Discurso Final – Plano e Orçamento para 2023 (Os doze trabalhos de Hércules)

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Senhor Presidente

Srs. Deputados

Srs. Presidente, Vice-Presidente e Membros do Governo

Há dois anos, numa terra distante, para além das colunas de Hércules, no cimo dos cumes vulcânicos da antiga Atlântida, o povo em revolta confiou o poder a um grupo de resistentes obstinados.

Para além do mal dos homens e da consequente herança de anos e anos de mau governo, os novos governantes tiveram ainda de enfrentar, nos dois anos de governo que já somam, uma terrível epidemia e as consequências devastadoras do maior conflito militar europeu desde a II Guerra Mundial.

Tudo isto, é claro, representa um trabalho, um conjunto de trabalhos, de difícil realização. Para os descrever socorro-me, hoje, da lista de trabalhos mais famosa da História: “Os 12 trabalhos de Hércules”.

Como sabem, Hércules, filho de Zeus, teve de realizar estes trabalhos, na sequência de uma história familiar atribulada, cheia de traições, ciúmes e vinganças. Poupo-vos estes pormenores, até porque aos deputados socialistas esta narrativa lhes soaria demasiado familiar.

Primeiro trabalho: Leão de Neméia. Era um gigantesco felino, que Hércules estrangulou e esfolou para transformar a pele num manto. Eventos que condeno, quero dizer-lhe desde já, deputado Pedro Neves.

Assim, modernizo esta história e meto no lugar do Leão os impostos socialistas. São igualmente vorazes e podem comer, se muito numerosos, a fauna toda. Pois bem, este Governo superou este trabalho com êxito. Estrangulámos os impostos nos Açores. Mantemos os impostos no mínimo possível.  Mas aqui, podem crer, foi necessário vencer toda a determinação do deputado Vasco Cordeiro em manter o pesado tributo que ele próprio nos legou.

Segundo trabalho: Hidra de Lerna. Era uma gigantesca serpente com nove cabeças, uma delas imortal. Abreviando a história, Hércules decepou as oito cabeças mortais da serpente e remeteu, para as profundezas da terra, a cabeça imortal. Mais uma vez, temos um animal maltratado, facto que me obriga a adaptar esta história. As cobras também contam, não são menos que os toiros, pois não deputado Pedro Neves?

A nossa Hidra, com várias cabeças, era o Estado dentro do Estado que o sector público empresarial representava para os Açores. Um conjunto de empresas públicas ruinosas, que serviam, essencialmente, para colocar políticos socialistas, que tinham um raio de ação que variava entre a produção de atum, açúcar, campos de golf e um variadíssimo conjunto de trabalhos domésticos da economia de planificação quinquenal socialista. Pois bem, já se cortaram várias cabeças desta serpente luxuosa, como a AZORINA, a SINAGA, a SDEA, Santa Catarina e está para breve o fim das Ilhas de Valor. Trata-se de uma poupança de milhões de euros.

Terceiro trabalho: Javali de Erimanto. Era um enorme javali que matava quem cruzasse o seu caminho. Curiosamente, o trabalho era apanhar o animal vivo. Aqui, deputado Pedro Neves, já não temos tantas razões de queixa. Mas, mesmo assim, modernizo uma vez mais a história, na medida em foi necessário, para o capturar, correr atrás do animal até o estafar. Tendo em conta a minha atual forma física, acho que ninguém acreditaria que o animal não me estafaria primeiro a mim. Todas as histórias, menos as do deputado Vasco Cordeiro, têm de ser minimamente credíveis.

Assim, escolho, para o lugar do javali, a dívida. Está capturada! Não existe endividamento neste Orçamento, apenas os seus efeitos, que nos custam muitos milhões de euros anuais. Já nos chegam os mais de 3 mil milhões que os socialistas nos legaram de dívida.

Quarto trabalho: Corça Cerinéia. Uma corça com chifres de ouro e pés de Bronze. Era, ninguém diria, muito veloz e também tinha de ser capturada viva. Mais um animal vivo. Eu diria, deputado Pedro Neves, que Hércules se está a converter ao PAN.

Não posso, no entanto, adaptar este trabalho à atualidade. Os governos do PS não nos deixaram nada de bronze e muitos menos de ouro. Chifres de ouro, por amor de Deus! O que ficou mais próximo disso, neste debate, foi a inofensiva estética da oratória de Berto Messias, que tem como bandeira retórica expressões como manso.

Quinto trabalho: As Aves do Estínfale. Estas aves devoravam as colheitas. O filho de Zeus matou estas aves. deputado Pedro Neves, é com tristeza que o digo, pode rasgar a ficha do recém filiado Hércules.

O herói tem, no entanto, atenuantes. Primeiro tentou atraí-las com um antigo instrumento musical de cordas. Infelizmente, escolheu como músico o deputado José Eduardo, do PS das Flores. O deputado anda sempre politicamente desafinado e espantou as aves. A verdade é ganhou fama no tempo dos governos do PS, em que estava sempre calado e por isso não desafinava. Ao primeiro acorde do deputado Eduardo, os bichos esvoaçaram em debandada. Um enorme erro de casting. Hércules teve, assim, de voltar aos seus piores instintos.

Quem são, na atualidade, estas aves, que comem as colheitas? São as políticas do PS, que nos desgraçaram ao longo de 24 anos. Milhares de euros depois, três quadros comunitários depois, o PIB pc dos Açores, que representava, em 2000, 68,5% da média europeia, desceu, em 2020, para apenas 67,2%. Uma desgraça!

Sexto trabalho: As Cavalariças de Áugias. O rei da Élida tinha grandes manadas de cavalos, mas era descuidado e deixou acumular uma colossal quantidade de estrume ao longo dos anos. Hércules conseguiu lavar as cavalariças num só dia.

Aqui, confesso, hesitei na escolha do voluntário governamental para este trabalho. Escolhi-o a si, Sr. Secretário da Agricultura, não me leve a mal.  É uma questão de prática. A verdade – e muito a sério – é que V. Ex.ª está a ter muito sucesso em remover as políticas socialistas responsáveis pela desgraça a que aduzi. Tem diversificado o sector agrícola e tem executado uma estratégia que devolveu rendimentos aos agricultores.

Sétimo trabalho: O Touro de Creta.  Era um touro que o deus do mar, movido pela vingança, enlouqueceu. Em resultado disso, o animal devastava os campos da ilha de Creta. Hércules controlou o touro e nadou com ele até ao continente. Pensei logo, num primeiro instinto, em adotar este trabalho para mim próprio, mas, tendo em conta o meu fracasso no caso do boi-anão do Corvo – um animal vinte vezes mais pequeno – desisti. Além disso, nado mal.

Por isso, desisti do touro e alterei o trabalho para a resolução do caso do “Cachalote” e da SATA em geral.  O avião “Cachalote” custou cerca de 50 milhões de euros para ficar em terra.

Os socialistas são os responsáveis por uma das maiores ironias da nossa História: os açorianos alimentaram-se do negócio dos cachalotes do mar durante séculos e quase que acabámos subnutridos para pagar um, que ainda por cima ficou em terra. Sim, porque no ar só ficaram a voar os 50 milhões. Isso e os 400 milhões de euros de prejuízos da SATA pagos pelos açorianos. Este Governo salvou a SATA, criou a tarifa Açores e multiplicou o número de ligações aéreas para números nunca vistos. Grande trabalho! Trabalho superado!

Oitavo trabalho: As Éguas de Diomedes. Eram quatro éguas violentas e carnívoras, pertencentes a Diomedes, filho de Ares, o deus da guerra. Hércules capturou as éguas e – repare bem, deputado Pedro Neves, neste gesto de humanismo do nosso herói -, apercebendo-se de que os animais estavam famintos, ofereceu-lhes o infeliz Diomedes como comida para aqueles dias.

Nesta minha adaptação, as éguas carnívoras correspondem ao aparelho que o PS montou, durante 24 anos, em toda a Região. Um aparelho que comeu quase tudo e deixou muito pouco para os mais desfavorecidos.

Pois bem, aí está o trabalho que este Governo Regional está a fazer, distribuindo com justiça os nossos recursos: aumento de 15% do complemento regional de pensão; aumento de 15% do COMPAMID; aumento agregado de 15% da remuneração complementar; aumento de 15% da comparticipação diária atribuída aos doentes do Serviço Regional de Saúde deslocados e aos seus acompanhantes; aumento de 15% do complemento especial para o doente oncológico e o aumento de 22% das verbas para a Ação Social Escolar.

Bom trabalho. Um trabalho de justiça. Falta saber a quem vou dar às éguas carnívoras. Escolho o deputado Berto Messias, que como ex-forcado não tem medo, sobreviverá com toda a certeza. Assim espero. As éguas sempre serão menos ferozes que os credores da Câmara Municipal da Praia da Vitória.

Nono trabalho: Cinto de Hipólita. Trata-se do cinto usado por Hipólita, rainha das amazonas. Hércules teve de matar a rainha para ficar com o cinto. Este ato, deputado Pedro Neves, sou eu que não perdoo. Em primeiro lugar, é sempre difícil tirar o que quer que seja a uma mulher (aos homens e às outras opções de género também, digo isto para não cair em frases infelizes e politicamente incorretas como o nosso Presidente Marcelo). Em segundo lugar, digo já que não aceito este trabalho: quem mata uma rainha, também mata um rei.

Décimo trabalho: Bois de Gérion. Os bois eram propriedade de Gérion, um gigante de três cabeças, que eram guardados por um pastor e o seu cão, ambos com diversas cabeças também. Hércules matou todos os personagens e levou os bois.

Isto é trabalho para mim ou para o deputado Berto Messias. No meu caso, ainda tenho mais dois trabalhos para concluir e no caso do deputado Berto Messias, vejo que ainda está ocupado com as éguas carnívoras.  Seja como for, o Governo Regional já está a fazer, exemplarmente, este trabalho. Que o digam os agricultores das ilhas do Corvo e das Flores que já não têm de esperar pelo fim do inverno para verem o seu gado ser transportado.

Décimo primeiro trabalho: Pomos de Ouro. Eram maçãs de ouro que ficavam num jardim desconhecido. Hércules correu o mundo à sua procura. Aqui, neste trabalho, temos a mesma dificuldade dos chifres de ouro. Os socialistas não deixaram ouro, nem sequer tostões.

Seja como for, este trabalho vale a pena pela volta ao mundo. Os Açores estão, hoje, nas rotas do mundo. Nacionais e estrangeiros encontraram aqui o novo Jardim do Éden. Está a ser feito um fantástico trabalho nesta matéria. Temos cada vez mais rotas, mais turistas e mais recursos nesta área.

Décimo segundo trabalho:  Guardião de Hades. O inferno clássico estava guardado por um cão com três cabeças e uma cauda em forma de serpente. Permitia a entrada de todos, mas não deixava ninguém sair. Hércules capturou-o, mas depois devolveu o cão ao inferno.

O trabalho do Governo Regional é evitar o encontro com o cão de três cabeças. Está a fazer tudo, mas mesmo tudo, para reverter a desastrosa situação económica a que os sucessivos governos regionais socialistas levaram os Açores.

Meus Senhores!

O Grupo Parlamentar do PPM apoia, inequivocamente, este Plano e Orçamento.

Estamos contra os efeitos da guerra. Contra os efeitos da inflação. Contra os efeitos devastadores da subida das taxas de juro. Contra a continuação do endividamento galopante dos Açores.

Votamos, por isso, a favor deste Orçamento. A favor da justiça social e a favor do futuro para todos e cada um dos açorianos.

Vivam os Açores!