EDITORIAL

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Iniciou-se no Faial, na passada semana, como o Tribuna das Ilhas teve a oportunidade de informar, o processo de vacinação contra a COVID. Coordenado pela Unidade de Saúde da Ilha do Faial (USIF) e cumprindo diretrizes regionais, é um processo complexo e rodeado de alguns imponderáveis, grande parte dos quais em resultado das condições especiais de manuseamento e limitações de uso da própria vacina que, como se sabe, depois de descongelada e preparada tem de ser inoculada no curto espaço de cinco dias.
O processo de vacinação em Portugal tem ficado marcado por episódios lamentáveis. Começou, desde logo, pela errância dos critérios de prioridade das pessoas a vacinar, muitos deles ao arrepio da experiência de outros países e das orientações da própria Organização Mundial de Saúde. Depois, à boa maneira portuguesa, entrou-se na roda livre em que o compadrio, o amiguismo, ou, simplesmente, a chamada “esperteza”, absolutamente condenáveis, se tornaram notícia por toda a parte e até aqui bem perto, nestas nossas ilhas.
Mas igualmente condenável e censurável é a senha persecutória que redes sociais e alguma comunicação social menos cuidadosa na acreditação das suas fontes exerce sobre pessoas e instituições sobre as quais se levantam suspeitas e se mobiliza um verdadeiro linchamento público sem acautelar nem avaliar todas as várias dimensões que explicam uma determinada decisão, mesmo que aparentemente duvidosa.
A continuar neste rumo, num destes dias, haverá vacinas a sobrar e não haverá nenhum dirigente que assuma a responsabilidade de as aproveitar em situações limite, excecionais e não previstas.
Do mesmo modo, e pelas mesmas razões, os cidadãos mais expostos pela sua notoriedade pública cada vez mais dificilmente aceitarão ser vacinados nestas circunstâncias.
A falta de planeamento, nuns casos, o compadrio e a esperteza noutros, não são a mesma coisa que decidir vacinar alguém não previsto, à última hora e por razões justificáveis e de valor ético superior! É preferível isso ou é preferível deitar fora as vacinas que estão em vias de sobrar?
Misturar tudo, como se vem verificando em muitos casos, é bem revelador do ponto a que a ética, a moral e a honestidade chegou entre nós!

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