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Em memória de um amigo de adolescência muito querido

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O Olhar vago e ausente de quem já não percebe a linha que divide a vida da morte atravessa o tecto do quarto de hospital que virá a ser o seu último leito. O desnorte dos olhos é doloroso por deixar transparecer as dores físicas que provavelmente o seu frágil corpo ainda aguenta. Perguntei ao enfermeiro se podia aproximar-me. Ele achou que talvez ele ainda percebesse a pergunta e aceitou fazê-lo. Fiquei expectante, quase desejando que o enfermeiro me impedisse de ir mais perto. Não, isso não aconteceu. O enfermeiro meio atónito hesita – disse-lhe o seu nome e ele disse que sim.

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