O Tribuna das Ilhas dedica hoje, em plena Semana do Mar, parte significativa do seu espaço à regata Les Sables-Les Açores-Les Sables, dando, assim, destaque à realização de um evento que importa relevar.
Esta regata parte do porto da cidade francesa de Les Sables d’ Ollone, aberta para o Golfo da Biscaia e que tem uma grande projeção no mundo das regatas internacionais. Por exemplo, é de lá que parte a mais importante regata do iatismo de competição internacional, a Vendée Globe, que consiste em circum-navegar a terra, à vela, em solitário e sem escala.
Por toda a cidade francesa outdoors promoveram o evento. Comunicação social local e especializada e todos os meios ligados ao iatismo internacional deram eco à realização da regata. Em todos eles, sem exceção, o nome dos Açores (e da cidade da Horta) foi promovido e divulgado.
Nos Açores, porém, a perceção da importância deste evento não foi geral.
A nível local, o envolvimento e o empenhamento merece registo e aplauso. A Comissão Náutica Municipal, designadamente através da Câmara Municipal da Horta, do Clube Naval da Horta e da Portos dos Açores, foi exemplar no apoio a esta prova. Compreenderam aquelas entidades o impacto positivo na economia local, nomeadamente nas estruturas mais diretamente ligadas ao turismo, da presença de cerca de 150 pessoas, incluindo iatistas, “staff” de apoio e familiares que a vinda à Horta desta regata significou.
Por outro lado, aquelas entidades compreenderam, e bem, que este evento náutico reforçava e confirmava o posicionamento estratégico dos Açores e da Horta no mundo do iatismo internacional, fortalecia a Horta como uma das mais belas baías do mundo e provava as condições de excelência do seu porto (que se impõe serem mantidas e melhoradas), correspondendo a séculos de relevância. Ainda há duas semanas, nas páginas do Tribuna das Ilhas, o historiador faialense Ricardo Madruga da Costa referia-se à relevância da baía faialense “como escala preferencial cuja valia se afirmou ao longo dos séculos, seja na navegação à vela, no apoio a centenas de navios da frota baleeira americana, à navegação a vapor, à amarração transatlântica dos cabos submarinos e (…) no desenvolvimento da aviação no Atlântico pela Pan American Airways, entre 1939 e 1945, ligando os EUA à Europa.”
A Horta honrou os seus pergaminhos históricos ao apoiar e empenhar-se na receção a esta regata.
O mesmo, infelizmente, não se pode dizer das autoridades regionais, que não deram a este evento o apoio que ele merecia e que se impunha, uma miopia e uma atitude inexplicáveis, inexplicadas e incompreensível, quando, todos os dias, ouvimos juras aos apoios ao Turismo e se multiplicam em S. Miguel e na Terceira novas rotas, todas subsidiadas a coberto desse grande “chapéu” que é a “promoção do destino Açores”, mas no qual, ao que parece só duas ilhas cabem!
Lamentável é o mínimo que se pode dizer!
















