E ir à bruxa?!

0
9
DR

Estive a verificar os meus arquivos de artigos de opinião, dos últimos anos, e constatei que, todos os anos, por esta altura, sou forçado a escrever sobre a prestação do serviço da nossa SATA/Azores Airlines nesta chamada época alta. Este ano, infelizmente, não vai fugir à regra!

Continuo a defender, de forma acérrima, aliás, que a SATA – empresa verdadeiramente estratégica para o desenvolvimento económico e para a coesão territorial e social dos Açores – deve continuar a trilhar o seu caminho tendo por base os seus objetivos fundacionais: a SATA deve servir, em primeiro lugar os Açorianos e as nossas ilhas; em segundo lugar, deve aproximar a nossa Diáspora, particularmente nos EUA e Canadá; por fim, se houver tempo, disponibilidade, aeronaves, tripulações e dinheiro, então deve pensar-se em estender a operação a outros destinos.
A gestão desastrosa da anterior administração (com o beneplácito do Governo Regional, acionista da empresa) alienou um avião A320 da frota da Azores Airlines. Isto leva a que hoje a companhia não consiga ter capacidade de resposta para servir os Açorianos do Faial, Pico, Terceira, São Miguel e Santa Maria como devia. Por exemplo, basta um carro de catering embater num avião, no aeroporto de Lisboa, e a operação da companhia fica logo altamente comprometida! O que temos hoje são Faialenses a lamentarem-se do serviço prestado pela SATA nas ligações a Lisboa; são Picoenses a queixarem-se que a transportadora não dá resposta à procura turística que a ilha tem; os Terceirenses já nem veem a SATA, porque o code-share com a TAP leva a que para Lisboa sejam raras as vezes que apanhamos um avião com as cores da Bandeira Açoriana…
Depois temos as ligações de verão à Madeira, Faro e Canárias. A empresa colocou um Dash Q400 a fazer as rotas. Em termos operacionais sai mais barato 30% do que fazer com um A320. Os bilhetes é que continuam sempre ao mesmo preço (caros!!!). Mas o principal constrangimento é que as ligações inter-ilhas ficam prejudicadas, porque todos os dias, na prática, existe menos aquele avião para assegurar o escoamento interno. Por exemplo, para o Pico, a SATA anunciou um reforço do número de voos nos meses de julho e agosto. É verdade! Só que face ao ano passado há menos lugares disponíveis, porque o voo extra é realizado com um Dash Q200.
Vejamos a rota com maior procura: Terceira/São Miguel. Por esta altura existem 7 ligações diárias entre estas ilhas. No entanto, os horários são, no mínimo, exotéricos. Se precisarmos ir das Lajes para Ponta Delgada existe um voo às 7 da manhã e depois só existem voos à hora de almoço (por sinal 3 voos seguidos, separados apenas por 5 ou 10 minutos), sendo que depois só voltam a existir ligações ao final do dia. Mas se procurarmos o sentido inverso o mesmo também é verdade: 3 voos seguidos logo de manhã; 2 a seguir ao almoço e depois só à noite.
Já nas ligações à nossa Diáspora este verão volta a estar caótico. Ou é o comandante que a sair da pista passa por cima da iluminação da pista; ou é o reboque que danifica o trem de aterragem de um aparelho; ou é o passarinho que se mete no motor do avião e obriga a cancelamentos… Com tudo isto passa a SATA dias a fio a alugar aviões a outras companhias para poder dar resposta, num gasto verdadeiramente exorbitante. E tudo porque insistimos nas aventuras! Não conseguimos satisfazer convenientemente os Açorianos, mas queremos ligar Barcelona a Boston e os EUA a Cabo Verde.
Para os azares só posso recomendar um bruxo ou benzedeira; para as aventuras só posso pedir que sejamos racionais e objetivos.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO