faial – “A maior parte dos investimentos anunciados pelos socialistas não se concretizam”

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Délcio Martins candidato do PPM pelo Faial

O candidato do PPM pela ilha do Faial é entrevistado por este jornal onde mostra que pretende o melhor para a sua terra e onde evidencia que as baixas taxas de execução dos investimentos inscritos nos orçamentos anuais da Região têm comprometido o desenvolvimento harmonioso da ilha.

Tribuna das Ilhas – Apresenta-se às próximas eleições legislativas regionais como cabeça de lista do seu Partido pelo círculo eleitoral da ilha do Faial. Quais são as principais razões que motivaram a sua candidatura?
Délcio Martins – Sou natural da ilha do Faial. Sempre vivi aqui. Quero o melhor para a minha terra e sinto que posso, de alguma forma, dar um contributo válido. Vejo que, ano após ano, os nossos principais problemas não se resolvem. Sei que a fórmula que celebrizou nos Açores o PPM – trabalho, persistência e coragem – constitui a receita certa para enfrentar, de uma vez por todas, os problemas do Faial.
Isso e a extraordinária equipa que me acompanha. Uma lista de gente fantástica, que está disponível para dar tudo pela sua terra. São todos independentes. O partido que nos une a todos é o Faial. É esse o nosso espírito neste projeto. Participar e dar o nosso contributo. Atrair o voto dos que não têm votado ou escolheram em eleições anteriores outras opções. O Faial precisa de uma grande mudança. Estamos a fazer tudo para merecer a confiança dos faialenses e ser a voz dessa mudança.

TI – Se for eleito(a) deputado(a) regional irá cumprir o seu mandato na Assembleia Legislativa Regional?
DM – Claro! Seria a maior honra da minha vida: Representar o Povo da minha terra e das gerações que me antecederam. Tenho a certeza que saberei honrar a confiança de todos os que decidirem votar em mim para os representar.

TI – Como é que se posicionará perante as principais matérias que vão estar em cima da mesa na próxima legislatura, como sejam, entre outras, o reforço da Autonomia, o novo Quadro Comunitário de Apoio e as relações entre o Estado e a Região?
DM – Sempre a favor dos interesses dos Açores e do Faial. Defendo o reforço da autonomia dos Açores. Aliás, o PPM tem, desde há décadas, o programa mais avançado nessa matéria. Nenhum outro partido defende avanços tão substanciais em matéria autonómica. Tenha-se em conta que o PPM foi o único partido que se insurgiu, claramente, contra a decisão do PS e do PSD de enterrar o trabalho da CEVERA. Uma vergonha sem nome.
Em relação ao novo quadro comunitário defendo uma aplicação rigorosa dos fundos europeus. O Governo Regional está, propositadamente, a tentar enganar a opinião pública nesta matéria. O aumento das verbas do novo quadro comunitário de apoio, quando comparado com os recursos existentes no anterior quadro comunitário de apoio, é muito moderado. A verba publicitada pelo Governo resulta do apoio comunitário que está relacionado com a situação criada pela COVID-19 e a destruição económica causada pelo mesmo em todas as economias europeias.
É assim falso – como se tornará evidente a partir do dia 26 de outubro – que passe a jorrar dinheiro para os Açores nos próximos anos. A verdade é outra. As verbas projetadas para os Açores são insuficientes para reverter os enormes prejuízos causados pela pandemia no tecido económico açoriano e para acudir a uma situação social de absoluta emergência.
É preciso ter em conta que os Açores já executaram 3 quadros comunitários de apoio, sem que se tenha conseguido convergir com a Europa. Esta situação representa um falhanço histórico de grande dimensão. Temos agora uma nova oportunidade. É absolutamente essencial que as coisas corram bem desta vez. Como é lógico, as verbas relacionadas com a COVID-19 devem ser projetadas para a recuperação das empresas e do rendimento das famílias.
Temos duas grandes preocupações centrais para além da conceção dos Eixos Prioritários do próximo programa operacional, que devem preservar o essencial das áreas de intervenção anteriormente programadas e acentuar os recursos nas áreas do emprego, do combate à pobreza e nas medidas de regeneração do nosso tecido económico:
A primeira é libertar mais fundos para o sector privado. Veja-se que o sector privado absorveu menos de 30% das verbas disponíveis. Assim, é difícil dinamizar e modernizar a nossa economia. Temos de libertar mais dinheiro para a iniciativa privada.
A segunda é a fiscalização adequada dos fundos atribuídos. Os níveis de corrupção são cada vez mais elevados e muito do dinheiro não é executado no âmbito dos fins programados. Temos de criar mecanismos de controlo eficazes.
No que diz respeito às relações entre a Região e o Estado defendo o aprofundamento das nossa competência e uma postura de grande exigência em relação ao Estado no quadro das competências que o mesmo exerce nos Açores. Veja-se o caso do património do Estado no Faial. É inconcebível que uma parte substancial desse património esteja ao abandono na nossa ilha. Tudo isso tem de mudar.

TI – Como analisa o investimento que o Governo Regional tem efetuado na ilha do Faial? Acha que a percentagem de investimento que o GRA tem inscrito nos orçamentos regionais deve ser mantida ou aumentada?
DM – Tem de ser, em primeiro lugar, cumprida. O Faial teve uma taxa de execução orçamental de 39,3% em 2017 e de 46,6% em 2018. É uma vergonha! A maior parte dos investimentos anunciados pelos socialistas não se concretizam. Constituem atos de propaganda odiosos, na medida em que os socialistas sabem que estão conscientemente a enganar o povo faialense.
Não é possível resolver os problemas do Faial sem um forte reforço do investimento regional na ilha do Faial. Temos vindo a ser enganados. Retiram-se, de forma sistemática, mais de 50% dos recursos que originalmente são projetados para o Faial. Isto acontece porque a ilha não tem ao seu serviço uma voz forte e respeitada.

TI – Qual é sua posição relativamente aos necessários investimentos estruturantes para a ilha, como sejam a ampliação da pista do aeroporto, a construção do novo Porto, da 2.ª Fase da EBI da Horta e do Estádio Mário Lino, as Termas do Varadouro, e a reabilitação das estradas regionais, nomeadamente a construção da 2.ª Fase da Variante?
DM – Os sucessivos Governos socialistas – são 24 anos de governo ininterrupto – têm vindo a assumir, legislatura após legislatura, o conjunto de investimentos que descreveu. Todos os casos que enumerou são fundamentais para o Faial. Assumo o compromisso de lutar pela sua execução.
O problema, como já referi na pergunta anterior, está na baixa execução orçamental dos investimentos planeados para o Faial. Nenhuma outra ilha tem taxas de execução tão baixas. Nenhuma outra ilha é enganada desta forma. O que é anunciado como investimento não passa de um conjunto de mentiras que o Governo Regional anuncia todos os anos. Chego a pensar que o Governo socialista acha que nós, os faialenses, somos estúpidos.
Se eu estiver no Parlamento a brincadeira dos investimentos prometidos para o Faial – e depois não executados – vai acabar. Executar um Orçamento abaixo dos 40% é um escândalo que não se pode repetir. Os faialenses não podem permitir que isto suceda.

TI – Em termos de atuação política, quais são as outras matérias que considera prioritárias e que pretende defender na Assem-bleia Legislativa nos próximos quatro anos em prol da ilha do Faial? O que defende em termos de transporte aéreo e de mercadorias?
DM -Temos um enorme conjunto de preocupações e assuntos que queremos colocar na agenda. Desde logo assuntos transversais como a valorização e a recuperação do tempo de serviço dos enfermeiros, dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica e de todos os outros grupos que se encontram prejudicados nas suas carreiras.
Existem investimentos que interessa acompanhar e pressionar para a sua urgente conclusão, com a remodelação do Hospital da Horta e a construção do Centro de Saúde da Horta. O reforço da proteção costeira e requalificação da Baía da Praia do Porto Pim, a intervenção na “zona da Lajinha”, a manutenção dos trilhos pedestres, a recuperação dos caminhos de penetração, a intervenção na nossa rede viária, a recuperação do património do Estado no Faial, a recuperação do património histórico, a recuperação urbana na Horta e muitos outros projetos que não posso aqui pormenorizar. A ilha do Faial está completamente descuidada. É o preço a pagar por serem sempre os mesmos a ganhar eleições nos últimos 30 anos. Tudo isto passou a ser o feudo privado de um grupo de privilegiados.

TI- Sabendo-se das restrições colocadas pelas autoridades de saúde, no âmbito da pandemia Covid-19, de que forma pretende combater a elevada abstenção registada nos últimos atos eleitorais? Como realizará a sua campanha eleitoral?
DM -Está a ser uma campanha de proximidade. Contam as nossas ideias e projetos, mas também conta o afeto e amizade de todos os que nos conhecem desde sempre. Sabem que podem confiar e que estamos empenhados em dar o nosso melhor. A constância e a capacidade de trabalho que tem caracterizado o PPM no Parlamento dos Açores é a garantia que cada voto na nossa lista terá o retorno em empenho e trabalho.
A nossa campanha eleitoral começou logo no início da legislatura. A Representação Parlamentar do PPM – que tem apenas um deputado – produziu mais de 1000 intervenções e cerca de 80% do trabalho parlamentar realizado pelo Grupo Parlamentar do PSD, que tem 19 deputados. É fácil fazer campanha eleitoral “protegido” por estes números. Por esta produtividade. As pessoas sabem que o voto útil é no PPM.
Toda a lista está empenhada no esforço eleitoral. A nossa força reside na solidariedade e na força de cada um dos membros que integra a lista, nos delegados e nos grupos de apoio. É um trabalho que está a ser realizado por um grupo muito coeso. É assim que tem de ser. Juntos somos mais fortes.
A abstenção combate-se com estratégias de proximidade. As pessoas têm de sentir que a sua opinião conta. Que são ouvidas sempre e que o seu voto tem consequências. Que passam a ser representadas por pessoas que se candidatam para as representar.

TI – Qual será a sua estratégia para manter e, eventualmente, reforçar o seu eleitorado?
DM -Não temos metas ou fronteiras eleitorais estabelecidas. Vamos lutar para ganhar a confiança de todos e cada um dos faialenses. A melhor estratégia é a que eu aprendi no PPM: muito trabalho e dedicação. Todos os dias. Sempre.
Permanecendo fieis ao que sempre fomos. Não vamos fazer nada de diferente ou de postiço. Vamos cumprimentar e falar com as pessoas como sempre o fizemos. Queremos ser genuínos.
No final da noite eleitoral é que se fazem as contas. Só aí se saberá qual foi o resultado do nosso esforço. Uma coisa posso prometer: vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para merecer a confiança que o povo depositar no nosso projeto.

TI- O que pretende dizer aos faialenses para que decidam votar em si e no partido que representa?
DM – Sou um dos vossos. Adoro a minha terra. Vou fazer tudo para a defender. Luto por uma sociedade mais justa. Em que a riqueza seja distribuída de forma mais igualitária. Luto pelo progresso da minha terra. Valorizo o esforço, o mérito e a dedicação.
O PPM, com o Paulo Estêvão, é isso mesmo. Luta, sacrifício e dedicação. Esses são também os meus valores e de todos os que integram este projeto.
Cada voto no PPM conta. Tudo indica que o PPM é a força política que está em condições de tirar a maioria absoluta ao PS em vários círculos eleitorais. O PS sinalizou-nos como o principal adversário estratégico. Votar PPM é votar contra a maioria absoluta. É votar útil.

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