É política ou a arte de “iludir” os faialenses?

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“Faça promessas de todo o tipo. As pessoas preferem uma mentira de conveniência a uma recusa direta”. As palavras escritas por Quinto, irmão de Marco Túlio Cícero, como conselhos práticos para este ganhar as eleições para o mais alto cargo da República em 64 A.C., têm hoje em dia plena vigência prática.
Efetivamente, entrados em pré-campanha eleitoral para as legislativas regionais, nota-se já um frenesim dos nossos governantes e políticos, ansiosos por cortar uma fita ou colocar a primeira pedra, prometendo o que muitas vezes dificilmente conseguirão cumprir, intervindo politicamente ou emitindo comunicados que têm como objetivo único a completa “intoxicação” da opinião pública.
Tais factos são por demais evidentes nos casos que surgiram nestes últimos dias e que refletem precisamente a época em que nos encontramos – a das promessas aos faialenses.
1Há cerca de quinze dias, o Ministro do Mar, quando questionado pelo deputado faialense João Castro acerca da concretização do Observatório do Atlântico Norte, na ilha do Faial, respondeu que já havia um financiamento de 2 milhões de euros para se avançar com a instalação desse Observatório.
Esqueceu-se o governante, talvez por ser “novato” nestas andanças, que no final do ano de 2017, a anterior Ministra do Mar já tinha prometido a sua criação para 2018 e um investimento nesse Observatório de 15 milhões de euros até 2021.
Chegamos ao final de 2020 e este tão propalado Observatório não foi criado, nem investido um único cêntimo.
2 No mês de junho, o Presidente da Autoridade Nacional da Aviação Civil informava o deputado João Castro que essa entidade se pronunciará sobre a implementação do projeto final da ampliação da pista do aeroporto da Horta assim que o receba.
Haverá quem ainda acredite que essa ampliação ocorrerá? As inúmeras promessas políticas para esse aumento datam da primeira década deste século e, por regra, tendem sempre a intensificar-se em períodos eleitorais, sem que ainda se vislumbre qualquer luz no fundo do túnel.
No momento em que a ANA, entidade gestora do aeroporto da Horta, atravessa uma situação financeira difícil, resultante de uma quebra nas receitas, o que implicou uma redução do horário dos trabalhadores e respetiva remuneração, não parece crível que esta queira avançar com um investimento de muitos milhões, do qual pouco retorno financeiro terá.
3 Na segunda-feira, a Portos dos Açores transmitiu em comunicado que está a decorrer a bom ritmo a construção do modelo físico reduzido que procede à avaliação das condições de agitação e das correntes marítimas, no âmbito da obra de Requalificação do Porto Comercial da Horta.
Sem descurar a relevância dessa informação, seria também importante que a empresa viesse a “terreiro” esclarecer os faialenses para quando está prevista a apresentação do projeto final e o lançamento dessa obra, fundamental para o reordenamento desse Porto e para a própria ilha.
4O Presidente do Governo presidiu ao lançamento da construção da primeira fase da estrada Variante Furnas-Povoação, lembrando que ali se vai investir mais de 26 milhões de euros.
Em face deste avultado investimento, seria essencial que se explicasse aos faialenses porque é que ainda não saiu do papel a construção da Variante à cidade da Horta. E já não vale a pena dizer que os investimentos na rede viária estão excluídos de apoios no atual Quadro Comunitário, porque a realidade atual demonstra-nos que essa exclusão não releva quando se quer efetivamente construir estradas.
Na verdade, quem investe esse montante na ilha de São Miguel e se tem esquecido ao longo dos anos de um investimento fulcral para a mobilidade dos cidadãos e para o desenvolvimento harmonioso da ilha do Faial, ou é político ou pretende “iludir” os faialenses.

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