É tempo de continuar a contar

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Salomé Matos

Procurando Valorizar o Faial e numa estratégia que se pretendia abrangente, algumas das propostas do manifesto eleitoral, visavam reforçar e qualificar a resposta do Hospital da Horta (HH) à população que serve.
Sendo a saúde um dos pilares da sociedade, o atual Governo Regional dos Açores tem dado, em pouco mais de um ano, uma resposta positiva e há muito esperada neste setor, quer em termos de incentivo e fixação de médicos, da dignificação das carreiras como a de Enfermagem e a dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica, da contratação de um volume de profissionais nunca visto nos últimos anos, assim como em termos de dignidade no acesso aos cuidados de saúde, nas várias empreitadas de requalificação e construção de infraestruturas, na aquisição de equipamentos, de retoma da atividade assistencial nos hospitais e centros de saúde dos Açores.
Os números são inegáveis e revelam que no último ano realizaram-se mais cirurgias, mais consultas e mais exames comparativamente a 2019 e no que diz respeito à retoma dos quatro programas de rastreio do cancro de base populacional realizados no Serviço Regional de Saúde (SRS), ultrapassou, no primeiro trimestre de 2022, o número de rastreios realizados em igual período de 2019. Tal como muito já foi feito, muito ainda há a fazer, e especificamente quanto ao Faial as tão necessárias obras de requalificação do HH. Não obstante a realização de obras de remodelação de serviços clínicos e não clínicos e a construção de raiz do edifício para a Unidade de Saúde de Ilha do Faial anexo ao HH, ocorridas nos últimos anos, a beneficiação dos Blocos A e B não foi considerada uma prioridade subjacente às decisões políticas tomadas pelo anterior governo.
As condições físicas existentes nas enfermarias dos internamentos Cirúrgico, Médico e Ortotrau-matológico, são o espelho da ausência de dignidade dos utilizadores destes serviços e condicionam a qualidade da prestação de cuidados de saúde pelos profissionais dada a evidente falta de condições de trabalho. Uma intervenção ao nível da arquitetura (pavimentos, revestimentos, tetos, caixilharias e serralharias) e da rede de águas (abastecimento, refrigeração, incêndio e geradores de vapor) foi reconhecida e assumida por este Executivo e nessa sequência aprovada a abertura de concurso público internacional em agosto de 2021 tendo este, infelizmente, ficado “deserto” face à escalada dos custos das matérias-primas associada à falta de mão-de-obra no sector da construção.
Em 2016 uma análise de rotina ao sistema de águas do HH detetou a presença de legionella na canalização, apesar disso as empreitadas lançadas e concretizadas no passado não incluíram a substituição das tubagens da rede de águas que têm sido apontadas como a causa para os focos da referida bactéria que têm ocorrido desde essa data, para além de não terem garantido a substituição dos tetos e coberturas de amianto que ainda existem naquela unidade hospitalar e que por determinação legal já deviam ter sido substituídas. Uma intervenção ao nível da rede de águas, foi considerada prioritária e por isso procedeu-se no início deste ano novamente à abertura de concurso cujo desfecho foi o mesmo do anterior. Mantendo o compromisso de dar início à necessária remodelação do HH foi, novamente, no início deste semestre autorizada, pelo Conselho de Governo, a abertura de um concurso público sem publicidade internacional com o preço base de 2,9 milhões de euros que ainda se encontra a decorrer. Dando ainda cumprimento ao previsto no Plano e Orçamento, a obra de reformulação de acessos e parques de estacionamento decorreu sem sobressaltos no último ano garantindo a circulação em todo o perímetro do Hospital aumentando o número de novos lugares de estacionamento.
Se feitas as contas, há quem não reconheça o trabalho meritório desenvolvido o problema não está na matemática….