Editorial, 5 de agosto

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Estamos nas vésperas de mais uma Semana do Mar. Aquela que é uma das festas de Verão mais antigas nos Açores, regressa depois da interrupção forçada pela pandemia.

E, seguramente, nela permanecerá a sua essência matricial de encontro de homens do mar que, ao longo dos anos, se foi também afirmando como um tempo privilegiado de reencontro dos faialenses espalhados pelo mundo, que se reveem nestes dias e aqui matam saudades de uma infância e de uma juventude a que todos não resistimos em regressar.

Por isso, o Tribuna das Ilhas saúda afetivamente todos aqueles que nesta altura nos visitam e que vêm fazer festa connosco. Que gostem de cá estar, que vivam em plenitude estes dias festivos e que fiquem com vontade de voltar.

A Semana do Mar, como se sabe, começou por ser uma receção feita aos iatistas, à volta de um singelo Caldo de Peixe no velho Clube Naval da Horta. Esse convívio inicial alargou-se, depois, na terra e no mar, talvez sempre mais para a terra do que para o mar, tornando-se na maior festa da ilha e do Triângulo e até potenciadora do surgimento de outros momentos festivos noutros concelhos.

Com o tempo, o evoluir e o crescimento, toda a animação em terra foi colocada no centro da festa, impondo-a às pessoas, e as tentativas de deslocar, pelo menos alguma dela, do Largo do Infante e arredores, não terão tido o êxito esperado e foram abandonadas.
A Semana do Mar de 2022 para além de ser um recomeço depois de dois anos de paragem, ficará marcada pela necessidade de se realizar noutros espaços devido à impossibilidade de utilização daqueles que tradicionalmente se impuseram ao longo dos anos como o centro da festa.

E essa mudança para a Alagoa e avenida Machado Serpa acabará por constituir-se numa oportunidade de testar a funcionalidade desses espaços e a adesão das pessoas. Deste modo, aquela que era uma possibilidade defendida há alguns anos por alguns críticos dos espaços onde decorria a Semana do Mar será, pela força das circunstâncias, testada e avaliada, dela podendo retirar-se oportunas e necessárias conclusões para o futuro.
À boa maneira faialense, cada um de nós se assume como um fazedor de opinião sobre o que devia ou não devia ser feito na Semana do Mar. Como em tudo, umas vezes com razão, outras nem tanto e outras ainda desconhecendo em absoluto o trabalho dos membros da Comissão Organizadora que tiram do seu tempo livre para, sem qualquer remuneração, se reunirem e ajudarem a construir um programa que, acreditamos, todos querem que seja o melhor e o que mais agrade às pessoas. Sempre foi assim, agora como no passado.

Este ano, recai sobre a Semana do Mar um misto de expetativas que se entrecruzam de forma única: de um lado, a realidade do esperado e ansiado recomeço, depois da interrupção; do outro, a forma como a sua realização noutros espaços será recebida pelas pessoas.

As contas do deve e haver dessas expetativas far-se-ão depois.

Agora, dois anos depois, e até ao dia 14 de agosto, é o tempo da festa!

Boa Semana do Mar a todos!