Estratégia regional inclui medidas estruturadas de combate e prevenção às dependências

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O Secretário Regional da Saúde garantiu hoje, na Assembleia Legislativa, na Horta, que o Governo dos Açores está a desenvolver um conjunto de medidas estruturantes na área das dependências, que se enquadram na estratégia regional de prevenção e combate a estes fenómenos.

Rui Luís, que falava num debate sobre as políticas de prevenção e combate às toxicodependências, assegurou que o Executivo não se resigna também nesta matéria, como se comprova com a estratégia que está a ser implementada com medidas concretas e transversais, antes mesmo dos resultados do estudo regional sobre comportamentos aditivos.

Os Açores têm apresentado nos últimos anos uma melhoria relativamente ao fenómeno das toxicodependências, enquanto algumas regiões do país estão a fazer um trajeto em sentido contrário.

Esta evolução positiva, que não invalida a premência e a necessidade da adoção de medidas para vencer este desafio, consta do relatório nacional sobre esta matéria relativo a 2017, assim como do inquérito aos jovens que participaram no Dia da Defesa Nacional.

“Sabemos que o álcool e o tabaco são as substâncias psicoativas mais consumidas pelos jovens e, por isso, criámos dois planos específicos para estas problemáticas”, frisou o titular da pasta da Saúde.

O alargamento da Saúde Escolar, para além do ensino regular, ao ensino profissional e aos Centros de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil, abrangendo mais de 40 mil jovens, que inclui o Sistema de Vigilância de Comportamentos de Risco e planos específicos para as escolas, foi outro exemplo apontado.

No âmbito da dissuasão e minimização de riscos, Rui Luís sublinhou o impacto do programa ‘Giros’, no apoio aos jovens nos festivais, através de campanhas de prevenção.

“Este ano, introduzimos ações de sensibilização para os jovens finalistas do 12.º ano de escolaridade, para alertar para a problemática dos consumos nestas viagens”, salientou.

No contexto da prevenção, o Secretário Regional apontou alguns projetos em curso, como os programas ‘Prevenir em Família e na Comunidade’ e ‘Trajeto Seguro 0’, que estão em projeto piloto em algumas freguesias e serão estendidos a toda a Região.

Por outro lado, no que concerne à redução de consumos, Rui Luís apresentou dados referentes a programas dirigidos às crianças e aos adultos.

“Obtivemos já resultados, em 2018, no programa ‘Domicílios e Carros 100% sem Fumo’, dirigido a crianças do 4.º ano, com 21% dos encarregados de educação a deixarem de fumar na presença dos filhos e 5% a optarem por deixar de fumar”, adiantou.

No que se refere à procura de consultas de cessação tabágica, verificou-se um aumento de 48% de consultas em 2018, relativamente ao ano anterior.

Do conjunto de ações implementadas na componente do álcool, o Secretário Regional destacou a aprovação do Regime Jurídico de Venda e Consumo de Bebidas Alcoólicas, aumentando a idade mínima para os 18 anos.

“Recordo que, inserido no Plano de Ação de Redução dos Problemas Ligados ao Álcool, implementámos o Fórum do Álcool e Saúde, onde 36 entidades já aderiram e apresentaram os seus compromissos de ação, e que vão desde associações de consumidores até à própria indústria, passando por escolas, autarquias e universidades”, salientou.

O Secretário Regional fez referência também às ações de formação dirigidas a profissionais de saúde, funcionários das IPSS e dos Centros de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil para os capacitar para lidar com a problemática das dependências.

Na vertente do tratamento, referiu que, “pela primeira vez, em 2018, houve mais utentes em programas livres de drogas do que em programas de substituição opiácea, ou seja, 1.220 em substituição opiácea e 1.471 nos programas livres de drogas”.

Na resposta à previsão da entrega do Estudo sobre Comportamentos Aditivos e Dependências da Região, Rui Luís esclareceu que o documento, com uma amostra mais alargada do que inicialmente previsto, será apresentado em junho.

“Este estudo teve a ambição de ser mais abrangente, passando de uma amostra de 2.000 para 12 mil jovens e irá dar-nos os fatores de risco e proteção de quem consome e de quem não consome”, salientou o Secretário Regional.

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